domingo, 15 de novembro de 2020

Sentimentos como Pipocas

 Os sentimentos são parvos como as pipocas. 

Até podem saltar. Más há sempre um(a) filho(a) da puta que os come, enquanto olha distraído(a) para um ecrã. 


”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse

24/07/2018

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Coração Partido é Estúpido

Ao meu amigo, primo e colega Diniz Oliveira Campos:

 

“Esse coração aí no chão, sentado, esquecido, sujo e puído, foi um dia já”,-  e o é ainda, “vigoroso, músculo activo, forte pulsante, marcante, apaixonante, apaixonado.”

Sim, esse “coração aí sentado hoje, desprezado e amarrotado, invisível instável, pálido e chato, amargurado e perdido. “

“Não vê, não fala, não quer, não mais sente.” Mentira – não mais quer sentir.

Forte demais para resistir. Tem juízo.

Procuras agora fazer desse destroço uma pedra?

O teu lirismo adolescente já começa a ir longe demais.  

Hoje acreditas que nada mais sentes que não dor. Há muito que sentes que te falta um par. Há muito, entendamos nós, restantes mortais, que como tudo, é relativo, e se nada mais há de relativo que o tempo para cada um de nós, a mesma pessoa que é tão relaxada me relação a cumprir horários, porque sempre: “-temos tempo!...”- nunca tempo há suficiente que te permita desfrutar de qualquer um nos teus amores da vez.

Ora, não posso eu em consciência deixar de te fazer notar que, ao contrário do que “o teu coração te ordena” (palavras tuas, jamais utilizaria termos tão pirosos), não só um dia não é tempo que baste para recuperar de uma assolapada paixão, como uma semana não é, de todo, imenso tempo para que te martirizes por estares privado do regaço e prazeres da companhia feminina.

 

Acredita, como bem sabes, além de ter consideravelmente mais experiência de vida que tu, tenho também a experiência do meu casamento falhado – não só não merece a pena deixares que desgostos amorosos te consumam, como especialmente tu, que amanhã já amarás para a vida outra criatura que te permita salivar sob os seus tenros contornos, é ainda mais absurdo que te deixes levar por tão exagerados prantos e angústias.

 

Tantas lágrimas que gastas, por muito que abuses das figuras de estilo, adjectivando-as de “(…) rubras fendas, enlutadas e enegrecidas por negligências, desprezo e solidão (…)” privam-te em grande parte de poderes canalizar as tuas forças para a produção da tua arte, aquilo que, em última análise, te sustenta. Não posso deixar de te fazer notar que, de forma objectiva, é uma contradição dos valores que dizes que defendes – quereres viver exclusivamente da tua arte.

 

Essa “Carência intimidante” é inoportuna, em especial se considerar que acabas por nos incomodar a todo com as tuas marés melodramáticas. Já ninguém tem paciência para te aturar, e só mais ninguém to diz porque todos os outros estão a tentar aproveitar esta época sacro-festiva para expiar os seus pecados e comprar um lugar no céu.

 

Apesar de discordar em muito da tua abordagem, recordo que até já conseguiste reconhecimento e louvores fervorosos da crítica e de alguns admiradores. Ainda que eu defenda que isso te é permitido apenas pela baixa educação do nosso país, não deixas de ter uma responsabilidade para com o eu público e, em fundamental, continuar a trabalhar e a produzir valor, até porque te recordo que todos nós assumimos um compromisso de trabalhar e cooperar no desenvolvimento da nossa actividade. Se racionalizarmos a produção dos nossos conteúdos com a lógica empresarial contemporânea, compreenderás que não é admissível nem sustentável que esta situação se mantenha por muito tempo.

 

Insisto por isso que não alimentes da tua histeria emocional, pois crê no que te digo, é do teu da psique que vem o material para o teu trabalho, não do “coração” que, não obstante eu reconhecer todo mérito do teu lirismo, estou convencido de que tens consciência de que é apenas um músculo que nada tem a ver com essas tuas tontas e bacocas emoções.

 

 Coração partido é estúpido.

Toma juízo puto.


Ps: preciso que me emprestes o microfone para a terça-feira que vem.

 

Saudações Cordiais

Homero de Vaz Pessoa

21/12/2019

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

domingo, 8 de novembro de 2020

Coração Partido

 Esse coração aí no chão

Sentado, esquecido

Sujo, puído

Foi um dia vigoroso,

Músculo activo,

Forte, pulsante

Marcante, apaixonado,

Apaixonante.

 

Sim,

Esse coração aí,

Sentado hoje,

Desprezado, invisível,

Instável, insensível,

Pálido chato,

Amarrotado, amargurado perdido.

 



 

Coração agora,

Não vê, não fala,

Não quer, não sente,

Não mais tem emoção.

Pedra agora se faz,

Por mão não ter mais

Que o agarre,

lhe dê mais préstimo.

Hoje não mais sente

Que dor…

Perdeu o seu par…

A sua gémea,

Sua forte ligação suprema

Eterna, visceral, etérea…

 

Tanta dor…

 

Brotam lágrimas rubras,

Um peito aberto, escalado,

Enlutado enegrecido

Pela negligência desprezo

Solidão.

Perda, vazio e nada…

 

Carência intimidante,

Inoportuna chaga,

Susto inconsciente, só.

Apenas.

 

Recordo hoje,

Antenhos louvores,

Saudosos fervores

Idos….

Assim como as cores…

Tudo o que resta…

São bolores…

 

Hoje, frio e só,

Feridas por sarar,

Pulsões por domar

Uma vida por agonizar…

 

D.O.C.

19/12/2019

 

sábado, 7 de novembro de 2020

Onanismos Intelectuais

 Onanismos intelectuais não, obrigado. 

Concentrem-se na força e paz interior. 

Energias fantasmas. Trampolins magnéticos pululando o éter quântico. 

Caveiras de craveira. 

Pensem nisto. 

Namastê.


H.V.P.

11/03/2019


sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Testas

Imaginem.

Acreditem. 

Só com calor sabe bem comer gelados com a testa. 

Não tenho cavalos, nem sou americano, mas conheço o segredo da bomba atómica. 

Passar bem.

Escrivaninhas.


”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse

02/10/2019


terça-feira, 3 de novembro de 2020

Desgostos

 Era Outubro de um ano muito comprido, ou assim parecia, e uma vez mais Diniz encontrava-se só.

O desgosto fazia-se sentir nas entranhas, como se um rato o roesse por dentro.

A humilhação rivalizava com o sentimento de perda. Um vazio apático e cinzento enchia-lhe o espírito e o coração só por inércia se mantinha pulsante. Também não conseguia chorar. Se era pela mesma inércia, ou se fruto do mesmo bloqueio que tinha vindo recentemente a sentir, que o impedia de expressar outro sentimento que não raiva em momentos como este, muito embora soubesse que se conseguisse abrir essa comporta, à torrente se seguiria um alívio balsâmico. A natureza deste bloqueio era mistério, pois certa humidade lhe acompanhava as órbitras ao mais ínfimo vestígio de emoções um pouco mais complexas.

A sua paixão de anos. Parecia finalmente tão, mas tão perto…. Tão certo.  Não compreendia – teria de haver certamente um qualquer gosto sádico do sexo feminino, uma conspiração em relação à sua pessoa – não havia outra explicação para tantos desgostos e desilusões. Cada vez mais acreditava andar a ter sido utilizado por todas as mulheres com quem privara ao longo dos anos, como um penso de nicotina, algo descartável, que supre temporariamente uma carência, imediatamente esquecido e trocado por outro.  Uma espécie de pousio para mulheres carentes e necessitadas. Apesar de no início da sua idade adulta nunca se ter preocupado muito com isso, entregando-se sempre livremente aos prazeres do convívio feminino, o passar dos anos e muitos desgostos, resgataram ao seu espírito todos os medos e inseguranças que a pós-adolescência, a custo, recalcara e se esforçara por esconder. Agora, com aquele que reconhecia ser o maior golpe emocional que já recebera, sentia-se no interior de um túnel muito escuro e frio, à margem do mundo quente e solarengo, assim como das pessoas cinzentas e sem rosto por quem passava: aquele seu grande amor, aquele vigoroso e imponente dos que queimam os olhos à primeira vista e fazem o coração crescer além do espaço que lhe é destinado, que torna possível a existência de uma infinidade de borboletas no estômago e faz levitar – sim… aquele grande, grande amor, dos quais são feitas as grandes tragédias - e também as comédias românticas na verdade, - após um reencontro ardente, o final feliz de qualquer novela, o auge da fantasia romântica e tremendista daquela alma incurável, esfumou-se de forma abrupta e fria. 

Tantos anos haviam passado desde o seu último grande amor, e agora, mesmo no momento em que se sentira de novo preparado a confiar o coração a uma nova eleita, que lho guardasse e cuidasse, havia parecido predestinação que fosse logo aquela criatura de cabelos áureos e olhos de oceano profundo, justamente a que lhe provocara taquicardias desde o primeiro momento em que a vira, havia já tantos anos.

Houve um “toca e foge” cruel, com se aquela odiosa criatura tivesse reaparecido àquele triste espectro de existência, só para lhe recordar que não era digno nem merecedor de tal presença. A chaga que nunca tivera oportunidade de abrir por ausência de acontecimento, teimava agora em não querer estancar.

E ele sentava-se ali a olhar e a chorar. A sonhar e a acordar. Mais uma terça-feira no bairro.


Clopin da Maia 

02/11/2020


segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Gritos

 Um rasgo na rua

bem alto um luar 

Não sei mais que fazer 

mas aqui não consigo ficar 


Avanço lentamente 

passo a passo

pareço recear

cada iniciativa uma incerteza

em cada investida sem destreza 


... Derrota 


Sozinho canto, grito 

bato a parede

um cerco febril 

monstro maciço,

que não cede nem  mexe

só,

implacável e fria

em mim basta para me bastar 


Sozinho canto.  E Berro!!!  


Quando em mim procuro um anjo 

as asas não consigo abrir

caio em mim

mas para quê voar tão alto 

se nem sequer se faz sentir


E ai de mim se paro agora 

de  mim que não deixa memória

vivência... inútil...

vã... 


Em mim revolta pura

A mim revolta pura 

paralisante incompetência

incompetência paralisante 


GRITO!!!! BERRO!!!!


Ao crepúsculo 

penso no que sou e não fui 

no que fui e não serei 


E a culpa de quem é

De quem a culpa,

e quem ma roubou... ? 


Inferno... 


ESTOIRO. 


e corro... 


Corro em frente

sempre em frente 

sempre assim 

não posso parar 

não posso cansar 

não posso parar 

não posso sentir 

não posso parar 

não posso parar 

NÃO POSSO PARAR!!! 


E escuro

junto ao mar

Não posso parar

não posso parar 

não posso parar

junto ao mar

não posso parar

sigo em frente

não posso parar

vou-me cansar

não posso parar 

sem pé

não posso parar 

EU VOU PARAR! 

vou voltar a sentir 

vou-me afogar

vou voltar a seguir

vou voltar a andar 

eu não posso parar 

não posso estancar

não posso pensar 

não posso sentir

não posso parar 


mas sinto...


  ... e penso... 


e não posso parar...


D.O.C.

16/12/2012


domingo, 1 de novembro de 2020

Ensaio sobre o EU

 Nas trevas de mim procuro

A essência que de mim me perco

Aquela que não excluo

Quando de mim não me convenço

 

Um futuro errante,

uma sátira passada

em mim eu sinto

inquieto

sentido escondido

o meu deserto...

só meu ...

 

Oiço o coração espaçado

Não entendo o que de mim não conheço

E aquilo que de mim conheço,

Não compreendo porque o não reconheço

 

O meu sentido

O meu eu

A mim apelo

Em mim eu espero

A mim desespero

Em mim, comigo, eu berro!  

 

Estou cansado

Estou cansado

Não quero viver

Não quero morrer

Não quero pensar

Não posso aqui estar

 

Não me consigo mexer

Não me quero mexer

Já não consigo correr,

Já não consigo saber,

Ganhar ou perder,

Eu já não sei ser!!

Já não preciso correr já nao consigo morrer...

Não quero viver

Não quero morrer

Quero sobreviver, desnascer e morrer

 

... quero gritar

Eu quero sentir

Eu quero subir

Eu quero pedir

Eu quero sentir

Eu preciso sentir

E não quero pedir

 

 

E no silêncio....

 

No silêncio das trevas ensurdecedoras

O medo pulsa, cego ao olhar de um grito surdo que não sabe ser

Que se cala em plenos pulmões

Desesperado em frente a uma esperança doentia e febril

Que me agarra  ...

 

Tanto a fazer, tanto para ganhar, para conquistar, avançar e vencer,tanto para rir, amar e perder... 

 

Será na ignomínia da morte que encontrarei o meu ser, o meu lar o meu vencer?

 

O Meu eu que nao fui e não sou, que procuro, odiando e amando

Desejando tudo aquilo que um dia poderia ser e não serei

Admiro-o, odiando-o

Quero-o, desprezando-o

Procuro a saída deste aterro inútil e maldito

Que me prende em mim

Que desprezo mas sem o qual não vivo

 

SAI! RUA! FORA! VOlTA! FICA!! VOLTA!!!

NÃO!


D.O.C.

03/03/2012

sábado, 31 de outubro de 2020

Imbecil

Dourar a pílula é inútil,

Remar contra, é fútil,

Mimar é masoquismo,

Falar é já obsceno

Solução?

Lá fui eu, pensando (incrível, hein?)

Sistematizei a conclusão:

 

Comunhão, Tosca,

Grosseiro.

Imbecilidade, Boçalidade.

Sim.

Boçalidades, grotescas,

Barulhentas.

Gargalhadas rudes,

Deselegantes

Como chuva em Abril:

Ligeireza, confronto,

Esse gelo que me cobriu,

Vergastada na batuta,

Estupidez, má vontade,

Que pariu essa…

 

Dizia eu,

Asneiras, disparates,

Deficiências, incongruências,

Más decências, mal dissentes,

Retaguardas frondosas, vistosas,

Cachaços quentes.  

Despeitos secos,

Vozes roucas,

Pétalas roxas…

Hmm… 

Alicates.

 

Agudos, fracos,

Graves,

Gravíssimos, azedos!

“Si”’s menores sem Mi.

(Adivinhem só):

As oitavas majestosas,

Não descem pedestais,

Quebra-se o verniz, o cristal,

Rude atitude, sem sal.

Mas sapiência de papel,

Mais não que o é,

Ou notas elegantes de aluguer!

(perdoem acossado engano,

Mas rimar Papel com Papel,

Parece verso na hora de extrema-unção!)

Camarinhas.

 

Maravilhas colegiais,

Sorrisos dentais,

Como os fios,

Cabrestos ácidos,

Espinhos traiçoeiros.

Educações engraçadas,

Escondem porcelanas de pardieiro.

Assim era, a princesa do seu cantoneiro!

“-Nossa, mas que grosseiro!”

 

Assim é minha gente,

Este imbecil que daqui vos fala,

Tolo, guloso, pândego, ignaro:

Palavra de escuteiro:

Para mesquinharias tenho Faro!

Tão longe do Porto,

Que na Busca, pela verdade astuta

Que cada palpitação,

Dessa cruel e supramencionada batuta,

Sofre o seu aborto,

Falhada a existência!

Redunda em frieza, crueldade, mesquinhez:

Chamas gélidas,

Cheiram montanhas verdejantes…

Actos falhados,

Penetrações defraudadas,

Gemidos lesados,

Toques gelados,

Arrepios burlados,

Sentimentos… Espoliados!

Orgasmos frustrados.

Rasgos rapinos,

Vazios, enganados.

 

São sorrisos falsos,

Argamassas sobre glíter e purpurina,

Cremes e/ou after shave,

Dentinhos vampíricos espreitando os egos

Essas finas flor-do-entulho,

Que esmagam as crendices bacocas

Simpáticas e inocentes

Na graça humana.

Ahh... Sabores do vento!

Como as máscaras de Nietzsche,

Escondem gatos de Schrödinger,

Resignam intenções

Denunciadas por pantomima.

Balizas.

 

Ancas coxas vazias.

Olhares vazios, discursos frios...

Hipotéticas diversões.

Carrossel.

 

 

A gulodice, essa,

Luxúria da carne a haver,

Fica temperada em vinha,

Não de alhos, já se vê,

Lacrada como um repolho, astuto

Mas solitário.

Esconde-se sobre as camadas da cebola.

Já se vê – Maus fígados.

Despeitados em futuros já passados

Ilusões!

Que deixa os demais num assado!

Há definitivamente,

Inércias demasiado activas,

Que magoam na sua inexistência barulhenta.

Ilusões…

É destes pratos suculentos que se fazem as dietas.

 

Ah… Lugares comuns…

Doces clichés,

Tanto me agraciam as vísceras.

Pobre Andy, caro Michael,

Amigo Elton, camarada Mick

A quanto me obrigam!

Queria tanto ser um Manet

De aura Miró,

Fizeram de mim um Rubens

Com as maneiras de um Taveira.

 

Real como todas as histórias de amor,

Mesmo as que não existem:

Terminam em morte ou separação.

Visão enternecedora do inferno.

Digestão pesada.

 

E se tu, sim, tu,

Que isto lês,

Em nada disto te revês,

Mas questionas a cognição alheia,

Natureza desta ranhosa epístola mal formada,

E até recordas:

“-Este gajo não disse que sintetizou a conclusão?”

Bem...  não, não disse!

E é chato, asqueroso,

E insuportável da tua parte,

Em nada te valoriza essa tua atitude.

Disse que sistematizei.

Por tópicos assim ficou,

Saiu isto. Assim deixei.

Caracacá. Versos, rimas de.

Borracha.

 

Dormi sobre a questão

Rentabilizei o sermão.

Mirei uma opção

Falei com alguém,

Soltei uma gargalhada

Lavei as minhas mãos

Sinto agora que posso dizer:

 

“-Não basta carregar [ENTER],

Mudar de linha,

Para fazer de,

Um amontoado de texto

E Léxicos desordenados,

Fonemas desgraçados

Parvos, Sem sentido,

Um Poema.”

 

Ahh.. abatanados!

 

Easter Eggs


”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse

14/12/2018

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

A Humanidade e a Humidade

 Acredita-se que na modernidade, a humanidade se confronta com dois problemas típicos da civilidade, moralidade e urbanidade: um é o excesso de saúde amorfa e decadente, já a caridade por curiosidade, angústia, conformidade e inércia e incapacidade. Ah, e humidade. 

Esteiros de alecrim. 

Pensem nisto. 

Namastê.


H.V.P.

10/11/2018

domingo, 25 de outubro de 2020

O Silêncio (II ensaio)

Na madrugada de silêncio 

traçando sonhos pelo chão 

observo um lugar vazio 

junto a uma esquina

e paro... 


Alguém, uma sombra

Nada a perder

Algo que não posso vencer

Jaz em mim um silêncio 

louco e frio, doentio 

encara um riso mudo


Um esgar de medo

beijo um todo, vazio e calmo

uma luz sombreada 

algo súbito 

um grito mudo 

um instrumento cortante

uma melodia errante, 

sem corpo, uma camisa adiante


Tudo o que quero,

o que penso, acredito

tudo o que tenho ou podia ter 


Algo sombrio...

Calmo...

Uma brisa... 

Um raio de sol... um arrepio

um sopro ardente 

uma pedra de gelo ardente

e para lá do tecido excedente 

vejo, por fim, quem tenho à minha frente.


A esperança eterna no silêncio

simboliza tudo aquilo em que não creio

Se não creio, nem vejo

O vale sombrio

Penso, logo vejo

No silêncio do tudo 

eu perco o nada que nunca tive

na promessa do nada

tudo conquisto 

e no renascer de um grito

que corta o falso silêncio de um destino insano

A mim as armas, a derradeira luta, do silêncio profano

Contra tudo aquilo que amo. 


D.O.C.

27/12/2011

sábado, 24 de outubro de 2020

Algoritmos

 Os algoritmos são trampolins magnéticos, que ofuscam na sombra os intentos por detrás da cortina.  

Pensem nisto. 

Namastê.


Homero de Vaz Pessoa

12/09/2018

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Jesus

 Jesus é Preto.

Ou melhor, foi. 

Aramaico Crioulo devia ser coisa para ter piada. 


”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse

26/01/2019

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Pensamentos e Conhecimento

 Pois é, há quem diga por aí perdido que o conhecimento consentido (ou será "com sentido"?) não tem sentido. 

Enfim, modernices. 

Pensem nisto. 

Namastê.



Homero de Vaz Pessoa 

20/08/2018

sábado, 10 de outubro de 2020

Pirilâmpadas

 Se de um pirilampo,

Doce lâmpada se enamorasse,

Cândidas faíscas pululariam, 

Pelos trampolins magnéticos da existência, 

Doce éter, no limbo

Cinza, terra e nada, 

Deleitariam Senhor,

na sua omnisciente omnipotência, 

Bosões de existência, Quarks de dúvida

Fruto do amor esse, resultaria uma,

Pirilâmpada. 

Pinhões. 


”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse

23/01/2019

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Lua Nova











Das marés distantes brota,

Uma fala e chama, que chama,

Grita e canta,
Ama, encanta..

Como a Lua.

E olhar a Lua hoje,
Não é mais o mesmo.

Encanta forte encanto,
Despedaçando na força do pranto,
Gigantes monstros,
De Aço e Betão Armados,
Sim! Brutos muros, fortes, muralhas,
No rasgo do desejo, ergue escadas,
Força suprema suprime,
Sentinelas incautos,
Fracos, magoados, cansados,
De antigas batalhas desgastados,
Na violência, resistência, sugados,
Sem já memória
Sentimentos sentidos, amados.

Como a Lua.

E olhar a Lua hoje,
Não é mais o mesmo...

De ruínas novo sítio fez,
Doce voz, agora sua vez,
Sem lógica, sem porquês,
É hora!

Mudou a fase,
Mudou a maré..
Como a Lua,
Aliás..

E olhar a Lua hoje,
Não é mais o mesmo.

Quero esse sorriso,
Que atravesse o grande azul molhado,
Rosto sardento encantado,
Um toque quente e seguro,
De mel e intenso, olhar,
Cheiro familiar,   
Doce murmúrio,
Ao ouvido, suspirar,
Lábios provar...

Inspira sonhos, visões,
intenções, inquietações,
miragens, promessas, canções...
Como a Lua, aliás..
E olhar a Lua hoje,
Não é mais o mesmo.

Sanidade insana,
Parvoíce doce,
Incauta, excêntrica, pulsante,
Cumplicidade estranha,
Conexão forte, instantânea,
Para quem um dia
Foi despojado desta magia profana.

É força.
É poder...

Como o da Lua, aliás...
E olhar a Lua hoje,
Não é mais o mesmo...

Espero a Lua...
Como espero agora pela maré.
Uma não o é sem a outra.
E a outra sem mar também não o é.
Espero agora sentido
Que a maré me traga a Lua,
E que a Lua me traga a maré.

Olhar a Lua de hoje em diante,
Não mais será o mesmo...

Espero assim Lua, aguardando ao luar,
Que venha! Meia,na sua simplicidade,
Pois quando de mim se abeirar,
Para ela tenho guardada,
A oferta da outra metade.

 

D.O.C.

08/07/2018

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Incompetência

 A incompetência dos dias manifesta-se na amorfidade das existências, na morosidade das Passagens, na mordacidade das incongruências. 

Pensem nisto. 

Namastê.


Homero de Vaz Pessoa 

26/07/2018

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Silêncio I

 Cala-te...


Silêncio!! 

Cala-te, já!


O Silêncio Pára.

O Silêncio Sofre.

O Silêncio Berra.

O Silêncio Pára.


O silêncio é feio.

O silêncio é pão.

O silêncio é água.

O silêncio é lindo.


O silêncio é o mais bonito que há;

O silêncio é ruído a menos,

Conteúdo a mais.


O silêncio é belo,

mas o silêncio pára,

é ele a inexplicável forma:

uma forma em forma de fórmula,

fórmula que algo acrescenta,

nem que seja algo mudo - pois,

em não silêncio hoje em dia

raramente se acrescenta algo

que mais válido seja

que próprio silêncio... 


E pára... 

Isso...

Em silêncio...

Pára...

em Silêncio...


Cala-te, 

Em silêncio.

Cala-te...

Silêncio...


Não precisas, nem precisas:

De nada mais precisas!

Que te cales...

Não preciso de te ouvir.

Porquê? 

Não sei. Sei que te deves calar.

De te ouvir eu não preciso,

Pois não preciso que mo digas:

o que quer que seja que me vás dizer,

sei pode ser dito em silêncio.

Para mim mais não és que isso:

Um barulho privado do silêncio,

És ruído. 

És distracção, ruído, descontextualização, barulho;

Irritante, mal e o errado,

Distraindo-me de tudo aquilo que a fala não cala. 


Não cala, nem fala

Não descala.

Tenta calar .

Pois a fala já hoje se descala, 

E assim na mesma sala 

Procuro aquele que fala 

Com arte, engenho mas não enfado 

Uma artéria jorrada, que não se deseja estancada,

Um sonho, uma visão mutilada, 

Pois todo aquele que não sabe uso dar à palavra 

Se procura a alma não esvair 

Por não manter a língua trancada.


Por isso cala-te.

Porque o silêncio pára

E saber estar calado é virtude:

Calar é saber, mas também,

Para calar é preciso saber.

Por isso cala-te.

Silêncio! 

Estar calado é mais que os outros saber.

Que mais não seja

É saber o que os outros ignoram:

A dimensão da nossa ignorância 


Por isso cala-te.

Já!!

Silêncio!! 

Não quero saber.

Não quero nem saber.

Não preciso de saber.

Continuo eu assim a conhecer muito mais; 

Continuo assim a saber muito mais;

Do que aquilo que tu me dirias

Acredito até que o que me confiarias seria errado,

Para mim o que não dizes é o que mais me importa.

Para mim aquilo que calas é que é relevante, sensato, pensado. 

Correcto...

Porque é dito em Silêncio...


Por isso cala-te. 

Silêncio. 

Já!  


D.O.C.

26/12/2011


terça-feira, 6 de outubro de 2020

Ode à Implantação do Orgulho Lusitano

 

Armem-se lá, Ó Cabrões Acintados

Que neste Monumental Puteiro Lusitano

Se exibem Rosários e terços mal Pregados

Bocas essas, vísceras gretas de porcos profanados

 

Nação Valente de cangalhos sadios

Heróis Sebosos, Cinzentos e Invejosos

Nobre povo faminto, sem céu nem plinto

Levantai hoje de novo os prazeres vazios

Em egos inflamados, pegajosos, jocosos

De soberba infecta essa, que crê o nosso ainda, o quinto!

 

Cantai por fim, hoje de novo

Ruínas e degredo de Portugal

Na voz deste pobre e mesquinho povo,

Com fome, mas de Iphone e enxoval!

 

Soletram hoje, tendências, mantras, rezas

Instruídas por quem move atrás dos panos

Assim bonitos se divertem os tolos

Bestas e trogloditas Lusitanos!

 

Gentes honradas e nada sinceras

Olham do alto, a plebe néscia e megera

Gáudio sombrio que o poder degenera

Às gentes ruins, pêgas Celtiberas!

 

E se a ti, meu sacripanta

A quem a sorte nem sorriu,

Mas este fado nada diz,

Marcha já sem cerimónia,

Troando, feliz o mantra:

Para a Puta que pariu!

 

05/10/2020

Júan João Bernardo -  O Cavaleiro de Pau do Apocalipse

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Fim de Estação

Continuando o meu caminho

Dou comigo no verão

Findado um inverno penoso

De tristeza e solidão

Não senti um meio termo

Equinócio nem o ver

Abracei a tempestade

E logo parou de chover

 

Foi só eu me resignar

Para a ferida querer sarar

Estar na fossa é uma merda

Sentes que o teu tempo está a acabar

Só que tu vais ver

é a vida a ensinar

aprende, esperta, abre o olho

é levantar e t’ándar!


D.O.C

26/06/2008