domingo, 1 de novembro de 2020

Ensaio sobre o EU

 Nas trevas de mim procuro

A essência que de mim me perco

Aquela que não excluo

Quando de mim não me convenço

 

Um futuro errante,

uma sátira passada

em mim eu sinto

inquieto

sentido escondido

o meu deserto...

só meu ...

 

Oiço o coração espaçado

Não entendo o que de mim não conheço

E aquilo que de mim conheço,

Não compreendo porque o não reconheço

 

O meu sentido

O meu eu

A mim apelo

Em mim eu espero

A mim desespero

Em mim, comigo, eu berro!  

 

Estou cansado

Estou cansado

Não quero viver

Não quero morrer

Não quero pensar

Não posso aqui estar

 

Não me consigo mexer

Não me quero mexer

Já não consigo correr,

Já não consigo saber,

Ganhar ou perder,

Eu já não sei ser!!

Já não preciso correr já nao consigo morrer...

Não quero viver

Não quero morrer

Quero sobreviver, desnascer e morrer

 

... quero gritar

Eu quero sentir

Eu quero subir

Eu quero pedir

Eu quero sentir

Eu preciso sentir

E não quero pedir

 

 

E no silêncio....

 

No silêncio das trevas ensurdecedoras

O medo pulsa, cego ao olhar de um grito surdo que não sabe ser

Que se cala em plenos pulmões

Desesperado em frente a uma esperança doentia e febril

Que me agarra  ...

 

Tanto a fazer, tanto para ganhar, para conquistar, avançar e vencer,tanto para rir, amar e perder... 

 

Será na ignomínia da morte que encontrarei o meu ser, o meu lar o meu vencer?

 

O Meu eu que nao fui e não sou, que procuro, odiando e amando

Desejando tudo aquilo que um dia poderia ser e não serei

Admiro-o, odiando-o

Quero-o, desprezando-o

Procuro a saída deste aterro inútil e maldito

Que me prende em mim

Que desprezo mas sem o qual não vivo

 

SAI! RUA! FORA! VOlTA! FICA!! VOLTA!!!

NÃO!


D.O.C.

03/03/2012

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