Na madrugada de silêncio
traçando sonhos pelo chão
observo um lugar vazio
junto a uma esquina
e paro...
Alguém, uma sombra
Nada a perder
Algo que não posso vencer
Jaz em mim um silêncio
louco e frio, doentio
encara um riso mudo
Um esgar de medo
beijo um todo, vazio e calmo
uma luz sombreada
algo súbito
um grito mudo
um instrumento cortante
uma melodia errante,
sem corpo, uma camisa adiante
Tudo o que quero,
o que penso, acredito
tudo o que tenho ou podia ter
Algo sombrio...
Calmo...
Uma brisa...
Um raio de sol... um arrepio
um sopro ardente
uma pedra de gelo ardente
e para lá do tecido excedente
vejo, por fim, quem tenho à minha frente.
A esperança eterna no silêncio
simboliza tudo aquilo em que não creio
Se não creio, nem vejo
O vale sombrio
Penso, logo vejo
No silêncio do tudo
eu perco o nada que nunca tive
na promessa do nada
tudo conquisto
e no renascer de um grito
que corta o falso silêncio de um destino insano
A mim as armas, a derradeira luta, do silêncio profano
Contra tudo aquilo que amo.
D.O.C.
27/12/2011
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