domingo, 25 de outubro de 2020

O Silêncio (II ensaio)

Na madrugada de silêncio 

traçando sonhos pelo chão 

observo um lugar vazio 

junto a uma esquina

e paro... 


Alguém, uma sombra

Nada a perder

Algo que não posso vencer

Jaz em mim um silêncio 

louco e frio, doentio 

encara um riso mudo


Um esgar de medo

beijo um todo, vazio e calmo

uma luz sombreada 

algo súbito 

um grito mudo 

um instrumento cortante

uma melodia errante, 

sem corpo, uma camisa adiante


Tudo o que quero,

o que penso, acredito

tudo o que tenho ou podia ter 


Algo sombrio...

Calmo...

Uma brisa... 

Um raio de sol... um arrepio

um sopro ardente 

uma pedra de gelo ardente

e para lá do tecido excedente 

vejo, por fim, quem tenho à minha frente.


A esperança eterna no silêncio

simboliza tudo aquilo em que não creio

Se não creio, nem vejo

O vale sombrio

Penso, logo vejo

No silêncio do tudo 

eu perco o nada que nunca tive

na promessa do nada

tudo conquisto 

e no renascer de um grito

que corta o falso silêncio de um destino insano

A mim as armas, a derradeira luta, do silêncio profano

Contra tudo aquilo que amo. 


D.O.C.

27/12/2011

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