Esse coração aí no chão
Sentado, esquecido
Sujo, puído
Foi um dia vigoroso,
Músculo activo,
Forte, pulsante
Marcante, apaixonado,
Apaixonante.
Sim,
Esse coração aí,
Sentado hoje,
Desprezado, invisível,
Instável, insensível,
Pálido chato,
Amarrotado, amargurado perdido.
Coração agora,
Não vê, não fala,
Não quer, não sente,
Não mais tem emoção.
Pedra agora se faz,
Por mão não ter mais
Que o agarre,
lhe dê mais préstimo.
Hoje não mais sente
Que dor…
Perdeu o seu par…
A sua gémea,
Sua forte ligação suprema
Eterna, visceral, etérea…
Tanta dor…
Brotam lágrimas rubras,
Um peito aberto, escalado,
Enlutado enegrecido
Pela negligência desprezo
Solidão.
Perda, vazio e nada…
Carência intimidante,
Inoportuna chaga,
Susto inconsciente, só.
Apenas.
Recordo hoje,
Antenhos louvores,
Saudosos fervores
Idos….
Assim como as cores…
Tudo o que resta…
São bolores…
Hoje, frio e só,
Feridas por sarar,
Pulsões por domar
Uma vida por agonizar…
D.O.C.
19/12/2019

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