segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Gritos

 Um rasgo na rua

bem alto um luar 

Não sei mais que fazer 

mas aqui não consigo ficar 


Avanço lentamente 

passo a passo

pareço recear

cada iniciativa uma incerteza

em cada investida sem destreza 


... Derrota 


Sozinho canto, grito 

bato a parede

um cerco febril 

monstro maciço,

que não cede nem  mexe

só,

implacável e fria

em mim basta para me bastar 


Sozinho canto.  E Berro!!!  


Quando em mim procuro um anjo 

as asas não consigo abrir

caio em mim

mas para quê voar tão alto 

se nem sequer se faz sentir


E ai de mim se paro agora 

de  mim que não deixa memória

vivência... inútil...

vã... 


Em mim revolta pura

A mim revolta pura 

paralisante incompetência

incompetência paralisante 


GRITO!!!! BERRO!!!!


Ao crepúsculo 

penso no que sou e não fui 

no que fui e não serei 


E a culpa de quem é

De quem a culpa,

e quem ma roubou... ? 


Inferno... 


ESTOIRO. 


e corro... 


Corro em frente

sempre em frente 

sempre assim 

não posso parar 

não posso cansar 

não posso parar 

não posso sentir 

não posso parar 

não posso parar 

NÃO POSSO PARAR!!! 


E escuro

junto ao mar

Não posso parar

não posso parar 

não posso parar

junto ao mar

não posso parar

sigo em frente

não posso parar

vou-me cansar

não posso parar 

sem pé

não posso parar 

EU VOU PARAR! 

vou voltar a sentir 

vou-me afogar

vou voltar a seguir

vou voltar a andar 

eu não posso parar 

não posso estancar

não posso pensar 

não posso sentir

não posso parar 


mas sinto...


  ... e penso... 


e não posso parar...


D.O.C.

16/12/2012


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