quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Silêncio I

 Cala-te...


Silêncio!! 

Cala-te, já!


O Silêncio Pára.

O Silêncio Sofre.

O Silêncio Berra.

O Silêncio Pára.


O silêncio é feio.

O silêncio é pão.

O silêncio é água.

O silêncio é lindo.


O silêncio é o mais bonito que há;

O silêncio é ruído a menos,

Conteúdo a mais.


O silêncio é belo,

mas o silêncio pára,

é ele a inexplicável forma:

uma forma em forma de fórmula,

fórmula que algo acrescenta,

nem que seja algo mudo - pois,

em não silêncio hoje em dia

raramente se acrescenta algo

que mais válido seja

que próprio silêncio... 


E pára... 

Isso...

Em silêncio...

Pára...

em Silêncio...


Cala-te, 

Em silêncio.

Cala-te...

Silêncio...


Não precisas, nem precisas:

De nada mais precisas!

Que te cales...

Não preciso de te ouvir.

Porquê? 

Não sei. Sei que te deves calar.

De te ouvir eu não preciso,

Pois não preciso que mo digas:

o que quer que seja que me vás dizer,

sei pode ser dito em silêncio.

Para mim mais não és que isso:

Um barulho privado do silêncio,

És ruído. 

És distracção, ruído, descontextualização, barulho;

Irritante, mal e o errado,

Distraindo-me de tudo aquilo que a fala não cala. 


Não cala, nem fala

Não descala.

Tenta calar .

Pois a fala já hoje se descala, 

E assim na mesma sala 

Procuro aquele que fala 

Com arte, engenho mas não enfado 

Uma artéria jorrada, que não se deseja estancada,

Um sonho, uma visão mutilada, 

Pois todo aquele que não sabe uso dar à palavra 

Se procura a alma não esvair 

Por não manter a língua trancada.


Por isso cala-te.

Porque o silêncio pára

E saber estar calado é virtude:

Calar é saber, mas também,

Para calar é preciso saber.

Por isso cala-te.

Silêncio! 

Estar calado é mais que os outros saber.

Que mais não seja

É saber o que os outros ignoram:

A dimensão da nossa ignorância 


Por isso cala-te.

Já!!

Silêncio!! 

Não quero saber.

Não quero nem saber.

Não preciso de saber.

Continuo eu assim a conhecer muito mais; 

Continuo assim a saber muito mais;

Do que aquilo que tu me dirias

Acredito até que o que me confiarias seria errado,

Para mim o que não dizes é o que mais me importa.

Para mim aquilo que calas é que é relevante, sensato, pensado. 

Correcto...

Porque é dito em Silêncio...


Por isso cala-te. 

Silêncio. 

Já!  


D.O.C.

26/12/2011


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