Clopin da Maia

 


«Clopin Maître Zeremonien da Maia - uma voz de forma indefinida, omnisciente e omnipresente, que observa.»

É assim que Clopin se nos apresenta e descreve em início de conversa; raramente sendo visto em público, prefere sempre que possível e procurando máxima discrição, fazer-se representar por avatares e figuras animadas; apenas quando não pode evitar de aparecer em público, opta por empreender em sofisticadas e criativas caracterizações, das quais não há registo de alguma vez ter repetido alguma das suas personagens.

Privilegia as suas intervenções sempre que possível com recurso ao texto ou à voz, o que tem por resultado, em mais de quarenta anos de carreira, não existir ninguém que se atreva a afirmar que alguma vez tenha estado efectivamente na presença do genuíno, ou sequer o vislumbrado, sem que este estivesse personagem ou caracterizado.

Sendo a aura misteriosa parte do encanto deste personagem, não há por isso qualquer pista ou indício sobre a sua idade ou real identidade, havendo mesmo quem acredite e defenda que este personagem é na verdade interpretado por mais do que uma pessoa.

Clopin gosta de definir o seu trabalho como “uma consciência ao serviço de terceiros, um espectador arrebatado pela realidade observada”; sendo que a omnisciência e omnipresença se reflectem na emoção de cada palavra que usa para ilustrar todas as histórias que apresenta ao público.

Pela sua natureza misteriosa, não é portanto de surpreender que muitas vezes os pormenores que, ocasionalmente por descuido ou propositadamente deixa escapar sobre o seu percurso, tornem por vezes contraditórios - mas nada disso é um problema, pois quando confrontado com esta nossa observação, presenteou-nos com a seguinte resposta «a diferença entre história e mito, verdade e mentira, é tão extrema como subtil, vive nas mentes de quem as percepciona, e o que seria do conceito de mentira, se nunca tivéssemos a verdade com que a julgar? Não será a mentira uma excelente história que, apenas alguém resolveu estragar com o conhecimento da verdade?»

Gosta de se descrever como um contador de histórias de tempos imemoriais, como os viajantes e saltimbancos de outras eras; arroga-se alma nómada cigana, menestrel-trocador, um lírico popular.

O certo é que não podemos deixar de destacar o sentimento em cada palavra, cada entoação, e a sabedoria empática como descreve as mais variadas emoções, pensamentos e estados de espírito das personalidades que acompanha e gosta de relatar.

Toda a organização deste blog se sentiu bastante satisfeita e lisonjeada por Clopin ter aceitado fazer parte deste nosso projecto, este pequeno Universo com pretensões líricas, que não podemos deixar de agradecer e apreciar. Quando o questionámos por telefone o que o levou a aceitar o nosso convite, respondeu-nos com um impetuoso: “-E porque não?”.

Intrigados mas radiantes pelo privilégio da sua colaboração, elaborámos este pequeno texto de apresentação biográfica- tanto quanto possível; que após a revisão do próprio resolvemos disponibilizar para consulta dos nossos leitores.

Apenas nos pediu para alterar o seguinte: onde antes teríamos concluído desejando boas leituras ao auditório que nos segue, pediu que se concluísse com a seguinte declaração:

“-Uma história sobre contador de Estórias, dificilmente faz História. 

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