Os sentimentos são parvos como as pipocas.
Até podem saltar. Más há sempre um(a) filho(a) da puta que os come, enquanto olha distraído(a) para um ecrã.
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do
Apocalipse
24/07/2018
Faces, fantasmas, frontispícios, pessoas, fuças, esqueletos, semblantes, sombras, efígies, máscaras, letras, aspectos, expressões.
Os sentimentos são parvos como as pipocas.
Até podem saltar. Más há sempre um(a) filho(a) da puta que os come, enquanto olha distraído(a) para um ecrã.
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do
Apocalipse
24/07/2018
Ao meu amigo, primo e colega Diniz Oliveira Campos:
“Esse coração aí no chão, sentado, esquecido, sujo e
puído, foi um dia já”,- e o é ainda, “vigoroso,
músculo activo, forte pulsante, marcante, apaixonante, apaixonado.”
Sim, esse “coração aí sentado hoje, desprezado e amarrotado, invisível instável, pálido e chato, amargurado e perdido. “
“Não vê, não fala, não quer, não mais sente.” Mentira – não mais quer sentir.
Forte demais para resistir. Tem juízo.
Procuras agora fazer desse destroço uma pedra?
O teu lirismo adolescente já começa a ir longe demais.
Hoje acreditas que nada mais sentes que não dor. Há muito que sentes que te falta um par. Há muito, entendamos nós, restantes mortais, que como tudo, é relativo, e se nada mais há de relativo que o tempo para cada um de nós, a mesma pessoa que é tão relaxada me relação a cumprir horários, porque sempre: “-temos tempo!...”- nunca tempo há suficiente que te permita desfrutar de qualquer um nos teus amores da vez.
Ora, não posso eu em consciência deixar de te fazer notar
que, ao contrário do que “o teu coração te ordena” (palavras tuas,
jamais utilizaria termos tão pirosos), não só um dia não é tempo que baste para
recuperar de uma assolapada paixão, como uma semana não é, de todo, imenso
tempo para que te martirizes por estares privado do regaço e prazeres da
companhia feminina.
Acredita, como bem sabes, além de ter consideravelmente
mais experiência de vida que tu, tenho também a experiência do meu casamento
falhado – não só não merece a pena deixares que desgostos amorosos te consumam,
como especialmente tu, que amanhã já amarás para a vida outra criatura que te
permita salivar sob os seus tenros contornos, é ainda mais absurdo que te
deixes levar por tão exagerados prantos e angústias.
Tantas lágrimas que gastas, por muito que abuses das
figuras de estilo, adjectivando-as de “(…) rubras fendas, enlutadas e
enegrecidas por negligências, desprezo e solidão (…)” privam-te em grande
parte de poderes canalizar as tuas forças para a produção da tua arte, aquilo
que, em última análise, te sustenta. Não posso deixar de te fazer notar que, de
forma objectiva, é uma contradição dos valores que dizes que defendes –
quereres viver exclusivamente da tua arte.
Essa “Carência intimidante” é inoportuna, em especial se
considerar que acabas por nos incomodar a todo com as tuas marés melodramáticas.
Já ninguém tem paciência para te aturar, e só mais ninguém to diz porque todos
os outros estão a tentar aproveitar esta época sacro-festiva para expiar os
seus pecados e comprar um lugar no céu.
Apesar de discordar em muito da tua abordagem, recordo que
até já conseguiste reconhecimento e louvores fervorosos da crítica e de alguns
admiradores. Ainda que eu defenda que isso te é permitido apenas pela baixa
educação do nosso país, não deixas de ter uma responsabilidade para com o eu
público e, em fundamental, continuar a trabalhar e a produzir valor, até porque
te recordo que todos nós assumimos um compromisso de trabalhar e cooperar no
desenvolvimento da nossa actividade. Se racionalizarmos a produção dos nossos
conteúdos com a lógica empresarial contemporânea, compreenderás que não é
admissível nem sustentável que esta situação se mantenha por muito tempo.
Insisto por isso que não alimentes da tua histeria
emocional, pois crê no que te digo, é do teu da psique que vem o material para
o teu trabalho, não do “coração” que, não obstante eu reconhecer todo mérito do
teu lirismo, estou convencido de que tens consciência de que é apenas um músculo
que nada tem a ver com essas tuas tontas e bacocas emoções.
Coração partido é estúpido.
Toma juízo puto.
Ps: preciso que me emprestes o microfone para a
terça-feira que vem.
Saudações Cordiais
Homero de Vaz Pessoa
21/12/2019
Esse coração aí no chão
Sentado, esquecido
Sujo, puído
Foi um dia vigoroso,
Músculo activo,
Forte, pulsante
Marcante, apaixonado,
Apaixonante.
Sim,
Esse coração aí,
Sentado hoje,
Desprezado, invisível,
Instável, insensível,
Pálido chato,
Amarrotado, amargurado perdido.
Coração agora,
Não vê, não fala,
Não quer, não sente,
Não mais tem emoção.
Pedra agora se faz,
Por mão não ter mais
Que o agarre,
lhe dê mais préstimo.
Hoje não mais sente
Que dor…
Perdeu o seu par…
A sua gémea,
Sua forte ligação suprema
Eterna, visceral, etérea…
Tanta dor…
Brotam lágrimas rubras,
Um peito aberto, escalado,
Enlutado enegrecido
Pela negligência desprezo
Solidão.
Perda, vazio e nada…
Carência intimidante,
Inoportuna chaga,
Susto inconsciente, só.
Apenas.
Recordo hoje,
Antenhos louvores,
Saudosos fervores
Idos….
Assim como as cores…
Tudo o que resta…
São bolores…
Hoje, frio e só,
Feridas por sarar,
Pulsões por domar
Uma vida por agonizar…
D.O.C.
19/12/2019
Onanismos intelectuais não, obrigado.
Concentrem-se na força e paz interior.
Energias fantasmas. Trampolins magnéticos pululando o éter quântico.
Caveiras de craveira.
Pensem nisto.
Namastê.
H.V.P.
11/03/2019
Imaginem.
Acreditem.
Só com calor sabe bem comer gelados com a testa.
Não tenho cavalos, nem sou americano, mas conheço o segredo da bomba atómica.
Passar bem.
Escrivaninhas.
”Júan” João Bernardo, o
Cavaleiro de Pau do Apocalipse
02/10/2019
Era Outubro de um ano muito comprido, ou assim parecia, e uma vez mais Diniz encontrava-se só.
O desgosto
fazia-se sentir nas entranhas, como se um rato o roesse por dentro.
A
humilhação rivalizava com o sentimento de perda. Um vazio apático e cinzento enchia-lhe
o espírito e o coração só por inércia se mantinha pulsante. Também não
conseguia chorar. Se era pela mesma inércia, ou se fruto do mesmo bloqueio que
tinha vindo recentemente a sentir, que o impedia de expressar outro sentimento
que não raiva em momentos como este, muito embora soubesse que se conseguisse
abrir essa comporta, à torrente se seguiria um alívio balsâmico. A natureza
deste bloqueio era mistério, pois certa humidade lhe acompanhava as órbitras ao
mais ínfimo vestígio de emoções um pouco mais complexas.
A sua
paixão de anos. Parecia finalmente tão, mas tão perto…. Tão certo. Não compreendia – teria de haver certamente
um qualquer gosto sádico do sexo feminino, uma conspiração em relação à sua
pessoa – não havia outra explicação para tantos desgostos e desilusões. Cada
vez mais acreditava andar a ter sido utilizado por todas as mulheres com quem
privara ao longo dos anos, como um penso de nicotina, algo descartável, que
supre temporariamente uma carência, imediatamente esquecido e trocado por
outro. Uma espécie de pousio para
mulheres carentes e necessitadas. Apesar de no início da sua idade adulta nunca
se ter preocupado muito com isso, entregando-se sempre livremente aos prazeres
do convívio feminino, o passar dos anos e muitos desgostos, resgataram ao seu
espírito todos os medos e inseguranças que a pós-adolescência, a custo, recalcara
e se esforçara por esconder. Agora, com aquele que reconhecia ser o maior golpe
emocional que já recebera, sentia-se no interior de um túnel muito escuro e
frio, à margem do mundo quente e solarengo, assim como das pessoas cinzentas e
sem rosto por quem passava: aquele seu grande amor, aquele vigoroso e imponente
dos que queimam os olhos à primeira vista e fazem o coração crescer além do
espaço que lhe é destinado, que torna possível a existência de uma infinidade
de borboletas no estômago e faz levitar – sim… aquele grande, grande amor, dos
quais são feitas as grandes tragédias - e também as comédias românticas na
verdade, - após um reencontro ardente, o final feliz de qualquer novela, o auge
da fantasia romântica e tremendista daquela alma incurável, esfumou-se de forma
abrupta e fria.
Tantos anos
haviam passado desde o seu último grande amor, e agora, mesmo no momento em que
se sentira de novo preparado a confiar o coração a uma nova eleita, que lho
guardasse e cuidasse, havia parecido predestinação que fosse logo aquela
criatura de cabelos áureos e olhos de oceano profundo, justamente a que lhe
provocara taquicardias desde o primeiro momento em que a vira, havia já tantos
anos.
Houve um “toca
e foge” cruel, com se aquela odiosa criatura tivesse reaparecido àquele triste
espectro de existência, só para lhe recordar que não era digno nem merecedor de
tal presença. A chaga que nunca tivera oportunidade de abrir por ausência de
acontecimento, teimava agora em não querer estancar.
E ele
sentava-se ali a olhar e a chorar. A sonhar e a acordar. Mais uma terça-feira no bairro.
Clopin da Maia
02/11/2020
Um rasgo na rua
bem alto um luar
Não sei mais que fazer
mas aqui não consigo ficar
Avanço lentamente
passo a passo
pareço recear
cada iniciativa uma incerteza
em cada investida sem destreza
... Derrota
Sozinho canto, grito
bato a parede
um cerco febril
monstro maciço,
que não cede nem mexe
só,
implacável e fria
em mim basta para me bastar
Sozinho canto. E Berro!!!
Quando em mim procuro um anjo
as asas não consigo abrir
caio em mim
mas para quê voar tão alto
se nem sequer se faz sentir
E ai de mim se paro agora
de mim que não deixa memória
vivência... inútil...
vã...
Em mim revolta pura
A mim revolta pura
paralisante incompetência
incompetência paralisante
GRITO!!!! BERRO!!!!
Ao crepúsculo
penso no que sou e não fui
no que fui e não serei
E a culpa de quem é
De quem a culpa,
e quem ma roubou... ?
Inferno...
ESTOIRO.
e corro...
Corro em frente
sempre em frente
sempre assim
não posso parar
não posso cansar
não posso parar
não posso sentir
não posso parar
não posso parar
NÃO POSSO PARAR!!!
E escuro
junto ao mar
Não posso parar
não posso parar
não posso parar
junto ao mar
não posso parar
sigo em frente
não posso parar
vou-me cansar
não posso parar
sem pé
não posso parar
EU VOU PARAR!
vou voltar a sentir
vou-me afogar
vou voltar a seguir
vou voltar a andar
eu não posso parar
não posso estancar
não posso pensar
não posso sentir
não posso parar
mas sinto...
... e penso...
e não posso parar...
D.O.C.
16/12/2012
Nas trevas de mim procuro
A essência que de mim me perco
Aquela que não excluo
Quando de mim não me convenço
Um futuro errante,
uma sátira passada
em mim eu sinto
inquieto
sentido escondido
o meu deserto...
só meu ...
Oiço o coração espaçado
Não entendo o que de mim não conheço
E aquilo que de mim conheço,
Não compreendo porque o não reconheço
O meu sentido
O meu eu
A mim apelo
Em mim eu espero
A mim desespero
Em mim, comigo, eu berro!
Estou cansado
Estou cansado
Não quero viver
Não quero morrer
Não quero pensar
Não posso aqui estar
Não me consigo mexer
Não me quero mexer
Já não consigo correr,
Já não consigo saber,
Ganhar ou perder,
Eu já não sei ser!!
Já não preciso correr já nao consigo morrer...
Não quero viver
Não quero morrer
Quero sobreviver, desnascer e morrer
... quero gritar
Eu quero sentir
Eu quero subir
Eu quero pedir
Eu quero sentir
Eu preciso sentir
E não quero pedir
E no silêncio....
No silêncio das trevas ensurdecedoras
O medo pulsa, cego ao olhar de um grito surdo que não
sabe ser
Que se cala em plenos pulmões
Desesperado em frente a uma esperança doentia e febril
Que me agarra ...
Tanto a fazer, tanto para ganhar, para conquistar,
avançar e vencer,tanto para rir, amar e perder...
Será na ignomínia da morte que encontrarei o meu ser, o
meu lar o meu vencer?
O Meu eu que nao fui e não sou, que procuro, odiando e
amando
Desejando tudo aquilo que um dia poderia ser e não serei
Admiro-o, odiando-o
Quero-o, desprezando-o
Procuro a saída deste aterro inútil e maldito
Que me prende em mim
Que desprezo mas sem o qual não vivo
SAI! RUA! FORA! VOlTA! FICA!! VOLTA!!!
NÃO!
D.O.C.
03/03/2012
Dourar a pílula é inútil,
Remar contra, é fútil,
Mimar é masoquismo,
Falar é já obsceno
Solução?
Lá fui eu, pensando (incrível, hein?)
Sistematizei a conclusão:
Comunhão, Tosca,
Grosseiro.
Imbecilidade, Boçalidade.
Sim.
Boçalidades, grotescas,
Barulhentas.
Gargalhadas rudes,
Deselegantes
Como chuva em Abril:
Ligeireza, confronto,
Esse gelo que me cobriu,
Vergastada na batuta,
Estupidez, má vontade,
Que pariu essa…
Dizia eu,
Asneiras, disparates,
Deficiências, incongruências,
Más decências, mal dissentes,
Retaguardas frondosas, vistosas,
Cachaços quentes.
Despeitos secos,
Vozes roucas,
Pétalas roxas…
Hmm…
Alicates.
Agudos, fracos,
Graves,
Gravíssimos, azedos!
“Si”’s menores sem Mi.
(Adivinhem só):
As oitavas majestosas,
Não descem pedestais,
Quebra-se o verniz, o cristal,
Rude atitude, sem sal.
Mas sapiência de papel,
Mais não que o é,
Ou notas elegantes de aluguer!
(perdoem acossado engano,
Mas rimar Papel com Papel,
Parece verso na hora de extrema-unção!)
Camarinhas.
Maravilhas colegiais,
Sorrisos dentais,
Como os fios,
Cabrestos ácidos,
Espinhos traiçoeiros.
Educações engraçadas,
Escondem porcelanas de pardieiro.
Assim era, a princesa do seu cantoneiro!
“-Nossa, mas que grosseiro!”
Assim é minha gente,
Este imbecil que daqui vos fala,
Tolo, guloso, pândego, ignaro:
Palavra de escuteiro:
Para mesquinharias tenho Faro!
Tão longe do Porto,
Que na Busca, pela verdade astuta
Que cada palpitação,
Dessa cruel e supramencionada batuta,
Sofre o seu aborto,
Falhada a existência!
Redunda em frieza, crueldade, mesquinhez:
Chamas gélidas,
Cheiram montanhas verdejantes…
Actos falhados,
Penetrações defraudadas,
Gemidos lesados,
Toques gelados,
Arrepios burlados,
Sentimentos… Espoliados!
Orgasmos frustrados.
Rasgos rapinos,
Vazios, enganados.
São sorrisos falsos,
Argamassas sobre glíter e purpurina,
Cremes e/ou after shave,
Dentinhos vampíricos espreitando os egos
Essas finas flor-do-entulho,
Que esmagam as crendices bacocas
Simpáticas e inocentes
Na graça humana.
Ahh... Sabores do vento!
Como as máscaras de Nietzsche,
Escondem gatos de Schrödinger,
Resignam intenções
Denunciadas por pantomima.
Balizas.
Ancas coxas vazias.
Olhares vazios, discursos frios...
Hipotéticas diversões.
Carrossel.
A gulodice, essa,
Luxúria da carne a haver,
Fica temperada em vinha,
Não de alhos, já se vê,
Lacrada como um repolho, astuto
Mas solitário.
Esconde-se sobre as camadas da cebola.
Já se vê – Maus fígados.
Despeitados em futuros já passados
Ilusões!
Que deixa os demais num assado!
Há definitivamente,
Inércias demasiado activas,
Que magoam na sua inexistência barulhenta.
Ilusões…
É destes pratos suculentos que se fazem as dietas.
Ah… Lugares comuns…
Doces clichés,
Tanto me agraciam as vísceras.
Pobre Andy, caro Michael,
Amigo Elton, camarada Mick
A quanto me obrigam!
Queria tanto ser um Manet
De aura Miró,
Fizeram de mim um Rubens
Com as maneiras de um Taveira.
Real como todas as histórias de amor,
Mesmo as que não existem:
Terminam em morte ou separação.
Visão enternecedora do inferno.
Digestão pesada.
E se tu, sim, tu,
Que isto lês,
Em nada disto te revês,
Mas questionas a cognição alheia,
Natureza desta ranhosa epístola mal formada,
E até recordas:
“-Este gajo não disse que sintetizou a conclusão?”
Bem... não, não
disse!
E é chato, asqueroso,
E insuportável da tua parte,
Em nada te valoriza essa tua atitude.
Disse que sistematizei.
Por tópicos assim ficou,
Saiu isto. Assim deixei.
Caracacá. Versos, rimas de.
Borracha.
Dormi sobre a questão
Rentabilizei o sermão.
Mirei uma opção
Falei com alguém,
Soltei uma gargalhada
Lavei as minhas mãos
Sinto agora que posso dizer:
“-Não basta carregar [ENTER],
Mudar de linha,
Para fazer de,
Um amontoado de texto
E Léxicos desordenados,
Fonemas desgraçados
Parvos, Sem sentido,
Um Poema.”
Ahh.. abatanados!
Easter Eggs
”Júan” João Bernardo, o
Cavaleiro de Pau do Apocalipse
14/12/2018
Acredita-se que na modernidade, a humanidade se confronta com dois problemas típicos da civilidade, moralidade e urbanidade: um é o excesso de saúde amorfa e decadente, já a caridade por curiosidade, angústia, conformidade e inércia e incapacidade. Ah, e humidade.
Esteiros de alecrim.
Pensem nisto.
Namastê.
H.V.P.
10/11/2018
Na madrugada de silêncio
traçando sonhos pelo chão
observo um lugar vazio
junto a uma esquina
e paro...
Alguém, uma sombra
Nada a perder
Algo que não posso vencer
Jaz em mim um silêncio
louco e frio, doentio
encara um riso mudo
Um esgar de medo
beijo um todo, vazio e calmo
uma luz sombreada
algo súbito
um grito mudo
um instrumento cortante
uma melodia errante,
sem corpo, uma camisa adiante
Tudo o que quero,
o que penso, acredito
tudo o que tenho ou podia ter
Algo sombrio...
Calmo...
Uma brisa...
Um raio de sol... um arrepio
um sopro ardente
uma pedra de gelo ardente
e para lá do tecido excedente
vejo, por fim, quem tenho à minha frente.
A esperança eterna no silêncio
simboliza tudo aquilo em que não creio
Se não creio, nem vejo
O vale sombrio
Penso, logo vejo
No silêncio do tudo
eu perco o nada que nunca tive
na promessa do nada
tudo conquisto
e no renascer de um grito
que corta o falso silêncio de um destino insano
A mim as armas, a derradeira luta, do silêncio profano
Contra tudo aquilo que amo.
D.O.C.
27/12/2011
Os algoritmos são trampolins magnéticos, que ofuscam na sombra os intentos por detrás da cortina.
Pensem nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
12/09/2018
Jesus é Preto.
Ou melhor, foi.
Aramaico Crioulo devia ser coisa para ter piada.
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do
Apocalipse
26/01/2019
Pois é, há quem diga por aí perdido que o conhecimento consentido (ou será "com sentido"?) não tem sentido.
Enfim, modernices.
Pensem nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
20/08/2018
Se de um pirilampo,
Doce lâmpada se enamorasse,
Cândidas faíscas pululariam,
Pelos trampolins magnéticos da existência,
Doce éter, no limbo
Cinza, terra e nada,
Deleitariam Senhor,
na sua omnisciente omnipotência,
Bosões de existência, Quarks de dúvida
Fruto do amor esse, resultaria uma,
Pirilâmpada.
Pinhões.
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do
Apocalipse
23/01/2019
Das marés distantes brota,
Uma fala e chama, que chama,
Grita e canta,
Ama, encanta..
Como a Lua.
E olhar a Lua hoje,
Não é mais o mesmo.
Encanta forte encanto,
Despedaçando na força do pranto,
Gigantes monstros,
De Aço e Betão Armados,
Sim! Brutos muros, fortes, muralhas,
No rasgo do desejo, ergue escadas,
Força suprema suprime,
Sentinelas incautos,
Fracos, magoados, cansados,
De antigas batalhas desgastados,
Na violência, resistência, sugados,
Sem já memória
Sentimentos sentidos, amados.
Como a Lua.
E olhar a Lua hoje,
Não é mais o mesmo...
De ruínas novo sítio fez,
Doce voz, agora sua vez,
Sem lógica, sem porquês,
É hora!
Mudou a fase,
Mudou a maré..
Como a Lua,
Aliás..
E olhar a Lua hoje,
Não é mais o mesmo.
Quero esse sorriso,
Que atravesse o grande azul molhado,
Rosto sardento encantado,
Um toque quente e seguro,
De mel e intenso, olhar,
Cheiro familiar,
Doce murmúrio,
Ao ouvido, suspirar,
Lábios provar...
Inspira sonhos, visões,
intenções, inquietações,
miragens, promessas, canções...
Como a Lua, aliás..
E olhar a Lua hoje,
Não é mais o mesmo.
Sanidade insana,
Parvoíce doce,
Incauta, excêntrica, pulsante,
Cumplicidade estranha,
Conexão forte, instantânea,
Para quem um dia
Foi despojado desta magia profana.
É força.
É poder...
Como o da Lua, aliás...
E olhar a Lua hoje,
Não é mais o mesmo...
Espero a Lua...
Como espero agora pela maré.
Uma não o é sem a outra.
E a outra sem mar também não o é.
Espero agora sentido
Que a maré me traga a Lua,
E que a Lua me traga a maré.
Olhar a Lua de hoje em diante,
Não mais será o mesmo...
Espero assim Lua, aguardando ao luar,
Que venha! Meia,na sua simplicidade,
Pois quando de mim se abeirar,
Para ela tenho guardada,
A oferta da outra metade.
D.O.C.
08/07/2018
A incompetência dos dias manifesta-se na amorfidade das existências, na morosidade das Passagens, na mordacidade das incongruências.
Pensem nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
26/07/2018
Cala-te...
Silêncio!!
Cala-te, já!
O Silêncio Pára.
O Silêncio Sofre.
O Silêncio Berra.
O Silêncio Pára.
O silêncio é feio.
O silêncio é pão.
O silêncio é água.
O silêncio é lindo.
O silêncio é o mais bonito que há;
O silêncio é ruído a menos,
Conteúdo a mais.
O silêncio é belo,
mas o silêncio pára,
é ele a inexplicável forma:
uma forma em forma de fórmula,
fórmula que algo acrescenta,
nem que seja algo mudo - pois,
em não silêncio hoje em dia
raramente se acrescenta algo
que mais válido seja
que próprio silêncio...
E pára...
Isso...
Em silêncio...
Pára...
em Silêncio...
Cala-te,
Em silêncio.
Cala-te...
Silêncio...
Não precisas, nem precisas:
De nada mais precisas!
Que te cales...
Não preciso de te ouvir.
Porquê?
Não sei. Sei que te deves calar.
De te ouvir eu não preciso,
Pois não preciso que mo digas:
o que quer que seja que me vás dizer,
sei pode ser dito em silêncio.
Para mim mais não és que isso:
Um barulho privado do silêncio,
És ruído.
És distracção, ruído, descontextualização, barulho;
Irritante, mal e o errado,
Distraindo-me de tudo aquilo que a fala não cala.
Não cala, nem fala
Não descala.
Tenta calar .
Pois a fala já hoje se descala,
E assim na mesma sala
Procuro aquele que fala
Com arte, engenho mas não enfado
Uma artéria jorrada, que não se deseja estancada,
Um sonho, uma visão mutilada,
Pois todo aquele que não sabe uso dar à palavra
Se procura a alma não esvair
Por não manter a língua trancada.
Por isso cala-te.
Porque o silêncio pára
E saber estar calado é virtude:
Calar é saber, mas também,
Para calar é preciso saber.
Por isso cala-te.
Silêncio!
Estar calado é mais que os outros saber.
Que mais não seja
É saber o que os outros ignoram:
A dimensão da nossa ignorância
Por isso cala-te.
Já!!
Silêncio!!
Não quero saber.
Não quero nem saber.
Não preciso de saber.
Continuo eu assim a conhecer muito mais;
Continuo assim a saber muito mais;
Do que aquilo que tu me dirias
Acredito até que o que me confiarias seria errado,
Para mim o que não dizes é o que mais me importa.
Para mim aquilo que calas é que é relevante, sensato, pensado.
Correcto...
Porque é dito em Silêncio...
Por isso cala-te.
Silêncio.
Já!
D.O.C.
26/12/2011
Armem-se lá, Ó Cabrões Acintados
Que neste Monumental Puteiro Lusitano
Se exibem Rosários e terços mal Pregados
Bocas essas, vísceras gretas de porcos profanados
Nação Valente de cangalhos sadios
Heróis Sebosos, Cinzentos e Invejosos
Nobre povo faminto, sem céu nem plinto
Levantai hoje de novo os prazeres vazios
Em egos inflamados, pegajosos, jocosos
De soberba infecta essa, que crê o nosso ainda, o quinto!
Cantai por fim, hoje de novo
Ruínas e degredo de Portugal
Na voz deste pobre e mesquinho povo,
Com fome, mas de Iphone e enxoval!
Soletram hoje, tendências, mantras, rezas
Instruídas por quem move atrás dos panos
Assim bonitos se divertem os tolos
Bestas e trogloditas Lusitanos!
Gentes honradas e nada sinceras
Olham do alto, a plebe néscia e megera
Gáudio sombrio que o poder degenera
Às gentes ruins, pêgas Celtiberas!
E se a ti, meu sacripanta
A quem a sorte nem sorriu,
Mas este fado nada diz,
Marcha já sem cerimónia,
Troando, feliz o mantra:
Para a Puta que pariu!
Continuando o meu caminho
Dou comigo no verão
Findado um inverno penoso
De tristeza e solidão
Não senti um meio termo
Equinócio nem o ver
Abracei a tempestade
E logo parou de chover
Foi só eu me resignar
Para a ferida querer sarar
Estar na fossa é uma merda
Sentes que o teu tempo está a acabar
Só que tu vais ver
é a vida a ensinar
aprende, esperta, abre o olho
é levantar e t’ándar!
D.O.C
26/06/2008