Cabeças florindo em cubos de rubik. São lembranças de futuros inertes. Atenção às portas, a canção.
Homero de Vaz Pessoa
15/10/2019
Faces, fantasmas, frontispícios, pessoas, fuças, esqueletos, semblantes, sombras, efígies, máscaras, letras, aspectos, expressões.
Cabeças florindo em cubos de rubik. São lembranças de futuros inertes. Atenção às portas, a canção.
Homero de Vaz Pessoa
15/10/2019
Inocência Pura
Sala escura
Um grito no ar
Procuro a saída
O aterro da vida
Onde eu não me posso deixar
Andando em volta
Lentamente
Começo a sufocar
Sozinho desespero
À espera de me salvar
E a porta é ali
E a luz vem dali
Toda a vida esta espera
De ganhar, aprender a crescer
Tentativas vãs e fúteis
Sem as quais não consigo viver
E a saída é ali
E a luz vem daqui
Na vastidão do tempo
Da imensidão do nada
Sinto em mim um desespero
Carência de alvorada
ALVORADA!!!
E do vazio da existência
Arranho um grito
que mais ninguém quer ouvir
Mas um dia faço a mala
Sigo em frente sem me despedir
E ao passar daquela porta
Não sei bem o que sentir
Inocência Pura
Sala escura
Um grito no ar
Procuro a saída
O aterro da vida
Em que nao me posso deixar
E a porta é ali
E a luz vem dali
E a saída é ali
E a luz vem daqui!
D.O.C.
03/03/2012
Canto às abelhas,
Paixões que não tive,
Declamo às baratas,
As frustrações vividas,
Às moscas grito,
Tristezas sofridas,
Mas às melgas,
Queixo das despesas já tidas,
Ambições essas,
Segredo-as às formigas,
Laboriosas camaradas,
Cegas, fortes, eficazes,
De algo bem maior que Elsas,
São capazes,
Os desgostos esses,
Recito-os às Cigarras,
Enquanto as fumo
Em néons de plasma,
Electromagnéticos, pululantes,
Espectros existenciais,
Vozes celestiais.
Penso:
"-Mas se falo com bichos,
Quem a sério me levará?"
Peço uma empreitada,
De auto-conhecimento,
Mas estou embargado,
Sem alvará...
Pior é, que os bichos
Esses, me respondem sabiamente:
"-Vive, existe, sente alegremente,
Não precisamos da resposta às perguntas:
-"E se...?" e "Porquê?" "
Assim concluo...
Talvez se tenha abusado do LSD.
Pensem nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
01/08/2018
Mulher
Perfeita.
Tão perfeita como a imperfeição se quer,
Ser único, autêntico... Única...
Personalidade ternamente implacável,
Libertou em mim,
Em toda a sua fúria graciosa,
Tempestade serena, que És,
Furtiva, presente,
Uma paixão que não se agarra
Mas se sente.
És o Vento.
Sinto-te mas não te posso agarrar.
Acalmas-me e abalas-me,
Combalido, não te consigo antecipar.
Oiço-te, mas não te vejo,
Fecho a mão, mas nada,
Vazio.
Não te posso agarrar.
És o Vento que tudo fustiga.
Que que era, mas já não o é,
Depois de ti...
Sem ti...
E Mar... Vejo-o agora claramente também...
És Mar uno com o Vento...
Transparente mas poderoso.
Poderosa.
Esmagarias gigantes... Com a força desse mar,
Se esse capricho assim te assaltasse a vontade,
Mas não... Vais, e vens, e vais...
E vais...
A maré mudou.
Essa força demolidora que vive em ti é Soberana.
Falou.
Tu és Força, Energia, Vida e Ser.
Jamais conseguiria eu fazer justiça
Tentando conter ou descrever
Em apenas palavras,
Nunca!
Por mais anos que eu o fizesse
Independentemente dos anos
Que pudesse vir a Viver...
E foi essa existência Tua,
Que me esmagou desde o primeiro momento.
Fascínio e espanto,
Esta obsessão doentia,
Apaixonada que não quer largar,
De uma forma estúpida, infantil,
Incoerente, inocente mas despropositada...
Mas Fútil... Inconsequente...
Não encontra mais palavras para se exprimir,
E sobretudo, para se fazer Crer...
Crer no Querer...
E lembro.
Lábios doces de provar...
Amor que desconcentra e desnorteia os sentidos...
Estremece-me e envolve as vísceras em espasmos palpitantes...
Cabelos... Deleitosas cortinas de aromas, sensações e emoções...
Iludem os sentidos...
Perco os sentidos...
Perco o pé...
Mas hoje choro.
Hoje já foi.
Não fui merecedor desta criatura que,
Por mais que tente,
Não acho forma, palavras,
Para descrever e lhe fazer Justiça...
Toda a fúria do que não fui, mas tu foste,
Toda a Culpa daquilo que sinto,
Mas que Sinto que deixei de o provar,
Das provas que tu me deste e do que tu sentes...
E eu não dei...
Esmaga-me o peito...
Estrangula-me a alma
Agoniza-me a existência,
Por cada vez mais, menos merecedor me sentir de ti...
Do teu amor...
Sei que não deixarei eu de te amar...
Com isto vou ter de viver...
Amo-te... E mais não é possível dizer,
Pois por mais que a mulher que eu amo,
Para sempre, para mim
Nunca deixarás de ser...
A Mulher.
D.O.C.
08/03/2017
O céu já clareia
Sacola e
guitarra
Nova
jornada
Nova
viagem
E o sol
pinta já o céu
Tons
dourados, magentas
Vejo
pessoas cinzentas
Desfocadas,
sem nexo
Sem
classe, sem sexo
Devolvem-me
o olhar vítreo
Que vê
muito além
Embalados
na trepidação estão,
Na carreira
sem estação
Quero o sol, quero a lua
Correr essa rua
Pisar essa terra crua
E tanto por fazer
Quero viver
Salpica o sol na face
De manchas ígneas, quentes e belas
Que nem assim aquecem
O fundo, profundo,
Uma alma que não consegue,
Não pode, ou não merece
Receber o seu calor
Fria imagem, fria margem,
Entre duas pelas quais corro
Procuro respostas para perguntas que nem existem
Ou talvez nem devessem existir...
O calor desta viagem procura,
Disfarçar a ausência daquele que não
existe
Acalmar o frio surdo,
Angustiante, cortante, constante
Sonho errante, expectante:
A próxima paragem...
essas paragens...
Apeadeiros desertos, vazios, inúteis
Escondem razões fúteis
Mas que são esmagadas
Por um propósito incerto, absurdo, condenado,
Daquela que é afinal
A grande viagem:
A última paragem
Procuro o sol, procuro a lua
Quero só sair à rua
Caminhar nessa terra crua
Sem saber, pensar, temer, sentir
Correr num dia quente assim
Sentir O Caminho A Correr Para Mim
D.O.C.
03/09/2013
O desprezo pelas existências medíocres, é bálsamo sagrado, éter providencial.
Imaginai gentes feias, odiosas, maquiavélicas, porcas, ignorantes, buçais, néscios de plateia, inertes almas amorfas que só pensam em ócios imediatos, palavras ocas, significados e significandos frívolos e profanos.
Hipocondria espiritual.
Agora olhai o espelho. Não são assim tão diferentes, pois não?
Pensem nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
05/07/2019
Arde o fogo com vontade
sedento fôlego e poder
dançam chamas florindo,
Queimando, rindo,
Fogo esse já um dia
me ia destruindo
Revolta um passado
nunca esquecido
Essas lembranças
Doces esperanças
Memórias para quem nunca fui
Acolho gozo esse sonho
Esqueço pisar esse chão
Não quero mais amar esquecido na solidão
Quero este sonho
Dá-me a tua mão!
lembrado, passado,
assumido, e ferido...
Fantasmas não queridos
rostos perdidos,
Almas escondidas,
Olhares fingidos
Feições amargas
Doces palavras
nada guardam
que não dor
E essa mágoa delirante
Canta à memória que um dia privou
Afasto esse desejo perdido
Esquecido, mas que o tempo não apagou
Despreza-me, deixa-me sonhar
confesso assim
Como que em oração
Quero para mim
esse perdido coração
Essa sensação
Doces palavras
feições amargas
nada guardam
que não dor
Recordo agora estas palavras
Já do meu vocabulário esquecidas
Por anos e febres adormecidas
Quase delas me esquecia
A ti agradeço por, mas recordares
Mas agora a ti também as vou gritar
Confesso por fim
Em prosa nua
Eu quero! E quero mais!
E quero gritá-lo no meio da rua!
No meio da Rua / Eu quero
Doces palavras
feições amargas
nada guardam
que não dor
Doces palavras
feições amargas
nada guardam
que não dor
Eu quero!
D.O.C.
12/10/2013
com base no poema "Chama de Gelo", 12/09/2012
Escusam de publicar fotos das vossas criancinhas mascaradas, cheios de esperança. Continuam horrorosas à mesma.
Fizeram mesmo um péssimo serviço como pais.
Pensem nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
01/03/2019
PS: três anos depois não mudo uma vírgula.
H.V.P.
Um rasgo na rua
Bem alto ao luar
Não sei mais que fazer
Mas aqui não consigo ficar
Avanço lentamente
Passo a passo
Pareço recuar
Cada partida uma incerteza
Em cada avanço uma derrota
Sozinho canto e grito
Bato em força na parede
Na parede que não mexe, só implacável e fria
Que em mim basta para me bastar
Sozinho canto e berro
Quando em minha frente um anjo
Sem ter asas por abrir
Mas para que voar tão alto
Se daqui não se faz sentir
No final já ao crepúsculo
Lembro o que sou e não fui
De quem é a culpa, e quem ma roubou
Para o inferno sozinho eu vou
Em mim revolta pura
Paralisante incompetência
Ai de mim se paro agora
De mim não deixo vivência
Um rasgo no meio da rua
Aqui bem alto ao luar
Não sei mais que fazer
Mas aqui não consigo ficar
D.O.C
03/03/2012
Quando te sentes
traído, magoado e usado.. que nome lhe dás tu?
Uma ofuscante luz,
que te trai a ti mesmo, porque é uma luz negra.. o pensas tu?
Sabes que a vida é
madrasta, e que os sonhos disso não passam.. que sentes tu?
Tens aqueles
breves instantes de sonho acordado, que lhes chamas tu?
Quando acordas,
era um pesadelo, nada comparado ao de agora.. e o que dizes tu?
Ahhh.. puta de
vida...
que é sempre a
perder, e não queremos querer
Dás-nos com uma
mão e roubas com as duas para nos fazer sofrer
Ahhh.. puta de
Vida..
O que me faz
andar, é eu acreditar, no que quero fazer
Ahhh.. puta de
Vida..
O que me faz
avançar, é eu acreditar no que quero ser
Quando sentes que
a tua vida acabou, o que pensas tu?
Se sentes que
contra ti Céu e a Terra. O que sentes tu?
Quando
Desesperado, não sabes que fazer à vida, o que pensas tu?
Se estás no fundo,
e já só te resta subir, erques a cabeça e o que dizes tu?
Ahhh.. puta de
vida...
que é sempre a
perder, e não queremos querer
Dás-nos com uma mão
e roubas com as duas para nos fazer sofrer
Ahhh.. puta de
Vida..
O que me faz
andar, é eu acreditar, no que quero fazer
Ahhh.. puta de
Vida..
O que me faz
avançar, é eu acreditar no que quero ser
Continua a andar,
mesmo devagarinho
Mas já sabes, nesta
marcha
Conta estar sempre
sozinho
Quando sentes que
a tua vida acabou, o que pensas tu?
Se sentes que
contra ti Céu e a Terra. O que sentes tu?
Quando
Desesperado, não sabes que fazer à vida, o que pensas tu?
Se estás no fundo,
e já só te resta subir, erques a cabeça e o que gritas tu?
Ahhh.. puta de
vida...
que é sempre a
perder, e não queremos querer
Dás-nos com uma
mão e roubas com as duas para nos fazer sofrer
Ahhh.. puta de
Vida..
O que me faz
andar, é eu acreditar, no que quero fazer
Ahhh.. puta de
Vida..
O que me faz
avançar, é eu acreditar no que quero ser
D.O.C.
04/07/2008
Por aí existe um lugar
Onde gostava de estar
E aí ouvi dizer
Feliz eu consigo ser
Não consigo lá chegar
Perdi-me sem encontrar
Nesta ansia de viver
Estou cativo sem saber
Eu não quero cá ficar
Parto em busca dessa fé
De forças para lutar
Num cruel jogo de azar
Quero poder acreditar
Para poder Sonhar
E se um dia encontrar
O sonho, esse lugar
Então eu enho-te então buscar
E vens comigo sonhar
D.O.C.
25/10/2013
Vou subindo essas ruas
Há um mundo inteiro a conquistar
Na esplanada o pessoal
As calcinhas foleiras
O Cabelo à mete nojo
E nem sequer estamos
no
Arrogante
Escarro o chão
Mas o papel é no papelão
Tropeço nessas
velhas
Que enfeitam as calçadas
Lusitanas, esburacadas
Orgulho imortal
Vejo o mendigo
Viro a cara
As criancinhas à pedrada
À tareia à cabeçada
Olha aquela desdentada
Foi passar a noite à esquadra
O sôr agente já sem paca
Ela cobrou-lhe à dentada
Mais à frente e no meio da Rua
Um Mundo inteiro para salvar
Dinheiro eu cá não tenho
Mas não faltando o engenho
Eu cá arranjo onde estacionar
Ser o dono da Nação
governar em negação
e cantando esta canção
não deito papeis no chão
e a minha grande ambição
Entrar na congregação
Acabar com a guerra e a fome no mundo
Integrar a solução
Salvem as Baleias!
Quero Ser a Solução
Quero-vos estender a mão
Quero Ser a solução
Mesmo sem ter noção
Jogar ao aperta a mão
Do Português ao Alemão
A América ao Japão
Faço parte da Solução
Nego tudo!
Calúnias!!
Cabalas contra mim!!
Tenho a consciência tranquila,
Antes de mais sou um cidadão
exemplar!
Vou descendo essa avenida
Há tanta gente como eu
Camisinha mãos nos bolsos
Há que ganhar vida que Deus nos deu! (MUAHAHAHA!!!)
Quero Ser a Solução
Quero-vos estender a mão
Mesmo sem ter noção
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse
16/05/2013
Auto-estrada de asfalto
Corro num salto
E penso voar
Asas eu não tenho
E faltando o empenho
Vou ter de nadar
Aquele mar cinzento
E água bolorenta
Faz-me bracejar
Afogado ainda nem a meio
Um barco de permeio
Para que possa remar
E esse ar sombrio
Húmido e frio
Já só quero ficar
Tu caminha nessa ponte
Que o sol voltará a brilhar
E se seguires o trilho à fonte
Então a razão te assaltará
Pois então ergue-te nessa ponte
Vem, atravessa-a e sobe o monte
Sim, constrói lá essa ponte
Vem e conquista esse monte
D.O.C.
07/08/2013
No trilho nocturno
Raios rapinos
Sufocante massa
Rumo ao destino
Caminhos escuros
Terra abatida
Onde buscas
As tuas saídas
Continuar
Nada a temer
Quem se ficar
Sai a perder
Bestas de pedra
Lobos famintos
Travas a guerra
Que te ilude os sentidos
Ventos possantes
Roncos Agrestes
Iras cortantes
Ensopam-te as vestes
Há-que lutar
Pode doer
Mas tens que aguentar
Não te deixes vencer
Diniz Oliveira Campos
15/10/2008
As páginas escritas com virtuosidades alheias, mais não são que incongruências da nossa alma, molestada pelo sucesso de terceiros.
Declaro aberta a época da caça às cegonhas.
Pipocas.
Pensem nisto.
Namastê.
H.V.P.
17/10/2018
Madrugada de Fim-de-Semana
Levanto cedo recordando
Há tanto por fazer
As árvores sussurram à brisa gelada
E a primeira luz dourada
Pinta e aquece o gelo do chão
O perfume do café da manhã
Aquece a alma,
letárgica, irascível sonolência
Os sentidos só aos poucos despertam
Agora já o sol mais alto
Claro-escuro, quente e gelado
Acentua o frio que trago ao peito
Enquanto o sol levanta
Aquece o dia
Quero o sol
Quero a lua
Quero gritar no meio da rua
Raio de sol minha esperança
O futuro não se faz da lembrança
Quero o calor e quero a luz
Este frio não me seduz
Vou em viagem rumo ao sol
Quem conduz?
Diniz Oliveira de Campos
05/06/2013
As idiossincrasias de hoje são as promessas caídas do amanhã.
Pensem nisto.
Namastê.
H.V.P.
14/09/2018
-Hei, Tu!
-Quem, Eu?
-Não, Tu!
- Foi o que perguntei, Eu?
-NÃO! TU!
-Ah, TU!
-SIM! PORRA, estava a ver que não!
- Que foi, afinal?
- Falta-te um botão!
- E tanta coisa para isso? Falta-me um botão?
- Sim! De nada já agora!
- Não tenho nada para te agradecer, uma estupidez dessas!
- Mal agradecido!
- Não, tu é que és mal-criado!
- Como?!??!
- A dizer porra, e palavrões desse género!
- Só uso do venáculo como força de expressão, e de qualquer forma a culpa é tua, tu é que és lento das ideias..
- Lento o tanas!! Vens-me dizer que me falta um botão, quando estou nu!
- Então, mentira não é, falta-te um, é verdade, mas se querias que eu fosse mais preciosista podia ter-te dito que te faltam vários!
- Vai-te fo..
- Quem é mal-criado agora? Além de grosseiro ainda falas para as pessoas enquanto estás todo nú! Que grosseria!
- EU NÃO FALEI PARA NINGUÉM, ESTAVA CALADO, TU É QUE ME INTERROMPESTE!!
-Interrompi? Mas se não falavas para ninguém..
- Interrompeste o meu acto inteligente de estar calado!
- Então cala-te lá à vontade, e continua a passear-te por aí todo nu, em todo o uso da soberba e exibicionismo! Lemnbra-te só disto - falta-te um botão!
- Vai pastar!! Estou nu!!
- Pois estás...
- E dizes que me falta um botão!?
- O que torna tudo ainda mais triste...
- Triste és tu!!
-Não me parece..
- Tu levas!
- Não é boa ideia..
- Porque não, olho à belenenses!
- Saltava à vista, mas não aconselho..
- Porque não?
- Vais-te magoar...
- Magoo-te a ti!
- E a ti no processo..
- Olha.. que barulho é esse aí nas escadas?
- ...
(ruídos)
- Lá em cima, por favor! Há horas que não pára de discutir com o espelho!
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse
07/01/2018
Os abanicos da perversão
Não esperam a assertividade da ocasião,
Nem as calorias da digestão,
Preferem faisão ao omegado salmão,
Recheiam um perú em vez do coração,
Enfiam recheios manhosos na consolação,
Estragam vísceras puras porcas,
Sem quê nem senão.
Vou mudar o disco,
já cansei de rimar em ão.
Ão.
Estas festas, ridículas,
São decências perversas
Obscenas de perdição,
Perdem-se nos significados
Dos versículos, fascículos,
Podres de ocasião,
Não mais que manuais de instrução,
Recibos de devolução,
Hipocrisia sedenta de atenção seca, vazia
Espermicida, prostática, crocodilagens,
Pro-estáticas, inertes, imberbes,
Contaminando intenções e emoções jovens,
Imaturas, inocentes, ainda decentes,
Significados vazios que passam a ter,
Significância por si.
Os torrões de Alicante,
Se confundem com Broas castelar,
O pior ainda,
É a selva de loiça para lavar,
Indivíduos estranhos,
A ressonar,
Pelos púbicos públicos no teu ralo,
Cheiros suspeitos nos teus lençóis,
Bibelots chineses despedaçados,
Suores cansados,
Mares de cachecóis,
Alambazamento desse comum sangue,
Sarnento.
Ahh.. Já só faltam 363 dias.
Tragam-me um café.
Alfinetes.
Júan João Bernardo - O Cavaleiro de Pau do Apocalipse
24/12/2018
Nunca eu cantaria se um dia não ouvisse o chilrear dos cucos.
Cantaria um dia sim, ao palpitar dos roufenhos melros - pululantes, estafermos angustiantes, belos, errantes.
As amálgamas da existência podem observar-se na sombra das aves.
E nas aves está a verdade da existência.
Essas são as verdades escondidas.
Pensem nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
11/09/2018
Nasce o dia nesta arena
No cenário habitual
Sozinho enfrenta as feras
Num combate desigual
Neste assalto à queima-roupa
Armado com um pau
Procura ficar erguido
Procura ser o tal
E joga tudo o que tem para jogar
Que neste jogo perder é ganhar
Resignado, chama no olhar
Respira fundo
ESTOU CANSADO!
E dos lábios gargalhada cruel
Sádica espera, faz-te acreditar
Nessa estranha força que te faz respirar
Fechas os olhos, clamas pro céu
E tomas o teu lugar!
Ao cair da noite ja roto e esfolado
Por um objectivo nunca alcançado
Verdade cruel de que tentas fugir
Esperneias e lutas e não consegues sair
E amanhã tudo se repete
Te arrastas à arena já sem saber se sais
Ciclo vicioso que nunca promete
Vida sufocante de todos os demais
E dos lábios gargalhada cruel
Sádica espera, faz-te acreditar
Nessa estranha força que te faz respirar
Fechas os olhos, clamas pro céu
E tomas o teu lugar!
E joga tudo o que tem para jogar
Que neste jogo perder é ganhar
Resignado , chama no olhar
Respira fundo
ESTOU CANSADO!
E dos lábios gargalhada cruel
Sádica espera, faz-te acreditar
Nessa estranha força que te faz respirar
Fechas os olhos, clamas pro céu
E tomas o teu lugar!
ESTOU CANSADO!
D.O.C.
02/03/2009
As máscaras de Nietzsche têm por vezes elásticos poderosos.
As marés são isso mesmo. De longe a natureza da Lua se revela, mesmo a do seu lado oculto.
Não vemos, mas sentimos. O tempo é amigo. Soberano.
"E se...?" é sempre um pensamento interessante e por vezes até divertido.
Subversão, perversão de algibeira são pequenos tudo-nada que regozijam almas.
Pervertamos outro pensamento do cavalheiro supracitado:
"Nietzsche está morto."
Chupa Friedrich!
Bom dia camaradas!
Cuidado com a coluna vertebral e as picadas nas costas.
Gravilhas miúdas no calçado.
”Júan” João Bernardo, o
Cavaleiro de Pau do Apocalipse
14/07/2019
No comboio estremunhado
Tu acordas mais uma vez
Esperas ver tudo mudado
Bocejar de quando em vez
De manha os vagões compostos
Gente esperta ainda a sonhar
A sonhar um dia diferente
Que vão poder guiar
Prisioneiro do dia-a-dia
Que te alicia, faz-te arrastar
Por ócios cómodos e fúteis
Que te fazem amarrar
Não
Não deixes, Não
Te arrastar, Não
De resistir, Não
De respirar, Não
De sair, de acordar, de fazer, de avançar, e de ser, de sentir..
E à tarde já derrotado
Cansado deixas-te cair
Cabisbaixo, apático, frustrado
Disfarças tentando sorrir
Como é que isto não tem fim??
Eu conto-te, isto é assim
Tu vives fechado num cerco
Do qual tu queres sair
Não
Não deixes, Não
Te arrastar, Não
De resistir, Não
De respirar, Não
De sair, de acordar, de fazer, de avançar, e de ser, de
sentir..
D.O.C.
04/04/2009
Desconfiem de toda a gente que não assume que também tira macacos do nariz.
Glória e Chá.
Pensem nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
06/03/2019
Gordo gato, gato gordo
Que pateia o passeio, passeando
Um miado, rugido
Que mais não é, cantando,
Protesto de quem procura,
Bem alto dizer, falando
Mas segue, miando.
Mia o pêlo,
Tratado com zelo,
Mia bigodes,
Charmoso és,
Bem sabes que podes,
Mia Pantufas,
Almofadas fofas, robustas,
Quando te chateiam
Com eles assustas,
Miados gostosos,
Bigodaça frondosa,
Figura dengosa
Furioso sindicalista do afecto,
Passivo-agressivo compincha
Passas por qualquer frincha
Vira-lata com porte imponente, selecto!
Preguiçoso ocioso
Selvagem vadio,
Mas nobre no porte
De rabo em pavio
Não te bastam as vidas
És um desgraçado com sorte
Gordo gato, gato gordo
Que pateia o passeio, passeando
Um miado, rugido
Que mais não é, cantando,
Protesto de quem procura,
Bem alto dizer, falando
Mas segue, miando.
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do
Apocalipse
20/01/2020
Não me culpem por odiar as pessoas.
Responsabilizem as pessoas por tornarem possível serem odiadas.
Pensem Nisto.
Namaste
H.V.P.
05/03/2019
Dr. Homero,
Vossa Exa. passou anos a queixar-se da sua, agora ex-mulher, que era uma criatura muito aborrecida, julgo, chata para caraças.
Terá isto alguma relação com o que me chegou ontem ao conhecimento (não tive oportunidade ainda de aferir) sobre a Exma. senhora padecer neste momento de uma verdadeira praga de chatos?
06/12/2020
Sozinho no Estio
Num quarto Vazio
Espero naufragar
Em hora por marcar
Com frio e sem
fado
Um bote reparado
Não consigo passar aquele cabo
Quero ir além mais um bocado
E há tanto por fazer
E há tanto por fazer
E há tanto por fazer
E há tanto por fazer
Não quero partir sem te encontrar
Não quero partir sem te encontrar
Quero-te sentir
Diz-me por favor
quem és tu
e Onde estás?
Com o Horizonte cinzento
E perdido o Norte
Nem marés nem vento
Disputando a morte
Não permitir que a vida me dê capote
E subindo esta muralha
Eu vou tentar a minha sorte
Caminhos incertos
Encontros secretos
E há tanto por fazer
E há tanto pra recordar
EHá tanto por olvidar
Quero-te sentir
Por favor onde estás
Onde estás?
Com olhos cerrados
Camisas fechadas
Não há alma, nem fraldas
Sem toque nem beijo
São sonhos usados
E mal lembro o desejo
Não olho a copa
Mas quero jogar
Alguém que por gosto
Se deixe ficar
E há tanto por fazer
E há tanto por fazer
Onde estás, não te vejo
Oh, em promessas eu já nem creio
As Tuas formas na sombra do passeio
De outra forma nem me sinto inteiro
Só te quero tanto ter
Saciar essa fome em viver
Onde estás
E assim cá ando armado aos cucos
Perdido e só no quarto sem saber
Quero-te conhecer
Dá-te a ver por favor
Quem és tu?
E Onde estás
E assim cá ando armado aos cucos
Perdido e só no quarto sem saber
Não sei mais onde procurar
vem-me cá buscar
Dá-te a ver por favor
Quem és tu?
E Onde estás
E há tanto por fazer
E há tanto por fazer
Onde estás, não te vejo
Oh, em promessas eu já nem creio
Sonho contigo acordado
Loucos desejos cheios de pecado
Quero-te conhecer
E saltar e viver
Onde estás
E há tanto por fazer viver
Deixa-te ver
Quem és tu
Onde Estás?
E há tanto por fazer
Diz-me quem és tu
E onde estás
Diz-me quem és tu
E onde estás
Saciar essa fome em viver
Onde estás?
D.O.C
03/12/2013
As noites prolongam-se nas manhãs que esfriam.
Os dias estreitam-se no sol que esconde.
Caem folhas. O sol se abeira a sul.
Promessas de gelos molhados, ventos rasgados.
Outono chegado, promete morte, fogo purgante,
em gelo cortante.
Enfim... a fita-cola da vida.
Transferidor
Pensem nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
13/10/2018
Um rasgo na rua
Bem alto ao luar
Não sei mais que fazer
Mas aqui não consigo ficar
Avanço lentamente
Passo a passo
Pareço recuar
Cada partida uma incerteza
Em cada avanço uma derrota na certeza
Sozinho canto e grito
Bato em força na parede
Na parede que não mexe, só implacável e fria
Que em mim basta para me bastar
Sozinho canto e berro
Quando em minha frente um anjo
Sem ter asas por abrir
Mas para que voar tão alto
Se daqui não se faz sentir
No final já ao crepúsculo
Lembro o que sou e não fui
De quem é a culpa, e quem ma roubou
Para o inferno sozinho eu vou
Em mim revolta pura
Paralisante incompetência
Ai de mim se paro agora
De mim não deixo vivência
Um rasgo no meio da rua
Aqui bem alto ao luar
Não sei mais que fazer
Mas aqui não consigo ficar
D.O.C.
12/08/2012