quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Natalidades

 Os abanicos da perversão

Não esperam a assertividade da ocasião,

Nem as calorias da digestão, 

Preferem faisão ao omegado salmão,

Recheiam um perú em vez do coração, 

Enfiam recheios manhosos na consolação, 

Estragam vísceras puras porcas,

Sem quê nem senão. 

Vou mudar o disco,

já cansei de rimar em ão. 

Ão. 

Estas festas, ridículas, 

São decências perversas

Obscenas de perdição,

Perdem-se nos significados

Dos versículos, fascículos,

Podres de ocasião, 

Não mais que manuais de instrução,

Recibos de devolução,

Hipocrisia sedenta de atenção seca, vazia

Espermicida, prostática, crocodilagens,

Pro-estáticas, inertes, imberbes,

Contaminando intenções e emoções jovens,

Imaturas, inocentes, ainda decentes, 

Significados vazios que passam a ter,

Significância por si. 

Os torrões de Alicante, 

Se confundem com Broas castelar, 

O pior ainda, 

É a selva de loiça para lavar, 

Indivíduos estranhos, 

A ressonar, 

Pelos púbicos públicos no teu ralo, 

Cheiros suspeitos nos teus lençóis, 

Bibelots chineses despedaçados, 

Suores cansados, 

Mares de cachecóis, 

Alambazamento desse comum sangue,

Sarnento. 

Ahh.. Já só faltam 363 dias. 

Tragam-me um café. 

Alfinetes.


Júan João Bernardo -  O Cavaleiro de Pau do Apocalipse 

24/12/2018

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