domingo, 28 de fevereiro de 2021

Chama Gelada



Arde o fogo com vontade 

sedento fôlego e poder 

dançam chamas florindo, 

Queimando, rindo,

Fogo esse já um dia 

me ia destruindo 

Revolta um passado 

nunca esquecido 


Essas lembranças

Doces esperanças 

Memórias para quem nunca fui 

Acolho gozo esse sonho

Esqueço pisar esse chão 

Não quero mais amar esquecido na solidão 

Quero este sonho

Dá-me a tua mão! 


lembrado, passado,  

assumido, e ferido...  


Fantasmas não queridos  

rostos perdidos, 

Almas escondidas,

Olhares fingidos 


Feições amargas 

Doces palavras   

nada guardam  

que não dor


E essa mágoa delirante 

Canta à memória que um dia privou 

Afasto esse desejo perdido 

Esquecido, mas que o tempo não apagou 

Despreza-me, deixa-me sonhar 


confesso assim 

Como que em oração

Quero para mim

esse perdido coração 

Essa sensação


Doces palavras   

feições amargas

nada guardam  

que não dor


Recordo agora estas palavras 

Já do meu vocabulário esquecidas

Por anos e febres adormecidas 

Quase delas me esquecia 

A ti agradeço por, mas recordares

Mas agora a ti também as vou gritar 


Confesso por fim

Em prosa nua 

Eu quero! E quero mais! 

E quero gritá-lo no meio da rua! 

No meio da Rua / Eu quero 


Doces palavras   

feições amargas

nada guardam  

que não dor

Doces palavras   

feições amargas

nada guardam  

que não dor

Eu quero!


D.O.C.

12/10/2013 


com base no poema "Chama de Gelo", 12/09/2012

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