O céu já clareia
Sacola e
guitarra
Nova
jornada
Nova
viagem
E o sol
pinta já o céu
Tons
dourados, magentas
Vejo
pessoas cinzentas
Desfocadas,
sem nexo
Sem
classe, sem sexo
Devolvem-me
o olhar vítreo
Que vê
muito além
Embalados
na trepidação estão,
Na carreira
sem estação
Quero o sol, quero a lua
Correr essa rua
Pisar essa terra crua
E tanto por fazer
Quero viver
Salpica o sol na face
De manchas ígneas, quentes e belas
Que nem assim aquecem
O fundo, profundo,
Uma alma que não consegue,
Não pode, ou não merece
Receber o seu calor
Fria imagem, fria margem,
Entre duas pelas quais corro
Procuro respostas para perguntas que nem existem
Ou talvez nem devessem existir...
O calor desta viagem procura,
Disfarçar a ausência daquele que não
existe
Acalmar o frio surdo,
Angustiante, cortante, constante
Sonho errante, expectante:
A próxima paragem...
essas paragens...
Apeadeiros desertos, vazios, inúteis
Escondem razões fúteis
Mas que são esmagadas
Por um propósito incerto, absurdo, condenado,
Daquela que é afinal
A grande viagem:
A última paragem
Procuro o sol, procuro a lua
Quero só sair à rua
Caminhar nessa terra crua
Sem saber, pensar, temer, sentir
Correr num dia quente assim
Sentir O Caminho A Correr Para Mim
D.O.C.
03/09/2013
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