sexta-feira, 5 de março de 2021

Viagens

 O céu já clareia

Sacola e guitarra

Nova jornada

Nova viagem

 

E o sol pinta já o céu

Tons dourados, magentas

Vejo pessoas cinzentas

Desfocadas, sem nexo

Sem classe, sem sexo

Devolvem-me o olhar vítreo

Que vê muito além

Embalados na trepidação estão,

Na carreira sem estação

 

Quero o sol, quero a lua

Correr essa rua

Pisar essa terra crua  

E tanto por fazer

Quero viver

 

Salpica o sol na face

De manchas ígneas, quentes e belas

Que nem assim aquecem

O fundo, profundo,

Uma alma que não consegue,

Não pode, ou não merece

Receber o seu calor

 

Fria imagem, fria margem,

Entre duas pelas quais corro

Procuro respostas para perguntas que nem existem

Ou talvez nem devessem existir...

 

O calor desta viagem procura,

Disfarçar a ausência daquele que não existe

Acalmar o frio surdo,

Angustiante, cortante, constante

Sonho errante, expectante:

A próxima paragem...


essas paragens...

Apeadeiros desertos, vazios, inúteis

Escondem razões fúteis

Mas que são esmagadas

Por um propósito incerto, absurdo, condenado,


Daquela que é afinal

A grande viagem:


A última paragem


Procuro o sol, procuro a lua

Quero só sair à rua

Caminhar nessa terra crua  

Sem saber, pensar, temer, sentir

Correr num dia quente assim


Sentir O Caminho A Correr Para Mim


D.O.C.

03/09/2013

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