terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Dia-a-Dia

 No comboio estremunhado

Tu acordas mais uma vez

Esperas ver tudo  mudado

Bocejar de quando em vez


De manha os vagões compostos

Gente esperta ainda a sonhar

A sonhar um dia diferente

Que vão poder guiar

 

Prisioneiro do dia-a-dia

Que te alicia, faz-te arrastar

Por ócios cómodos e fúteis

Que te fazem amarrar

 

Não

Não deixes, Não

Te arrastar, Não

De resistir, Não

De respirar, Não

De sair, de acordar, de fazer,  de avançar, e de ser, de sentir..

 

E à tarde já derrotado

Cansado deixas-te cair

Cabisbaixo, apático, frustrado

Disfarças tentando sorrir

 

Como é que isto não tem fim??

Eu conto-te, isto é assim

Tu vives fechado num cerco

Do qual tu queres sair

 

Não

Não deixes, Não

Te arrastar, Não

De resistir, Não

De respirar, Não

De sair, de acordar, de fazer, de avançar, e de ser, de sentir..

 

D.O.C.

04/04/2009

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