terça-feira, 20 de abril de 2021

Canto às Abelhas

 Canto às abelhas,

Paixões que não tive,

Declamo às baratas,

As frustrações vividas, 

Às moscas grito, 

Tristezas sofridas, 

Mas às melgas,

Queixo das despesas já tidas, 

Ambições essas, 

Segredo-as às formigas,

Laboriosas camaradas, 

Cegas, fortes, eficazes,

De algo bem maior que Elsas, 

São capazes,

Os desgostos esses, 

Recito-os às Cigarras, 

Enquanto as fumo

Em néons de plasma, 

Electromagnéticos, pululantes,

Espectros existenciais,

Vozes celestiais. 

Penso:

"-Mas se falo com bichos, 

Quem a sério me levará?"

Peço uma empreitada, 

De auto-conhecimento, 

Mas estou embargado, 

Sem alvará...

Pior é, que os bichos

Esses, me respondem sabiamente:

"-Vive, existe, sente alegremente,

Não precisamos da resposta às perguntas:

-"E se...?" e "Porquê?" "

Assim concluo...

Talvez se tenha abusado do LSD. 

Pensem nisto. 

Namastê.


Homero de Vaz Pessoa

01/08/2018

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