Os boiões da dignidade vespertina, quando atacam nos matutinos sentidos, deflagram na cor dos dias, almareando a razão instituída.
Pensem nisto.
Namastê. Ou como diz o corrector: "Amazonas".
Homero de Vaz Pessoa
29/07/2018
Faces, fantasmas, frontispícios, pessoas, fuças, esqueletos, semblantes, sombras, efígies, máscaras, letras, aspectos, expressões.
Os boiões da dignidade vespertina, quando atacam nos matutinos sentidos, deflagram na cor dos dias, almareando a razão instituída.
Pensem nisto.
Namastê. Ou como diz o corrector: "Amazonas".
Homero de Vaz Pessoa
29/07/2018
A Desgraça das rosas,
Outras floras que hoje receberão,
Estão nos vasos, vasilhames que amanhã,
Nas faces vos rebentarão.
Era mesmo com a tesoura da poda.
Espinhos virtuosos.
Pensem Nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
08/05/2019
Cabeça encostada à janela
Céu e mar azul
Pedra e carris, o chão..
Sentes confortável o sol a bater-te no rosto,
E admiras mais uma vez a magnifíciência do seu reflexo
Na água enrigada pelo vento, mas que ainda assim, caminha
tranquila..
À tua imagem..
Desfrutas de um dos teus mais íntimos momentos,
apesar de ires numa carruagem que se encontra apinhada..
Viagem esta, rotineira, dia a dia sem destino,
mas que te é crucial:
rodeado de gente mas solitário,
a tua vida identificas metafóricamente, e pensas,
neste tempo morto e inútil, que é só teu
E pensas..
O ruído soporífero ritmado da trepidação,
Um olhar distante
Fixo numa paisagem qualquer,
Em que os teus olhos se vidram,
E ves então, muito além
Do teu campo de visão..
Começou a tua viagem.
Sonhos, memórias, pensamentos, ilusões...
Tens pressa em chegar ao teu destino,
Mas escondes um secreto desejo,
O de que aquela viagem nunca mais acabe,
Pois quando isso acontecer,
Algo de mau e horrível, cataclísmico, sucederá..
O Fim do Mundo.. do Teu Mundo..
D.O.C
20/06/2008
As prendas da divina existência se convalescem pelas importâncias dos amanhãs passados. Seria um dia incerto, se o futuro se reflectisse nos passados de antanhos.
Posso portanto concluir que a nossa presença, mais não é que a incoerência presente de uma incógnita passada, que reflecte o patético inexistente futuro. Oopart's estranhos. Pleonasmos.
Homero de Vaz Pessoa
19/11/2018
Todos os lados do triângulo escaleno são iguais, porque a área da circunferência quadrada da pirâmide, é o dobro do raio que o parta.
Júan João Bernardo - O Cavaleiro de Pau do Apocalipse
02/02/2020
Um réstia d’oiro pairando no ar
Aproxima-se a hora sombria e tu vais lutar
E só então o sol ao céu vai voltar
Mais uma onda uma corrente
Eu não me encontro no meio desta gente
Mas tu bem sabes que é o que te faz ir em frente
Caminhando passo a passo
Pedra sobre pedra
Vais olhando o espaço
à procura da Terra
Como uma onda no mar
Aqui eu não quero ficar
Mas há quem me queira agarrar
Eu não me vou ficar
Salto a salto na corrente
Vou jogando na maré
Mas sei que no final das contas
Mesmo que eu caia vou ficar de pé
E já um indício doirado pairando no ar
Ando passo a passo, pedra a pedra me obrigo a respirar
Mas eu neste palco continuo a avançar
Muito mais do que andando
Eu não vou parar de saltar!!
D.O.C.
18/10/2009
Amor é um amor.
É um louvor ao Senhor,
Infelizmente este estupor
Provoca muita dor.
Ai, flores da bicicleta ancestral
Piqueniques do campo queimado
São ventos do vosso agrado
Clip, tesoura e cola.
Homero de Vaz Pessoa
19/09/2018
Mergulhou uma, duas, cinco vezes. Aproximou-se das ondas
mais altas, pronto a deixar-se levar, fazer golfinhos como em criança - sempre
o divertira e acalmara.
O preço pela sua identidade era assim já marcado de
chagas que com dificuldade cicatrizariam, mas a consciência da sua natureza superior
à da maioria dos Homens, sempre o levaram a confiar que do jogo de superação entre
ID, Ego e Super-Ego, ao qual assistiria indiferente qual mero espectador, para
recolher as vitórias, despojos de uma qualquer batalha. Algo de expiador havia
na mágoa, talvez um equilíbrio kármico a ser reposto quando cumprisse a sua
missão.
Sorria por isso, enquanto pensava mais uma vez, amargamente,
que era um perigoso estalinista para a direita, um fascista execrável para a
esquerda – talvez fosse essa a verdadeira natureza de um hipster do século XXI.
Ainda que pudesse por vezes ter sido um pouco cruel naquele amesquinhar dos
familiares, sempre se considerara um “bom rebelde” a quem a própria família
haveria de reconhecer os méritos e se orgulhar de ser ele um dos seus; até
porque até àquele momento, sempre lhe constrangera e atormentara o peso daquele
passado, enquanto em segredo escondia até dos seus recriminatórios pensamentos,
algum orgulho pela sua distinta estirpe. Era um pecado que tinha dificuldade em
esconder e do qual se tentava libertar, até porque também por ele, precisava de
provar ao mundo que era muito mais do que aquilo que nasceu.
Estava agora deitado de costas na areia, na zona de
rebentação das ondas mais baixas. Procurava que os pensamentos, mesmo os soltos
e desconexos, se juntassem num puzzle que lhe sugerisse algum significado
latente.
Talvez por tudo isto, a rejeição dos autoritarismos e das
pulsões monárquicas familiares, chocavam com a sua busca pela liberdade e autodeterminação,
tornando-o uma fonte de contradições internas do que o seu sentido de lógica acredita
ter, e por isso, tenta sempre colmatar; é hoje uma das personagens mais
contraditórias que existe no panorama político-partidário, social, cultural e
económico português.
Era este personagem que, engolindo agora alguns
pirulitos, surpreendido por uma onda maior da maré que subia, estava convencido
do seu perfeito controlo sobre todos os elementos que regem a sua vida, e que
em breve, estava apostado nisso, mudaria o curso da história e o futuro de um
país, de uma civilização.
Hakuna Matata: iletrado que
se procura afirmar como não analfabeto, mas ainda não chegou a Carpe
Diem.
Carpe Diem: qualquer imbecil um pouco menos iletrado, não tem
nada mais para dizer, procura justificar a sua conduta ou simples acefalite
aguda.
Todos os outros (silêncios, frases feitas ou originais): bestas
egoístas, petulantes, egocêntricas, pedantes, cínicas, cabotinas,
sobrancerias, arrogâncias, estupidez, má vontade e desprezo para todos os
demais, pois o centro do mundo e da verdade só se encontra naquele metro
quadrado de cidadania.
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do
Apocalipse
03/04/2018
A prova de que as pessoas sabem ser sérias e educadas, é quando sabem ser mal-educadas, néscias, grosseiras, impertinentes, inconvenientes, indecentes.
Tudo isto na ausência dos lesados. Na sua presença são encantadoras. Gosto deste tipo de civilidade, ou mesmo urbanidade.
As persianas são a última grande fronteira.
Homero de Vaz Pessoa
14/05/2019
O Sol está quente.
Mais quente é o chá que a língua sente.
Dia novo, penso: "-Presente".
Mas sinto tão, mas tão intensamente,
Que penso magoar previamente,
Ser uma simpatia obediente,
Dessa estrela que nasce a Ocidente.
Ah, porra! Escrivaninha.
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do
Apocalipse
18/09/2018
Os resquícios de Humanidade pendentes se desvanecem nas humildades dos parentes, flor-de-lis carentes.
Bom dia.
Namastê.
H.V.P.
23/07/2018
Ligo a guitarra
E o meu amp(e)
Logo fico pronto
Solitário trovador
Começo a berrar
As malhas que já sei de cor
Podem estar fartos
Mas eu não me vou calar
Há quem queira
Por-me em cima um autocarro
Há quem diga
Que eu só canto
Depois dum charro!
Mas não fumo!
Nem passo!
E estou assim!
Eu Não fumo
Nem bebo
Mas Sou assim!
Não são raros os gajos
Que precisem de se desinibir
Loucuras contidas
De quem apanhou a mulher a curtir
A beber um copo
Um enfardar um bom jantar
A saltarem-lhe para cima
E ela a suspirar
Mas não fumo
Nem passo!
E estou assim
Eu Não fumo
Nem bebo
Mas Sou assim!
Vai vai vai vai
Estou em brasa
Estou sem casa
Corro pulo sem parar
Estou rir
Sempre a abrir
A cantar
A gritar
A berrar
Estou maluco, louco
(Louco)
Ando doido, doido
(louco)
Demente, mente,
(mente)
Estou a chegar!!!
(Ahhhh!!! )
Até podes pensar que eu sou o doido
Mas na verdade o louco és tu
Só alguém completamente doente
Vive adaptado numa sociedade demente!!
Olha a velhinha abandonada
Olha o papá desempregado
Olha o deficiente desamparado
Olha a criança esfomeada
Olha a população desalojada
Olha a cidade bombardeada
Olha-me as fachadas rebentadas
Olha para o verde incendiado
Mas
Estou maluco, louco
(Louco)
Ando doido, doido
(louco)
Demente, mente,
(mente)
Estou a chegar!!!
(Ahhhh!!! )
Olha os bichos esventrados
Aquelas espécies mutiladas
Tantas pessoas espancadas
Aquelas vidas aprisionadas
Olha-me as gentes condicionadas!
E Olha o Homem enganado
E Olha o Homem ludibriado
E Olha o Homem manipulado
Olha estamos todos ENGANADOS!
Estou maluco, louco
(Louco)
Ando doido, doido
(louco)
Demente, mente,
(mente)
Estou a chegar!!!
(Ahhhh!!! )
Estou em brasa
Estou sem casa
Corro pulo sem parar
Estou rir
Sempre a abrir
A cantar
A gritar
A berrar
Até podes pensar que eu sou o doido
Mas na verdade o louco és tu
Só alguém completamente doente
Vive adaptado numa sociedade demente!!
Diniz Oliveira de Campos
Eutanasie-se. É a única forma de resolver o problema dessas gentes que defendem a Eutanásia. Ainda que possa parecer uma derrota, é uma derrota estratégica. Uma vez eutanasiadas, essas vozes que se erguem agora, não mais reivindicarão o seu direito, e o dos outros, ao controlo sobre a sua morte.
H.V.P.
16/02/2020
Quando a insanidade é verbo corrente da esquerda à direita, a lei passa passa a ser insana.
A maior vitória dos lunáticos facínoras, é sem dúvida conseguir fazer-nos acreditar que são tão normais como nós, vulgares loucos da existência fugaz.
13/09/2020
“Júan” João Bernardo, “O Cavaleiro de Pau do Apocalipse”
As estrelas são as poesias pueris dos pirilampos.
Caju e meio tostão.
”Júan” João Bernardo, o
Cavaleiro de Pau do Apocalipse
15/01/2019
Arde o fogo com vontade
sedento fôlego e poder
dançam chamas florindo,
queimando, rindo,
Fogo esse já um dia
me ia destruindo
Revolta um passado
nunca esquecido
lembrado, passado,
assumido, ferido
Fantasmas nada queridos
rostos perdidos, escondidos, fingidos
Doces palavras
feições amargas
nada guardam
senão dor
dor sentida, cantada, privada, escusada, esquecida, afastada...
desprezo, abandono e dor,
confesso por fim de forma suave
aquilo que até há segundos
queria gritar em plenos pulmões
Tudo isso em prosa
por uma voz não grossa
respirada e sentida
Más lembranças,
doces esperanças
Daqui eu espero,
Daqui desespero,
Aqui me despeço
Aqui vos acolho
e não vocês.
Recordo agora as palavras de há pouco
que por pouco já delas me esquecia
adormecidas anos, delírios e febres
A TI te agradeço por mas lembrares:
EU QUERO!
D.O.C.
12/09/2012
É sempre o Amanhã que canta.
Hoje acordei Amanhã.
Mas ainda é hoje. O Amanhã escapou de novo.
O Hoje continua monocórdico e o amanhã continua longe.
O Hoje é aborrecido. Apesar de Ontem, jurar que Amanhã acordaria cedo.
É uma bodega.
Para não dizer que é uma merda, que é feio e deseducado.
Pensem nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
13/09/2018
Caminhava agora, com os pés na areia molhada,
pontualmente salpicados pelas ondas.
O mundo iria mudar sob sua égide. Sabia que tinha de o
fazer. Indubitável e inevitavelmente acabaria por o fazer.
O que o preocupava na verdade era as concessões que teria
de fazer ao Sistema. Teria de sair daquela bolha e abraçar a comunicação de
massas, falar para o povo, que estaria certamente sedento de informação e
sabedoria, de alguém que pudessem admirar e que pudessem seguir – Ah! Como
abominava os inglesismos abjectos, a epilepsia da comunicação e da imagem, a
economia do tempo e da palavra! Era intolerável para si toda aquela conspurcação
da sua amada língua materna, que sorrateiramente e através das gerações mais
novas e despreparadas, que estava certo que incauta e inadvertidamente,
contaminavam de anglos e francos vocábulos a fonia de Camões, agora já
automaticamente como se de nativos termos se tratassem. Não havia volta, teria
de vender a alma e prostituir o seu rosto, oferecer as suas palavras ao vento
no caminho que escolhera de apelar às consciências que hoje eram órfãs da
verdade.
Olhou para trás. Mais da metade do caminho que fizera fora
já apagado pelas ondas. Pensou ironicamente se seria aquela um bom exemplo do
que a história lhe reservaria – Seria, à semelhança de tantos outros um nome de
rodapé ou uma versão romanceada de si mesmo para quem o viesse a estudar? Quem
o iria recordar? Historiadores certamente, mas e o povo, as pessoas, que tão
importantes são para a construção de uma personagem no consciente colectivo…?
Pensou nas pessoas comuns.
Era já humilhante ter de se rebaixar a falar directamente
para o povo iletrado, onde o analfabetismo funcional era pré-requisito para
poder ingressar em qualquer mercado de trabalho. Teria de rebater ponto a ponto
o discurso e propaganda dessa elite cultural e intelectual de esquerda, que
monopolizavam toda a imprensa.
Deixou que o mar refrescasse os tornozelos e as barrigas
das pernas. Baixou-se e apanhou um caço de água com as mãos, com que molhou a
cara. Respirava fundo enquanto pensava em opiniões públicas e publicadas.
Sabia que com as suas posições deveria ser catalogado de
conservador reaccionário de direita, algo que rejeitava desde a juventude – não
fora precisamente essa a génese da sua identidade, quando se rebelara com os
trejeitos mui finíssimos e nobres da sua família patética, da qual muitos
elementos guardavam ainda um orgulho bacoco por um passado de títulos
nobiliárquicos e pertenças vastíssimas de terra e bens? Estava certo que ainda
hoje tinha razão a demarcar-se ainda novo daquelas infindáveis reminiscências
familiares sobre a cor azul do sangue e antepassados muito distantes (séculos!)
e nobres! Não impusera um afastamento de valores e princípios quase que
blasfemo em relação ao seu clã de origem? Via-se desde jovem como uma voz
independente e livre, que denuncia o monopólio do sistema por grupos
minoritários e permanentemente beneficiados, que desprezam a meritocracia e a
capacidade individual de um ser humano de reinventar e superar.
Pousava agora a mochila e começava a despir a blusa de
linho – a água estava demasiado boa para não mergulhar. Sempre sentira um
enorme prazer e libertação em contacto com a areia e a água do mar. Nada era
mais simples e verdadeiro que aquilo. Sorriu desdenhosamente – Era óbvio que
qualquer geólogo, meteorologista ou especialista em oceanos e vida marinha
discordaria desta afirmação, - como era chato e impossível tentar libertar a
mente, a constatação permanente do quão pouco sabia sobre cada coisa tinha o
dom de o irritar. Tão pouco saber apesar de tanto ler, tanto estudar, fazia com
que se sentisse limitado, falível e mortal – um humano. Ironizou consigo mais
uma vez – Se há tanto imbecil que percebe claramente muito menos do que eu dos
assuntos de que fala e com os quais tem a presunção de produzir conteúdos que
desinformam mais do que informam, certamente que o seu trabalho seria menos
condenável, mais útil e preciso do que os restantes.
Aproximou-se do mar, onde rebentavam já as ondas mais
pequenas daquela zona da costa.
Retomou a linha de pensamento anterior - Sim, o sucesso
de cada indivíduo dependia exclusivamente de si, não lhe fazia por isso sentido
que os seus familiares se comportassem como se fossem membros da família real,
quando o maior feito de todos eles teria sido o desbaratar do património da
família ao longo de gerações, sem feitos, sem mérito, sem contribuição alguma
para o país, para as pessoas ou para o crescimento intelectual e humano. Havia
apenas uma infinidade de páginas em branco na história da família, uma ausência
escandalosa da sua participação na história como qualquer livro poderia
assertar; “Aristocracia falida e néscia, condenada ao olvido” - As imperdoáveis
palavras que com tanto rancor atirara aos progenitores no início da sua idade
homem, mas que até hoje lhe ecoavam na memória, tão reais como quando foram
proferidas, mas dolorosas muito mais agora e a cada dia, definitivamente votado
ao congraçamento possível com florestas nuas, de ciprestes.
Mergulhou uma, duas, cinco vezes. Aproximou-se das ondas mais altas, pronto a deixar-se levar, fazer golfinhos como em criança - sempre o divertira e acalmara.
Clopin da Maia
07/08/2020
As Pradarias da Existência nem sempre procuram a Presença.
Quando a competência caminha, largos passos contamina.
Ah, essa é a Permanência da Essência!
Pensem Nisto.
Namastê.
H.V.P.
19/09/2018
Ao menos o gajo (ou gaja!!) que criou o Tempo, podia ter criado o Tempo, 10 minutos mais cedo, evitava assim os constantes atrasos no trabalho e nas aulas… não é mal pensado e não custava assim tanto... mas acho que ele nunca foi muito de cumprir horários... e atrasou-se!
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do
Apocalipse
06/04/2007
Dr. Diniz,
Bem sei que o seu escrito é já bastante antigo. Mas pelo tempo que acompanho suas irascibilidades quando de males de amor, sei que o que lhe direi agora poderia certamente ter dito à data da autoria de sua última escritura:
Também fiquei muito dorido com o acto falhado que foi o meu casamento e não tento fazer disso notícia, nem construo com isso pretensões a ser artista. Aliás, sou espoliado da minha alma e das minhas economias. E se fiquei realmente dorido. No coração. Rameiras ordinárias.
Agora a sério puto, tem juízo, já ninguém aguenta tanto melodrama!
PS: Mas é bem feito! Assim aprenderás por certo, que nem todo o buraco escuro é cofre seguro!
H.V.P
07/09/2020
Avanço na noite
Sem dormir
Vem aí mais um dia
E eu vou sentir
Chegou a hora de fazer
Chegou o momento de provar
Dia após dia a força que me agredia
No meu ser faz-me acreditar
Contrastando no meu estar
O meu bem
O meu sentir
É a hora de Lutar
A hora de seguir
E levanto a cabeça
Olhos nos olhos vou-me erguer
De ti já nada receio
Não tenho nada a perder
D.O.C
03/03/2012
Homilias profanas desenterram o pão do solo alheio.
Desgraçado do que não ferra dente em calhau ordinário. Morre de Fome.
Ventoinhas.
Pensem nisto.
Namastê.
H.V.P
25/09/2018
- Olha, esse coração aí, no chão,
Sentado e esquecido, sujo, puído;
- Espero que não nos tenha ouvido!
- Feliz foi um dia: jaz agora, no alcatrão.
- Sim, esse mesmo aí:
Invisível sentado, perdido;
- Sim sim, previsível Derrotado,
Amargurado, esquecido.
- Já uma vez existiu, vigoroso, sorrindo
E forte, pulsante, marcante, charmoso:
Apaixonado apaixonante e lindo!
- Ainda hoje apaixonaria, belo,
Caprichoso, sonhador e bondoso
Amante dedicado e orgulhoso
“-Sim, este coração aqui, enegrecido,
Amarrotado, pesado, e à vista – agastado!
Chaga viva amolgada, inflamada, cativa
Certamente, mas desconfio, esfomeada”
Almas mecânicas compadecidas,
Abrandam pouco, intrigando,
Uma menos absorvida, arrisca, embevecida:
“- Que vos estais apoquentando?”
O por hoje esmagado, sente e diz:
“-Nada mais ao mundo, Excelência,
Tenho por dar “
“-Tudo há para me faltar
Seja maldita a minha existência,
Tão pior por hoje acordar sem par!”
- Sim, mesmo aquele ali:
O coração amarrotado, perdido
Pobre pálido, vencido
Amargurado, pouco acarido
- Se confunde ele agora
Com os sulcos do chão
Pesada pedra escura dura, a quem,
Lhe é negada, Condição
- “Descurado agora está
Pois de muito se carece
Mesmo de leis e preces.”
Brotam lágrimas e rubras fendas,
E pragas, várias, total abjuração
“-Triste ver, estropiada obstinação.”
“-Regressemos, no entanto, e já,
Ao destino, que deixámos folgar,
Por pouco, é certo, que o ócio
Por drama alheio, nunca mais há
Do que convém: pouca saúde dá,
E é de outros, negócio; mais: nossos
Não são, os antanhos saudosos fervores,
Carências, maus amores, pesarosos”
- Artistas pindéricos, pirosos!
Felizmente, com a vida que levam
Não chegam à reforma para ser idosos!
- Estas gentes procuram atenção
Toda a que tinha, dei-lha toda
Inadvertidamente, de supetão.
(guarda a chave do carro no bolso e come o seu pastel
de nata)
Diniz Oliveira de Campos
01/09/2020
Como acredito na mudança, no progresso e na evolução do pensamento, decidi tornar público o seguinte: Tornei-me um acérrimo defensor e entusiasta da Prostituição, em especial das suas (e seus, não me vão acusar de misoginia) profissionais.
São provavelmente os únicos profissionais que se deitam com vontade de trabalhar.
Um modelo a seguir pela nossa nossa elite empresarial e empreendedora.
H.V.P.
07/02/2020
Cavalos atmosféricos
Lambujinhas da montanha
Tigres de aviário
Rebanho de lobos pardos:
A mentira nada mais é que uma excelente história que alguém resolveu estragar com a verdade.
Decassílabos sibilantes.
Salvé, salvé!
”Júan” João Bernardo, o
Cavaleiro de Pau do Apocalipse
14/04/2019
Esse pedaço de barro só, cozido
Quebrado, acabado esquecido
Foi já, porção de tudo
Hoje perdida esperança, do nada
Tijolo, só sumido
Bastaria então sonhar...
Aquela promessa um dia certa
Por diversas letargias se perdeu
Às perguntas díspares o tempo, temo
Espaço má fortuna lhe rendeu
Resta então sonhar.
Como às névoas do nada se forçou
Obrigado à não existência, não ser
Amarra hedionda, o estancou
Foi muito mais prova, que poder
Poderia então sonhar;
Nada foi na verdade, de facto,
Esquecido bloco de barro, perdido,
Estilhaçado, no acaso e fortunas não gentis,
Sem pedreiro, Fado forte, mau
Sem cuidado, falso pedido sentido,
Que a toscos apelos, não acudis
Deve então sonhar.
Lhe bastaria a Ele porém,
Papel discreto neste Monstro Sacro-Sinistro,
Cruel, sem sentido, mas ajudar poderia a erguer
Não fosse que Pedreiros e ministros
Cedo o destinaram, a não Ser
Satisfaz então sonhar...
Pode então agora sonhar,
Mármore, talvez tornar...
Ganharia relevos, frescos,
Talvez sair, viajar...
Vultos maiores edificar
Obriga-se agora sonhar...
Esse pedaço de barro só, cozido
Aquela promessa um dia certa,
Obrigada à não existência, não ser;
Lhe bastaria a Ele porém,
Então sonhar:
Vultos maiores edificar.
Vamos então, sonhar.
Diniz Oliveira de Campos
12/08/2012
Diniz
acorda hoje como sempre - pesado e cansado de mais uma noite mal dormida e cheia
de sonhos estranhos e maus, recalques, arrependimentos e desejos frustrados.
Olheiras
deitam sobre as bochechas.
De
desespero e males de amor mal esquecidos, vive mal este coração; mas um mal de
rosto jovem e alma velha.
Não
que tudo seja breu nesta realidade que Diniz abraça no vulgo, que seria até caso
de estudo para o mais temperado dos psiquiatras, fosse o caso deste nosso amigo
alguma vez ter sido ou permitido ser observado e tratado. Há contrapartidas
vantajosas.
É
portanto de grande utilidade esta realidade que, a par desta aliteração, que compreensivelmente
vos causará admirabilidade, podendo até, posteriormente, consoante vossa
disponibilidade, propor-se a prazerosa adjectividade sobre a insanidade e
irresponsabilidade que relatarei eu já nas próximas linhas, previsivelmente
recheadas de uma jogralidade a que agora eu me proponho, procurando desafiar a
vossa irritabilidade.
Acontece
que dos primeiros estilhaços de seu coração tiveram origem as primeiras letras
e notas, versos e melodias, harmonias e epifanias artísticas de Diniz, o
Infante Trovador Ostracizado da Capital.
Fosse
ou não por este acaso, ou por todas as outras mágoas similares que se lhe seguiram,
sempre que sístoles e diástoles se lhe recusaram à labuta, recusando irrigar
toda e cada uma das extremidades suas, (o que, caso o sentido destas palavras
fosse literal e não figurativo, certamente explicaria de forma muito mais
eficaz e coerente os acontecimentos que vos procuro agora transmitir após este
breve intervalo, de parêntesis dentro de um comentário lateral); sempre sentira
Diniz um pico de humores, torpores, euforias e rancores que, como a noite, lhe
tornara aguçados, vis e felinos os sentidos, também frios cruéis, ideias
variadas inspirações, enfim, criatividades para ser um pouco mais ou menos
sucinto, que isto já se sabe nos dias de hoje - as iliteracias e analfabetismos
funcionais exigem todo um reforço de ideias idealizadas que vêm da cabeça,
sendo necessário recorrer a vários pleonasmos, inúteis e repetitivos (lá está),
assim como frases auto-explicativas de coisas que em tempos idosos de há meia
dúzia de anos, não mais seriam que indício de promoção activa de nescianismo ou
pura inépcia de uma das partes do discurso, mas não mais hoje, não se vá o sentido
perder entre fuscas de moralistas, chinadas de beatificação do verbo e catataus
de passivo-agressividade digital; destarte, acabei de ganhar uma aposta aos que
declaram o meu pouco préstimo, ousando afirmar que não conseguiria prosar em
verso, incluindo neologismos e uma Saramagaiada
pelo meio de um conto funesto.
Voltando
ao nosso triste Diniz, a conclusão a que este chegou em tempos pela mão de suas
sombras pejadas pelos pontinhos de luz que são sua obra: teria de se resignar e
abraçar a dor como irmã e amiga, por amor à Arte, à sua arte. É a dor sua desbloqueadora
e fonte, permitindo-lhe ser honesto e intenso, a sua verdade intelectual e
emocional, agora expiados para telas e letras, imagens e melodias. Acredita não
ter hoje ter direito a ser feliz, se sua arte procura afinar, pois que fraca
autoridade moral teria, não podendo assim produzir as suas obras com verdade de
“v grande”; ora espera assim, quase sempre secretamente, que todos os seus
novos grandes amores de sua vida se tornem rapidamente libertinas devassas e
insensíveis. O coração partido é assim o combustível que o alimenta (desta vez,
figurativa e literalmente).
A
liberdade poética era o cárcere da sua felicidade.
É
a razão pela qual hoje, aprendeu a amar as suas dores, desfruta cada segundo enquanto
trapo emocional, antevendo horas de prazer, transformando aquelas lágrimas,
certamente rubras, a vomição da alma, cuspindo as entranhas a cada novo
vocábulo, movimento ou nota. A sua verdade é agora só uma:
“-Ser
artista é ser um profissional do sofrimento”.
É
assim o sofrimento o seu dever ético e moral, como uma espécie de doença
profissional, mesmo como um estágio profissional interminável, como aqueles a
que se destinam eternamente as jovens promessas à experiência. É o pacto que tem
com o grande público – o seu Eu poético
deveria sempre, na dúvida, ser favorecido em detrimento do seu Eu pessoal e intransmissível, invertendo
a sua relação de subserviência, ou pelo menos é este o entendimento de um primo
distante que é agora coach, um
parecer de autoridade elevada nos dias que correm.
O
nosso Trovador se convence agora diariamente que tem controlo sobre todo este
processo, ao contrário das suas primeiras crises adolescentes que, reconhece
agora, foram desprovidas de controlo, tornando-o num ser errante e vagamente
presente na realidade dos restantes mortais. É hoje ele quem conduz e manipula
os seus estados de alma, chega a se convencer muitas vezes inclusive, que manipula
e sabota propositadamente suas relações, sempre que sente sua fonte secar uma
vez mais. Não admite por isso hoje as letargias irascíveis que o assombraram em
idos anos, entre seus altos e baixos, e conduziam à inércia mais impotente. Mas
deleita-se hoje com aqueles estados depressivos e dissociativos que lhe roubam parcialmente
a capacidade de uma comunicação verbal mas não escrita, se apraz com eles agora,
se abarcando a uma produção febril e obsessiva – horas, dias – semanas! - Em
que sono e refeições viriam somente em superlativo biológico.
É
no entanto paradoxal que se recuse ainda hoje a admitir que gosta de não ser
feliz – pois se gosta de se sentir miserável, um ser destroçado e infeliz seria
algo que o compraz, realizando-o. Nada podia ser pior.
Não
pode consentir Ser-se em tão bons sentimentos. seria compreensivelmente,
contraproducente.
Já
me canso de tantos advérbios de modo. Adiante.
Apela
por isso a toda a inércia latente do seu frágil corpo, esta igual à qualquer
outro, todos os dias, de forma irremediável e inevitável, à infelicidade –
quase como um caminho fastidioso e diário para um escritório enfadonho, retido
por um trânsito mais aperreador ainda - é esta a sua demanda, para gáudio de
uns, horror de outros, todos que se lhe abeiram. Não o demove isto,
evidentemente, da sua obsessão pela miséria emocional, muito pelo contrário! –
Jubila prazenteiro com a incompreensão alheia, chafurdando em autocomiseração
adoçada pela cadência dos fonemas que o assaltam, ousando assim crer que faz
justiça aos grandes poetas e artistas de antanho:
“ – Se me fazem feliz dar-me-ão um
grande desgosto. “
Podemos
nós pensar: esta luta, infindável até ver, todos os dias o assalta e pode evidenciar
um combate com traços dramáticos - os seus dois “eu’s” (talvez os três?) num combate tão eterno e épico como o de Hórus e Seth, mito muito engraçado que
no Egipto Antigo explicava a alternância entre dia e noite; deviam ser bons
tipos pois gostavam de gatos; mas não pode tudo isto ser mais desinteressante e
enfadonho a qualquer observador: pontualmente apenas Diniz perdia o controlo e
exteriorizava suas emoções; em todo o restante tempo quando não estava a
criando, se comportava como uma concha vazia e olhos ausentes.
Todos
os dias enquanto este pastelão de alma temperamental acorda, bebe os seus chás primeiro,
alonga o corpo e toma por fim o seu pequeno-almoço, ruminando-o, e pensa em si,
no seu estado e sua arte - é evidente que se encontra num ciclo complicado de
quebrar -Tão miserável como cómodo. Mudança exige outro tipo de coragem: uma
ousadia que, suspeita, não traz consigo em todo aquele excesso de sentimentos, formação
e carácter.
Respirava
agora fundo.
Pela
cortina passam recortes de luz amarelada e quente que acariciam aquele rosto
com barba de três dias.
Um
sorriso triste e melancólico incomoda o rosto ainda hirto do sono, parecia
feito de gesso.
Pensa
em tudo isto e em nada.
Sentado
naquela sala desarrumada, os olhos vítreos revelam que uma viagem muito grande
acontecia ali atrás.
Agitando
a cabeça como que a afastar uma mosca incómoda: -Intimamente Diniz sabe, não
desapareceu ainda o seu sonho infantil - uma felicidade plena e livre, amor completo
e eterno; desconfia que este é provavelmente o último traço reminiscente de uma
inocência e ingenuidade que julga agora perdida há muito.
Só
alguém muito especial, a existir, será capaz de o resgatar daquela vida,
quebrando o ciclo, convertendo-o aqueles processos internos. Duvida hoje que
essa pessoa exista. Tampouco acha que seja justo para alguém que não ele ter
aquela ingrata tarefa.
Está
hoje já certo de que até ao fim dos seus dias será um D. Quixote lusófono; que
cantará para moinhos a quem amará como amara o de Cervantes à sua doce Dulcineia,
no entanto mesmo os moinhos inevitavelmente lhe quebrarão o coração, trocarão também
sempre por homens mais abastados e dados a prazeres mais efémeros e profanos.
De
certa forma não se importava demasiado em procurar e experimentar bastante por
uma Dulcineia sua, pudesse esta estar quem sabe, disfarçada de moinho;
espectativa era sempre a mesma: a próxima será a tal, ainda que o preço da demanda lhe custe uma alma em fiapos e
vários exames médicos, pelo sim pelo não, que as carnes sendo fracas, são ainda
fortes o suficiente para adormecer, fugazmente é certo, as dores da saudade de
outras almas desconhecidas; não se negam por isso boas carnes alheias, não só
porque ofensa cruel esta seria, também danos e recalques afrontaria a almas sensíveis
carentes; aplacando assim o remorso vê-se Diniz como um serviçal do bem-estar
social feminino, uma Misericórdia lírica, não procurando no entanto nenhum de
nós os dois ofender ou conflituar com a respeitosa e mui importante instituição
da Igreja, até porque justo não seria para nenhuma das partes.
O
Sol poisava agora por quase todo o seu corpo enchendo-o de conforto e um
sentimento sonolento de paz podre, onde apenas os pés frios ainda na sombra o
prendiam à Terra distante de seus pensamentos.
O
consumo da carne é também para Diniz limpeza do espírito e das vontades: se por
um lado o desejo é preciso qual inspiração divina à criação, não é menos
verdade que desejo longamente inibido tolda o discernimento – ao suprir a carência
das actividades anatómicas recreativas de auto e interdescoberta, o espírito e
a mente mais facilmente conseguem compreender o que realmente lhes interessa e
agir mais sábia e incisivamente, pois é sabido que é complicado ao homem cruzar
as pernas sem que se lhe aperte também o cérebro.
Sim,
tudo isto que vos conto é resultado de sinapses recorrentes e diárias do nosso
herói trovador e jogral ao despertar, por consequência ainda os lábios não
tocaram o primeiro café da manhã, já se encontra deprimido e cansado. Mas ele agora
sabe. Diniz deseja real e intimamente a felicidade, liberdade e amor correspondidos.
Mas
perderia, crê ele, o valor e dom da sua arte.
Na
sua mente isto passou-se. Seguiu-se vazio. Cãibra mental.
O
sol cobriu-se por uma pequena nuvem passageira, deixando um frio abrupto na
pele que até ali iluminava.
-“Nuvens
no me caminho? Apanho-as todas, um dia faço algodão doce para o Meu Coração…” –
disse baixinho, sorrindo amargamente, sentindo-se estúpido, imbecil.
Limpando
da barba o resto das migalhas do pequeno-almoço, deixa-se cair no sofá, em
menos de um minuto está a dormir, enquanto uma lágrima do olho esquerdo
escorria para o forro de pano deixando uma pequena marca que ninguém nunca
veria. Sabemo-lo nós pela minha condição omnisciente e meta-linguaruda e é
apenas um pormenor sórdido que achei por gosto indicar, sem quaisquer
consequências.
Haviam
decorrido anos intermináveis, sentia agora Diniz, entre a adolescência e a
agora sua provecta e cansada idade de vinte e cinco anos, que lhe concediam já
a licença para afirmar categoricamente e com propriedade vários assuntos, a
maioria dos quais de coração, mas não de cardiologia. Ignora porém, muito mais
do que gosta de admitir.
Sem
saber que a sua odisseia ainda nem a meio vai, sonha agora com uma mulher sem
rosto e um sorriso do mais belo que já viu, doce, alegre e calorosa, carinhosa
e companheira, um corpo fantástico e guloso sem forma, correndo ao seu lado por
dias solarengos em campos, florestas e praias.
Quando
acordar vai odiar-se por isso. É um sonho quase palpável; o desespero tomará
conta daquela mente sensível quando os pormenores se escorrerem da memória como
a água entre os dedos.
Babava
agora a camisa do pijama.
Escrito
assim, fica bonito.
Clopin
da Maia
31/08/2020

Há coisa mais cliché que os passarinhos a chilrear pela manhã aos primeiros raios de Sol...
Darwin had a point, But not so much.
Pirosos.
Homero de Vaz Pessoa
26/09/2018
Lobotomia a cada dia, não sabe o bem que lhe fazia:
Se a uns confere alegria,
A outros sabedoria,
Ou mesmo sagrado silêncio,
Língua vazia, sem fel, magia,
Dispensa a torcida na confraria,
E a soberba que enoja e arrepia!
Assim, babando com bonomia,
Magnânima vontade de bons dias,
Se ama parca existência,
Fogos-de-Artifício e bonitas artes,
Passeios, belas paisagens, o Sol - o Mundo!
Ignora no entanto
Humores, egos e demais génios,
Benefícios e tricas reles,
Ridículas existências,
Idiotas e imbecis,
Ignaros e Fanfarrões,
Só importam pratos e colchões,
As fraldas e as comichões!
Ahh.. assim deve ser..
Felicidade!
Isso é que era.
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse
13/01/2018
Uma esplanada de café
Radiante, Vila Costa
Sol escaldante de Verão
Espero pela escassa brisa
Entre o café e Beirão
Ofuscantes corpos suados
Morenos e sedutores são,
Passeiam livres, nus sem pudor,
Penso logo, tentação!
Destes há para todos os gostos
Queimados por Deus Sol, nosso Senhor!
Desfilam numa provocante marcha
Impossível disfarçar o torpor!
Corpos belos e cheirosos,
Quiçá a água do mar
Invocam primitivo instinto
Difícil de controlar
Iluminado o caminho
Belo mar atribulado
Em fio dental e biquíni
Como não olhar entusiasmado?
30/06/2008