terça-feira, 1 de setembro de 2020

Tijolo

Esse pedaço de barro só, cozido

Quebrado, acabado esquecido 

Foi já, porção de tudo

Hoje perdida esperança, do nada 

Tijolo, só sumido


Bastaria então sonhar...


Aquela promessa um dia certa 

Por diversas letargias se perdeu 

Às perguntas díspares o tempo, temo 

Espaço má fortuna lhe rendeu 


Resta então sonhar.


Como às névoas do nada se forçou 

Obrigado à não existência, não ser 

Amarra hedionda, o estancou

Foi muito mais prova, que poder 


Poderia então sonhar;


Nada foi na verdade, de facto, 

Esquecido bloco de barro, perdido, 

Estilhaçado, no acaso e fortunas não gentis, 

Sem pedreiro, Fado forte, mau 

Sem cuidado, falso pedido sentido,

Que a toscos apelos, não acudis 


Deve então sonhar.


Lhe bastaria a Ele porém, 

Papel discreto neste Monstro Sacro-Sinistro, 

Cruel, sem sentido, mas ajudar poderia a erguer

Não fosse que Pedreiros e ministros 

Cedo o destinaram, a não Ser 


Satisfaz então sonhar... 


Pode então agora sonhar,

Mármore, talvez tornar...

Ganharia relevos, frescos, 

Talvez sair, viajar... 

Vultos maiores edificar 


Obriga-se agora sonhar... 


Esse pedaço de barro só, cozido

Aquela promessa um dia certa, 

Obrigada à não existência, não ser; 

Lhe bastaria a Ele porém, 

Então sonhar: 

Vultos maiores edificar. 


Vamos então, sonhar.


Diniz Oliveira de Campos 

12/08/2012


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