Esse pedaço de barro só, cozido
Quebrado, acabado esquecido
Foi já, porção de tudo
Hoje perdida esperança, do nada
Tijolo, só sumido
Bastaria então sonhar...
Aquela promessa um dia certa
Por diversas letargias se perdeu
Às perguntas díspares o tempo, temo
Espaço má fortuna lhe rendeu
Resta então sonhar.
Como às névoas do nada se forçou
Obrigado à não existência, não ser
Amarra hedionda, o estancou
Foi muito mais prova, que poder
Poderia então sonhar;
Nada foi na verdade, de facto,
Esquecido bloco de barro, perdido,
Estilhaçado, no acaso e fortunas não gentis,
Sem pedreiro, Fado forte, mau
Sem cuidado, falso pedido sentido,
Que a toscos apelos, não acudis
Deve então sonhar.
Lhe bastaria a Ele porém,
Papel discreto neste Monstro Sacro-Sinistro,
Cruel, sem sentido, mas ajudar poderia a erguer
Não fosse que Pedreiros e ministros
Cedo o destinaram, a não Ser
Satisfaz então sonhar...
Pode então agora sonhar,
Mármore, talvez tornar...
Ganharia relevos, frescos,
Talvez sair, viajar...
Vultos maiores edificar
Obriga-se agora sonhar...
Esse pedaço de barro só, cozido
Aquela promessa um dia certa,
Obrigada à não existência, não ser;
Lhe bastaria a Ele porém,
Então sonhar:
Vultos maiores edificar.
Vamos então, sonhar.
Diniz Oliveira de Campos
12/08/2012
Sem comentários:
Enviar um comentário