sábado, 9 de janeiro de 2021

Inverno

 Madrugada de Fim-de-Semana 

Levanto cedo recordando 

Há tanto por fazer

As árvores sussurram à brisa gelada 

E a primeira luz dourada 

Pinta e aquece o gelo do chão 


O perfume do café da manhã  

Aquece a alma,

 letárgica, irascível sonolência


Os sentidos só aos poucos despertam 

 Agora já o sol mais alto

Claro-escuro, quente e gelado 

Acentua o frio que trago ao peito 



Enquanto o sol levanta 

Aquece o dia 

Quero o sol 

Quero a lua 

Quero gritar no meio da rua 


Raio de sol minha esperança 

O futuro não se faz da lembrança 

Quero o calor e quero a luz 

Este frio não me seduz


Vou em viagem rumo ao sol 

Quem conduz? 



Diniz Oliveira de Campos 

05/06/2013



sábado, 2 de janeiro de 2021

Idiossincrasias

 As idiossincrasias de hoje são as promessas caídas do amanhã. 

Pensem nisto. 

Namastê.


H.V.P.

14/09/2018

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Conversas

 -Hei, Tu!

-Quem, Eu?

-Não, Tu!

- Foi o que perguntei, Eu?

-NÃO! TU!

-Ah, TU!

-SIM! PORRA, estava a ver que não!

- Que foi, afinal?

- Falta-te um botão!

- E tanta coisa para isso? Falta-me um botão?

- Sim! De nada já agora!

- Não tenho nada para te agradecer, uma estupidez dessas!

- Mal agradecido!

- Não, tu é que és mal-criado!

- Como?!??!

- A dizer porra, e palavrões desse género!

- Só uso do venáculo como força de expressão, e de qualquer forma a culpa é tua, tu é que és lento das ideias..

- Lento o tanas!! Vens-me dizer que me falta um botão, quando estou nu!

- Então, mentira não é, falta-te um, é verdade, mas se querias que eu fosse mais preciosista podia ter-te dito que te faltam vários!

- Vai-te fo..

- Quem é mal-criado agora? Além de grosseiro ainda falas para as pessoas enquanto estás todo nú! Que grosseria!

- EU NÃO FALEI PARA NINGUÉM, ESTAVA CALADO, TU É QUE ME INTERROMPESTE!!

-Interrompi? Mas se não falavas para ninguém..

- Interrompeste o meu acto inteligente de estar calado!

- Então cala-te lá à vontade, e continua a passear-te por aí todo nu, em todo o uso da soberba e exibicionismo! Lemnbra-te só disto - falta-te um botão!

- Vai pastar!! Estou nu!!

- Pois estás...

- E dizes que me falta um botão!?

- O que torna tudo ainda mais triste...

- Triste és tu!!

-Não me parece..

-  Tu levas!

- Não é boa ideia..

- Porque não, olho à belenenses!

- Saltava à vista, mas não aconselho..

- Porque não?

- Vais-te magoar...

- Magoo-te a ti!

- E a ti no processo..

- Olha.. que barulho é esse aí nas escadas?

- ...

(ruídos)

- Lá em cima, por favor! Há horas que não pára de discutir com o espelho!



”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse

07/01/2018


quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Natalidades

 Os abanicos da perversão

Não esperam a assertividade da ocasião,

Nem as calorias da digestão, 

Preferem faisão ao omegado salmão,

Recheiam um perú em vez do coração, 

Enfiam recheios manhosos na consolação, 

Estragam vísceras puras porcas,

Sem quê nem senão. 

Vou mudar o disco,

já cansei de rimar em ão. 

Ão. 

Estas festas, ridículas, 

São decências perversas

Obscenas de perdição,

Perdem-se nos significados

Dos versículos, fascículos,

Podres de ocasião, 

Não mais que manuais de instrução,

Recibos de devolução,

Hipocrisia sedenta de atenção seca, vazia

Espermicida, prostática, crocodilagens,

Pro-estáticas, inertes, imberbes,

Contaminando intenções e emoções jovens,

Imaturas, inocentes, ainda decentes, 

Significados vazios que passam a ter,

Significância por si. 

Os torrões de Alicante, 

Se confundem com Broas castelar, 

O pior ainda, 

É a selva de loiça para lavar, 

Indivíduos estranhos, 

A ressonar, 

Pelos púbicos públicos no teu ralo, 

Cheiros suspeitos nos teus lençóis, 

Bibelots chineses despedaçados, 

Suores cansados, 

Mares de cachecóis, 

Alambazamento desse comum sangue,

Sarnento. 

Ahh.. Já só faltam 363 dias. 

Tragam-me um café. 

Alfinetes.


Júan João Bernardo -  O Cavaleiro de Pau do Apocalipse 

24/12/2018

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Estafermos Cantantes

 Nunca eu cantaria se um dia não ouvisse o chilrear dos cucos. 

Cantaria um dia sim, ao palpitar dos roufenhos melros -  pululantes, estafermos angustiantes, belos, errantes. 

As amálgamas da existência podem observar-se na sombra das aves. 

E nas aves está a verdade da existência. 

Essas são as verdades escondidas. 

Pensem nisto. 

Namastê.


Homero de Vaz Pessoa

11/09/2018

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Estou Cansado

Nasce o dia nesta arena 

No cenário habitual 

Sozinho enfrenta as feras

Num combate desigual 


Neste assalto à queima-roupa

Armado com um pau 

Procura ficar erguido 

Procura ser o tal 


E joga tudo o que tem para jogar

Que neste jogo perder é ganhar

Resignado, chama no olhar 

Respira fundo


ESTOU CANSADO!


E dos lábios gargalhada cruel

Sádica espera, faz-te acreditar 

Nessa estranha força que te faz respirar 

Fechas os olhos, clamas pro céu

E tomas o teu lugar! 


Ao cair da noite ja roto e esfolado

Por um objectivo nunca alcançado

Verdade cruel de que tentas fugir 

Esperneias e lutas e não consegues sair 


E amanhã tudo se repete 

Te arrastas à arena já sem saber  se sais 

Ciclo vicioso que nunca promete 

Vida sufocante de todos os demais 


E dos lábios gargalhada cruel

Sádica espera, faz-te acreditar 

Nessa estranha força que te faz respirar 

Fechas os olhos,  clamas pro céu

E tomas o teu lugar! 


E joga tudo o que tem para jogar

Que neste jogo perder é ganhar

Resignado , chama no olhar 

Respira fundo


ESTOU CANSADO!


E dos lábios gargalhada cruel

Sádica espera, faz-te acreditar 

Nessa estranha força que te faz respirar 

Fechas os olhos,  clamas pro céu

E tomas o teu lugar!                                                        


ESTOU CANSADO!


D.O.C.

02/03/2009



quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Deus Responde a Nietzsche

 As máscaras de Nietzsche têm por vezes elásticos poderosos. 

As marés são isso mesmo. De longe a natureza da Lua se revela, mesmo a do seu lado oculto. 

Não vemos, mas sentimos. O tempo é amigo. Soberano. 

"E se...?" é sempre um pensamento interessante e por vezes até divertido. 

Subversão, perversão de algibeira são pequenos tudo-nada que regozijam almas.

Pervertamos outro pensamento do cavalheiro supracitado:

"Nietzsche está morto." 

Chupa Friedrich! 

Bom dia camaradas! 

Cuidado com a coluna vertebral e as picadas nas costas. 

Gravilhas miúdas no calçado.


”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse

14/07/2019


terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Dia-a-Dia

 No comboio estremunhado

Tu acordas mais uma vez

Esperas ver tudo  mudado

Bocejar de quando em vez


De manha os vagões compostos

Gente esperta ainda a sonhar

A sonhar um dia diferente

Que vão poder guiar

 

Prisioneiro do dia-a-dia

Que te alicia, faz-te arrastar

Por ócios cómodos e fúteis

Que te fazem amarrar

 

Não

Não deixes, Não

Te arrastar, Não

De resistir, Não

De respirar, Não

De sair, de acordar, de fazer,  de avançar, e de ser, de sentir..

 

E à tarde já derrotado

Cansado deixas-te cair

Cabisbaixo, apático, frustrado

Disfarças tentando sorrir

 

Como é que isto não tem fim??

Eu conto-te, isto é assim

Tu vives fechado num cerco

Do qual tu queres sair

 

Não

Não deixes, Não

Te arrastar, Não

De resistir, Não

De respirar, Não

De sair, de acordar, de fazer, de avançar, e de ser, de sentir..

 

D.O.C.

04/04/2009

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Gente de Desconfiar

 Desconfiem de toda a gente que não assume que também tira macacos do nariz. 

Glória e Chá. 

Pensem nisto. 

Namastê.



Homero de Vaz Pessoa 

06/03/2019

domingo, 20 de dezembro de 2020

Gordo Gato

Gordo gato, gato gordo

Que pateia o passeio, passeando

Um miado, rugido

Que mais não é, cantando,

Protesto de quem procura,

Bem alto dizer, falando

Mas segue, miando.

 

Mia o pêlo,

Tratado com zelo,

Mia bigodes,

Charmoso és,

Bem sabes que podes,

Mia Pantufas,

Almofadas fofas, robustas,

Quando te chateiam

Com eles assustas,

Miados gostosos,

Bigodaça frondosa,

Figura dengosa

 

Furioso sindicalista do afecto,

Passivo-agressivo compincha

Passas por qualquer frincha

Vira-lata com porte imponente, selecto!

 

Preguiçoso ocioso

Selvagem vadio,

Mas nobre no porte

De rabo em pavio

Não te bastam as vidas

És um desgraçado com sorte

 

Gordo gato, gato gordo

Que pateia o passeio, passeando

Um miado, rugido

Que mais não é, cantando,

Protesto de quem procura,

Bem alto dizer, falando

Mas segue, miando.

 

 

”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse

20/01/2020

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Ódios

 Não me culpem por odiar as pessoas.

Responsabilizem as pessoas por tornarem possível serem odiadas.

Pensem Nisto.

Namaste



H.V.P.

05/03/2019

domingo, 6 de dezembro de 2020

Chatice

 Dr. Homero, 

Vossa Exa. passou anos a queixar-se da sua, agora ex-mulher, que era uma criatura muito aborrecida, julgo, chata para caraças. 

Terá isto alguma relação com o que me chegou ontem ao conhecimento (não tive oportunidade ainda de aferir) sobre a Exma. senhora padecer neste momento de uma verdadeira praga de chatos? 



06/12/2020

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Onde Estás?


Sozinho no Estio 

Num quarto Vazio

Espero naufragar

Em hora por marcar

 

Com frio e  sem fado

Um bote reparado

Não consigo passar aquele cabo

Quero ir além mais um bocado

 

E há tanto por fazer

E há tanto por fazer

E há tanto por fazer

E há tanto por fazer

Não quero partir sem te encontrar

Não quero partir sem te encontrar

Quero-te sentir

Diz-me por favor

quem és tu

e Onde estás?

 

Com o Horizonte cinzento

E perdido o Norte

Nem marés nem vento

Disputando a morte  

 

Não permitir que a vida me dê capote

E subindo esta muralha

Eu vou tentar a minha sorte

 

Caminhos incertos

Encontros secretos

 

E há tanto por fazer

E há tanto pra recordar

EHá tanto por olvidar

Quero-te sentir

Por favor onde estás

Onde estás?

 

Com olhos cerrados

Camisas fechadas

Não há alma, nem fraldas

Sem toque nem beijo

São sonhos usados

E mal lembro o desejo

 

Não olho a copa

Mas quero jogar

Alguém que por gosto

Se deixe ficar

 

E há tanto por fazer

E há tanto por fazer

 

Onde estás, não te vejo

Oh, em promessas eu já nem creio

As Tuas formas na sombra do passeio

De outra forma nem me sinto inteiro

Só te quero tanto ter

Saciar essa fome em viver

Onde estás

 

E assim cá ando armado aos cucos

Perdido e só no quarto sem saber

Quero-te conhecer

Dá-te a ver por favor

Quem és tu?

E Onde estás


E assim cá ando armado aos cucos

Perdido e só no quarto sem saber

Não sei mais onde procurar

vem-me cá buscar

Dá-te a ver por favor

Quem és tu?

E Onde estás


E há tanto por fazer

E há tanto por fazer

 

Onde estás, não te vejo

Oh, em promessas eu já nem creio

Sonho contigo acordado

Loucos desejos cheios de pecado

Quero-te conhecer

E saltar e viver

Onde estás


E há tanto por fazer viver

Deixa-te ver

Quem és tu

Onde Estás?


E há tanto por fazer

Diz-me quem és tu

E onde estás

 

Diz-me quem és tu

E onde estás 

Saciar essa fome em viver

Onde estás?


D.O.C

03/12/2013

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Outono

 As noites prolongam-se nas manhãs que esfriam. 

Os dias estreitam-se no sol que esconde. 

Caem folhas. O sol se abeira a sul.

Promessas de gelos molhados, ventos rasgados. 

Outono chegado, promete morte, fogo purgante, 

em gelo cortante. 

Enfim... a fita-cola da vida. 

Transferidor

Pensem nisto. 

Namastê.



Homero de Vaz Pessoa

13/10/2018

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Um Rasgo na Rua

Um rasgo na rua 

Bem alto ao luar 

Não sei mais que fazer

Mas aqui não consigo ficar 


Avanço lentamente 

Passo a passo 

Pareço recuar 

Cada partida uma incerteza 

Em cada avanço uma derrota na certeza 


Sozinho canto e grito 

Bato em força na parede

Na parede que não mexe, só implacável e fria

Que em mim basta para me bastar


Sozinho canto e berro 


Quando em minha frente um anjo 

Sem ter asas por abrir 

Mas para que voar tão alto 

Se daqui não se faz sentir 



No final já ao crepúsculo

Lembro o que sou e não fui 

De quem é a culpa, e quem ma roubou 

Para o inferno sozinho eu vou


Em mim revolta pura 

Paralisante incompetência 

Ai de mim se paro agora 

De mim não deixo vivência 


Um rasgo no meio da rua 

Aqui bem alto ao luar 

Não sei mais que fazer

Mas aqui não consigo ficar 



D.O.C.

12/08/2012


segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Porquê?

Hoje acordei

mas não nos encontrei

que posso fazer?

não tenho mais a perder

e nem sei como..

nem porquê..


Sinto falta do teu olhar

dos teus lábios

da tua pele

do teu cabelo

do teu cheiro..

O teu sorriso..


O teu sorriso ..

O teu sorriso ilumina a alma

e tudo o que se consegue ver

e..

nada mais há que eu deseje..


E em sonhos

revejo o teu olhar..

Sim.. aquele..

que fui dos poucos que o vi chorar..


Pouco ou nada me resta..

Porquê? ..


D.O.C.

20/05/2008


quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Aforismos

 Os Aforismos dos Amanhãs que cantam, 

Cantam menos que as melodiosas Pastiche das noites, 

Prosopopeias infelizes das existências

Aliteram aliterações aliterantes

Ratos, cisnes, paquidermes delirantes, 

Metáforas caídas dos anjos, 

Também os eufemismos frustrantes, 

Hipérboles esmagadoras,

Que se Gradam nos estivais invernos...

Irónico... 

Perífrases destas, facilmente são singularidades... 

Metonímias de respirações

Encarquilhadas não deixam cão, 

Sanguessuga, vilão, 

Mostrar seu coração.

É(são) sinédoque(s) senhor(es):

-PORRA! 

Pensem nisto. 

Namastê.


Homero de Vaz Pessoa

30/07/2018


terça-feira, 24 de novembro de 2020

Garotas Ah Ah

Garotas Ah ah

Vocês não sabem o que são

Garotas Ah ah...

 

Garotas Ah ah...

À tardinha, encostado

Entorno jola em todo o lado

E sonho acordado

 

Garotas Ah ah...       

Sentadas ou de pé

A exibir, sua razão, sua fé (entra teclas)

 

Garotas (Ah ah...) (entra coro)

Vivendo em liberdade

Simpatizam com a Homossexualidade

 

Garotas (Ah ah…)

Aos Domingos os Namorados

Para o parque de Monsanto Agarrados

Comem pevides e tremoços descascados

 

Garotas Ah ah (vozes)

Vocês não sabem o que são

 

(entra banda)

 

Garotas Ah ah…

Sonham vir a ser modelos (Garotas Ah ah)

Também por isso gostam de nos ver a arrancar o pêlo

 

Garotas Ah ah

Gulosas por naturalidade

(Garotas Ah ah)

Desastrosas para a contabilidade

 

Garotas Ah ah...

As vaidosas ao despique

(Garotas Ah ah)

Em repouso, com gripe...

Assim explicam, a celulite

 

(Garotas Ah ah...)

Fadistas naturais

(Garotas Ah ah...)

São elas... as tais!

Que ao amor... aspiram a mais!

 

Garotas Ah ah

Vocês não sabem o que são

Garotas Ah ah…


Garotas Ah ah…

Procurando uma imagem

Encharcam-se em maquiagem

 

(Garotas Ah ah…)

Para se exibirem a quem passa

A cara enchem com argamassa

 

Garotas Ah ah...

Joias de Cristal

Vivem na busca d’O Tal

 

(Garotas Ah ah…)

São uma tentação

Seres odiosos que nos partem... o coração

 

(Garotas Ah ah...)

Bonitinhas de seus pais

Desfrutando prazeres carnais

 

Garotas Ah ah...

Mentalmente superiores

(Garotas Ah ah...)Desprezam os seus valores

 

(Garotas Ah ah…)

Cânones de beleza

Cabecinhas de incerteza

 

(Garotas Ah ah...)

No passeio comentando

(Garotas Ah ah…)

Más linguas, criticando

 

instrumental

 

Garotas Ah ah…

São quem responde ao meu apelo

A minha vida fazem num pesadelo

 

Garotas Ah ah…

Refasteladas no sofá

Dizem pra ti: Opah! Não há!

 

Garotas Ah ah

Vocês não sabem o que são

Garotas Ah ah...

Garotas Ah ah

Vocês não sabem o que são

Garotas Ah ah...

 

- E tu, sabes?

- Sei

- Então diz lá!


Garotas Ah ah


”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse

11/09/2008


segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Terraplanistas

 Só há uma maneira de resolver a questão dos Terraplanistas: terraplanando-os.


H.V.P.

08/02/2020

domingo, 22 de novembro de 2020

A Fuga em Ti

 Podes Fugir 

Podes correr 

Podes fugir 

Não te podes esconder 

Esta força a sentir 

Faz-me apetecer 


Quando acordo penso bem 

Vivendo longe de mim 

Um ser invisível 

Que constrói um mundo assim 

Sem nada a perder 


Um dia à minha beira 

Outro dia sem ti 

Procuro, sinto, grito 

Por quem não esqueci 


E tu fazes-me bem 

E eu sinto-me bem 

E tu tratas-me bem 

E eu faço também 



 

D.O.C.

14/08/2012


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Cabelo

 Os vazos capilares são aqueles onde o pessoal anda agora a plantar cabelo.


”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse

05/05/2020

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Fundações

 Casas lindas, fundações podres. 

Conquistas belas, doces frustrações.

Sapatos podres, sebosos, descascados no alpendre, lembram-nos: a falta de memória é um freio na decência. 

Borboletai ociosamente, cidadãos.



H.V.P.

01/12/2019

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Hoje Mal Sou Homem.

Frustração


Hoje mal sou Homem.

Hoje mal sou nada.


Eu tenho um amor.

Sim, eu tenho um amor.

Aliás, encontrei O Amor.

é arrogante,mas sim,

encontrei de facto, o Amor.

 

Um Amor forte,

um Amor envolvente, quente

como a cratera de um vulcão

enche-me de ar quente o coração.

Sim. Esse amor.

Forte sedento, faminto e doente

que me não permite que em mais algo pense,

de tão quente, ardente, com o qual choquei de frente.

Amor que me capturou.

 

Capturou no primeiro olhar,

no primeiro sorriso,

no primeiro toque,

 no primeiro beijo..

 

Mas hoje mal sou um Homem.

E estou à beira de perder

o meu grande Amor.

 

Um amor, não, O Amor,

que me fez e faz feliz.

Sim, eu encontrei o Amor que me faz feliz.

Um amor com quem rio e choro,

 a quem mimo e por quem grito,

beijo e aperto,

sempre certo, que longe ou perto,

a minha energia lhe é dedicada,

em cada frase, em cada pensamento,

em cada suspiro, em cada carência,

em cada palavra.. e letra..

 

Sim, toda a energia

que me percorre e liga,

é oferenda a esse amor.

Ao amor.

 

Mas hoje mal sou um Homem.

E estou à beira de perder

o meu grande Amor.

 

O Amor é Doce,

O Amor faz bem,

O Amor é companheiro.

O amor é fogoso e quente,

um carinhoso delinquente,

que me dá de presente

todo o seu Ser,

encontrando-se ao meu lado,

lutando, acreditando em mim,

sem que aparente

esse cansaço evidente,

que conspira qual serpente

e que mesmo ainda sentindo,

o faz esmorecer, ainda assim.

 

Sim eu tenho um amor- O Amor.

Que amo, sem fim, louca e apaixonadamente.

Perdida, inconscientemente,

incondicional e doentiamente.

 

Hoje mal sou um Homem.

E estou à beira de perder

o meu grande Amor.

 

Nunca assim antes amei.

e por isso sei,

último amor este para mim será,

e apenas ele tem lugar cativo no meu coração.

De que tem ele a chave, a licença e alvará,

O próprio Amor maior é  que o coração.

E se por minha infelicidade,

me for levado de arrastão,

coração, esse, irá com ele

 

Pois eu hoje mal sou um Homem.

E estou à beira

de perder o meu grande Amor.

 

Coração não vive sem Amor.

E sem coração não vivo eu,

Tanto que a ideia só

me gela os ossos,

que  implodem em chamas de agonia

angústia inerte que me cravam o peito

adagas de prata,

que me esventram e contorcem as entranhas,

me entorpece os joelhos ,

gemendo como velhos,

e no final, já pútrido,

olhando em redor,

imagino réstia de pó,

desfigurado resquício de quem já ali viveu.

 

Perco a razão.

O pouco Homem ainda em mim

se faz concha oca em ruínas

que o vento e a terra ajudam a apagar e esquecer,

no fim..

 

Assim a ideia de viver sem o Amor,

me é tão dolorosa,

 

Sim eu tenho O Amor.

e por ele tenho todo o meu Amor.

Porém não basta.

E a culpa é minha.

 

O meu amor não chega,

Doente, me sinto,  impotente;

frente ao medo, fel, maldito,

traiçoeiro e assassino,

coveiro.

 

Chagas em azeite fervido,

é o que sinto uma vez lido,

agonia e arder sentido

Pelas palavras do meu Amor,

"preso dentro de si,

onde tudo lhe dói e tudo é escuro".

 

Hoje mal sou um Homem.

E estou à beira

de perder o meu grande Amor.

 

Frustração.

Raiva e revolta.

Desespero, fadiga,

auto-comiseração,

cobardia,

inutilidade impotente.

Anarquia emocional,

roleta russa de sensações e humores.

 

Assim observo

 um futuro cada vez mais distante

que temo eu que seja inexistente

sem forças ou mais recursos,

que me permitam acreditar.

 

Sim, eu tenho um Amor.

E para meu desespero,

tudo isto o atinge.

Revolta, frustração.

 

Não, o meu Amor nada disto merece

faço do meu grito , meu choro,

minha prece,

pelo meu Amor.

 

Hoje mal sou um Homem.

Hoje mal sou alguém.

E o meu Amor merece um Homem,

Um futuro.

Merece esperança.

 

Mas hoje mal sou um Homem.

E estou à beira

de perder o meu grande Amor.

 

As lágrimas

que ensopam este texto

E esfarelam estas folhas,

não redimem, nem corrigem

o mal que faço ao meu Amor.

O tremor da lapiseira

não me absolve nem resolve,

a dor do meu Amor.

 

Hoje mal sou um Homem.

E estou à beira

de perder o meu grande Amor.

 

Em todo este turbilhão,

vacilei,

Com o meu Amor.

Devia ter comprado luzes,

barreiras, parquímetros,

cancelas, colado cartazes,

gritar ao mundo, na rua,

bem fundo, que aquele lugar,

no meu coração é único,

está reservado e é vitalício,

do Meu Amor.

E ainda assim,

Só ao Meu Amor

mo faltaria provar.

E não o posso censurar.

 

Hoje mal sou um Homem.

E estou à beira

de perder o meu grande Amor.

 

O meu amor ralha-me.

O Meu amor grita-me.

O Meu amor chora, implora,

abraça e beija-me.

O meu Amor desespera

ao ver-me assim.

 

E eu ralho de volta ao meu amor.

E eu grito de volta.

E pior,

Grito por duas razões,

grito de discordâncias.

sagaz, picante e arguto arrufo,

feroz, fiel, frontal e duro,

como devem ser aliás,

os de todos os Amantes rubros;

Mas pior, doloroso e fatal grito

grito por concordar com o meu Amor.

 

São-me gritadas verdades,

verdades que não gosto de ouvir.

Escuto verdades que,

durante anos não quis ver.

Observo verdades que

durante anos não quis ouvir.

 

E revolto-me -

Não com o meu Amor -

comigo!

Por  tal estupidez,

tacanha e ingénuo,

lógica primária,

bonacheirão imberbe e ignorante.

 

Quando grito ao meu Amor,

Grito para mim.

Quando insulto, insulto-me a mim.

Digo ao meu amor, gritando,

aquilo que de mais desprezível e terrível,

sei que tenho em mim.

E não me orgulho.

Fico doente, parto tudo.

Apago.

Horrorizado com tão vil pecado.

Proferi insultos que me eram destinados,

ofendendo o meu Amor, estando sempre ele do meu lado.

 

E choro.

Como me converti em tão hediondo diabo?

 

O meu Amor ajudou-me a olhar o meu passado.

O meu Amor fez-me olhar para mim.

E não gostei do que vi.

Observei um espectro de mim outrora,

hipnotizado, olhando um passado,

ora focado, ora desfocado.

 

E por isso hoje mal sou um Homem.

E hoje estou à beira

de perder o meu grande Amor.

 

Passado, assumido,

nada esquecido, ferido, saudoso

tristeza tenho,

que a falta de remorsos.

de felicidade tonta e despreocupada,

que não existiu,

descomprometido com a vida e um distante futuro

me torne tão difícil de esquecer,

de querer viver melhor o presente

para me tornar uma pessoa melhor.

 

Saudades do que nunca fui,

impedem-me hoje de Ser.

 

Sou hoje

pior pessoa que outrora.

 

Hoje mal sou um Homem.

E estou à beira

de perder o meu grande Amor.

 

Reflectindo,

Sim.

Com medo de um futuro,

inexistente,

procuro no passado,

passado,

um conforto que nunca tive,

de memórias felizes que nunca tive.

Mentiras.

 

Procuro conforto,

no passado,

pessoas do passado,

que apenas por o aparentarem,

mantenho a ilusão de que ainda hoje o são.

 

Desperdiço o presente

em nome de um passado que mal existiu,

e cujo presente já não existe de todo.

 

Tornei-me um servente.

Um tonto, crédulo.

Ao serviço de todos os que,

dentro das minhas limitações

consigo servir.

Só durante.

Um afago no ego,

sem graça, significado

ou valor.

 

Não dei conta.

No velho hábito, por hábito,

Servi o hábito,

sem servir o meu Amor.

E o meu Amor está triste.

O meu Amor está sentido.

O meu Amor tem razão.

 

Estou a afundar-me.

E tenho arrastado o meu amor comigo.

 

O Meu amor não merece.

 

Hoje mal sou um Homem.

Hoje mal sou nada.

E hoje estou à beira

de perder o meu grande Amor.

 

Só que hoje,

nem hoje, nem nunca!

Pretendo deixar fugir o meu Amor!

 

Devo assumir, reconhecer e aceitar

Este sentimento, esta dor e remorso,

Só assim, me posso punir,

Com a esperança de poder corrigir

Um dia a pessoa que tenho sido,

Longe do que precisas, queres e mereces,

Para te poder provar então que é

Amor verdadeiro, aquele que te tenho

 

D.O.C.

03/12/2014