Os boiões da dignidade vespertina, quando atacam nos matutinos sentidos, deflagram na cor dos dias, almareando a razão instituída.
Pensem nisto.
Namastê. Ou como diz o corrector: "Amazonas".
Homero de Vaz Pessoa
29/07/2018
Faces, fantasmas, frontispícios, pessoas, fuças, esqueletos, semblantes, sombras, efígies, máscaras, letras, aspectos, expressões.
Os boiões da dignidade vespertina, quando atacam nos matutinos sentidos, deflagram na cor dos dias, almareando a razão instituída.
Pensem nisto.
Namastê. Ou como diz o corrector: "Amazonas".
Homero de Vaz Pessoa
29/07/2018
A Desgraça das rosas,
Outras floras que hoje receberão,
Estão nos vasos, vasilhames que amanhã,
Nas faces vos rebentarão.
Era mesmo com a tesoura da poda.
Espinhos virtuosos.
Pensem Nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
08/05/2019
Cabeça encostada à janela
Céu e mar azul
Pedra e carris, o chão..
Sentes confortável o sol a bater-te no rosto,
E admiras mais uma vez a magnifíciência do seu reflexo
Na água enrigada pelo vento, mas que ainda assim, caminha
tranquila..
À tua imagem..
Desfrutas de um dos teus mais íntimos momentos,
apesar de ires numa carruagem que se encontra apinhada..
Viagem esta, rotineira, dia a dia sem destino,
mas que te é crucial:
rodeado de gente mas solitário,
a tua vida identificas metafóricamente, e pensas,
neste tempo morto e inútil, que é só teu
E pensas..
O ruído soporífero ritmado da trepidação,
Um olhar distante
Fixo numa paisagem qualquer,
Em que os teus olhos se vidram,
E ves então, muito além
Do teu campo de visão..
Começou a tua viagem.
Sonhos, memórias, pensamentos, ilusões...
Tens pressa em chegar ao teu destino,
Mas escondes um secreto desejo,
O de que aquela viagem nunca mais acabe,
Pois quando isso acontecer,
Algo de mau e horrível, cataclísmico, sucederá..
O Fim do Mundo.. do Teu Mundo..
D.O.C
20/06/2008
As prendas da divina existência se convalescem pelas importâncias dos amanhãs passados. Seria um dia incerto, se o futuro se reflectisse nos passados de antanhos.
Posso portanto concluir que a nossa presença, mais não é que a incoerência presente de uma incógnita passada, que reflecte o patético inexistente futuro. Oopart's estranhos. Pleonasmos.
Homero de Vaz Pessoa
19/11/2018
Todos os lados do triângulo escaleno são iguais, porque a área da circunferência quadrada da pirâmide, é o dobro do raio que o parta.
Júan João Bernardo - O Cavaleiro de Pau do Apocalipse
02/02/2020
Um réstia d’oiro pairando no ar
Aproxima-se a hora sombria e tu vais lutar
E só então o sol ao céu vai voltar
Mais uma onda uma corrente
Eu não me encontro no meio desta gente
Mas tu bem sabes que é o que te faz ir em frente
Caminhando passo a passo
Pedra sobre pedra
Vais olhando o espaço
à procura da Terra
Como uma onda no mar
Aqui eu não quero ficar
Mas há quem me queira agarrar
Eu não me vou ficar
Salto a salto na corrente
Vou jogando na maré
Mas sei que no final das contas
Mesmo que eu caia vou ficar de pé
E já um indício doirado pairando no ar
Ando passo a passo, pedra a pedra me obrigo a respirar
Mas eu neste palco continuo a avançar
Muito mais do que andando
Eu não vou parar de saltar!!
D.O.C.
18/10/2009
Amor é um amor.
É um louvor ao Senhor,
Infelizmente este estupor
Provoca muita dor.
Ai, flores da bicicleta ancestral
Piqueniques do campo queimado
São ventos do vosso agrado
Clip, tesoura e cola.
Homero de Vaz Pessoa
19/09/2018
Mergulhou uma, duas, cinco vezes. Aproximou-se das ondas
mais altas, pronto a deixar-se levar, fazer golfinhos como em criança - sempre
o divertira e acalmara.
O preço pela sua identidade era assim já marcado de
chagas que com dificuldade cicatrizariam, mas a consciência da sua natureza superior
à da maioria dos Homens, sempre o levaram a confiar que do jogo de superação entre
ID, Ego e Super-Ego, ao qual assistiria indiferente qual mero espectador, para
recolher as vitórias, despojos de uma qualquer batalha. Algo de expiador havia
na mágoa, talvez um equilíbrio kármico a ser reposto quando cumprisse a sua
missão.
Sorria por isso, enquanto pensava mais uma vez, amargamente,
que era um perigoso estalinista para a direita, um fascista execrável para a
esquerda – talvez fosse essa a verdadeira natureza de um hipster do século XXI.
Ainda que pudesse por vezes ter sido um pouco cruel naquele amesquinhar dos
familiares, sempre se considerara um “bom rebelde” a quem a própria família
haveria de reconhecer os méritos e se orgulhar de ser ele um dos seus; até
porque até àquele momento, sempre lhe constrangera e atormentara o peso daquele
passado, enquanto em segredo escondia até dos seus recriminatórios pensamentos,
algum orgulho pela sua distinta estirpe. Era um pecado que tinha dificuldade em
esconder e do qual se tentava libertar, até porque também por ele, precisava de
provar ao mundo que era muito mais do que aquilo que nasceu.
Estava agora deitado de costas na areia, na zona de
rebentação das ondas mais baixas. Procurava que os pensamentos, mesmo os soltos
e desconexos, se juntassem num puzzle que lhe sugerisse algum significado
latente.
Talvez por tudo isto, a rejeição dos autoritarismos e das
pulsões monárquicas familiares, chocavam com a sua busca pela liberdade e autodeterminação,
tornando-o uma fonte de contradições internas do que o seu sentido de lógica acredita
ter, e por isso, tenta sempre colmatar; é hoje uma das personagens mais
contraditórias que existe no panorama político-partidário, social, cultural e
económico português.
Era este personagem que, engolindo agora alguns
pirulitos, surpreendido por uma onda maior da maré que subia, estava convencido
do seu perfeito controlo sobre todos os elementos que regem a sua vida, e que
em breve, estava apostado nisso, mudaria o curso da história e o futuro de um
país, de uma civilização.
Hakuna Matata: iletrado que
se procura afirmar como não analfabeto, mas ainda não chegou a Carpe
Diem.
Carpe Diem: qualquer imbecil um pouco menos iletrado, não tem
nada mais para dizer, procura justificar a sua conduta ou simples acefalite
aguda.
Todos os outros (silêncios, frases feitas ou originais): bestas
egoístas, petulantes, egocêntricas, pedantes, cínicas, cabotinas,
sobrancerias, arrogâncias, estupidez, má vontade e desprezo para todos os
demais, pois o centro do mundo e da verdade só se encontra naquele metro
quadrado de cidadania.
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do
Apocalipse
03/04/2018
A prova de que as pessoas sabem ser sérias e educadas, é quando sabem ser mal-educadas, néscias, grosseiras, impertinentes, inconvenientes, indecentes.
Tudo isto na ausência dos lesados. Na sua presença são encantadoras. Gosto deste tipo de civilidade, ou mesmo urbanidade.
As persianas são a última grande fronteira.
Homero de Vaz Pessoa
14/05/2019
O Sol está quente.
Mais quente é o chá que a língua sente.
Dia novo, penso: "-Presente".
Mas sinto tão, mas tão intensamente,
Que penso magoar previamente,
Ser uma simpatia obediente,
Dessa estrela que nasce a Ocidente.
Ah, porra! Escrivaninha.
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do
Apocalipse
18/09/2018
Os resquícios de Humanidade pendentes se desvanecem nas humildades dos parentes, flor-de-lis carentes.
Bom dia.
Namastê.
H.V.P.
23/07/2018
Ligo a guitarra
E o meu amp(e)
Logo fico pronto
Solitário trovador
Começo a berrar
As malhas que já sei de cor
Podem estar fartos
Mas eu não me vou calar
Há quem queira
Por-me em cima um autocarro
Há quem diga
Que eu só canto
Depois dum charro!
Mas não fumo!
Nem passo!
E estou assim!
Eu Não fumo
Nem bebo
Mas Sou assim!
Não são raros os gajos
Que precisem de se desinibir
Loucuras contidas
De quem apanhou a mulher a curtir
A beber um copo
Um enfardar um bom jantar
A saltarem-lhe para cima
E ela a suspirar
Mas não fumo
Nem passo!
E estou assim
Eu Não fumo
Nem bebo
Mas Sou assim!
Vai vai vai vai
Estou em brasa
Estou sem casa
Corro pulo sem parar
Estou rir
Sempre a abrir
A cantar
A gritar
A berrar
Estou maluco, louco
(Louco)
Ando doido, doido
(louco)
Demente, mente,
(mente)
Estou a chegar!!!
(Ahhhh!!! )
Até podes pensar que eu sou o doido
Mas na verdade o louco és tu
Só alguém completamente doente
Vive adaptado numa sociedade demente!!
Olha a velhinha abandonada
Olha o papá desempregado
Olha o deficiente desamparado
Olha a criança esfomeada
Olha a população desalojada
Olha a cidade bombardeada
Olha-me as fachadas rebentadas
Olha para o verde incendiado
Mas
Estou maluco, louco
(Louco)
Ando doido, doido
(louco)
Demente, mente,
(mente)
Estou a chegar!!!
(Ahhhh!!! )
Olha os bichos esventrados
Aquelas espécies mutiladas
Tantas pessoas espancadas
Aquelas vidas aprisionadas
Olha-me as gentes condicionadas!
E Olha o Homem enganado
E Olha o Homem ludibriado
E Olha o Homem manipulado
Olha estamos todos ENGANADOS!
Estou maluco, louco
(Louco)
Ando doido, doido
(louco)
Demente, mente,
(mente)
Estou a chegar!!!
(Ahhhh!!! )
Estou em brasa
Estou sem casa
Corro pulo sem parar
Estou rir
Sempre a abrir
A cantar
A gritar
A berrar
Até podes pensar que eu sou o doido
Mas na verdade o louco és tu
Só alguém completamente doente
Vive adaptado numa sociedade demente!!
Diniz Oliveira de Campos
Eutanasie-se. É a única forma de resolver o problema dessas gentes que defendem a Eutanásia. Ainda que possa parecer uma derrota, é uma derrota estratégica. Uma vez eutanasiadas, essas vozes que se erguem agora, não mais reivindicarão o seu direito, e o dos outros, ao controlo sobre a sua morte.
H.V.P.
16/02/2020
Quando a insanidade é verbo corrente da esquerda à direita, a lei passa passa a ser insana.
A maior vitória dos lunáticos facínoras, é sem dúvida conseguir fazer-nos acreditar que são tão normais como nós, vulgares loucos da existência fugaz.
13/09/2020
“Júan” João Bernardo, “O Cavaleiro de Pau do Apocalipse”
As estrelas são as poesias pueris dos pirilampos.
Caju e meio tostão.
”Júan” João Bernardo, o
Cavaleiro de Pau do Apocalipse
15/01/2019
Arde o fogo com vontade
sedento fôlego e poder
dançam chamas florindo,
queimando, rindo,
Fogo esse já um dia
me ia destruindo
Revolta um passado
nunca esquecido
lembrado, passado,
assumido, ferido
Fantasmas nada queridos
rostos perdidos, escondidos, fingidos
Doces palavras
feições amargas
nada guardam
senão dor
dor sentida, cantada, privada, escusada, esquecida, afastada...
desprezo, abandono e dor,
confesso por fim de forma suave
aquilo que até há segundos
queria gritar em plenos pulmões
Tudo isso em prosa
por uma voz não grossa
respirada e sentida
Más lembranças,
doces esperanças
Daqui eu espero,
Daqui desespero,
Aqui me despeço
Aqui vos acolho
e não vocês.
Recordo agora as palavras de há pouco
que por pouco já delas me esquecia
adormecidas anos, delírios e febres
A TI te agradeço por mas lembrares:
EU QUERO!
D.O.C.
12/09/2012
É sempre o Amanhã que canta.
Hoje acordei Amanhã.
Mas ainda é hoje. O Amanhã escapou de novo.
O Hoje continua monocórdico e o amanhã continua longe.
O Hoje é aborrecido. Apesar de Ontem, jurar que Amanhã acordaria cedo.
É uma bodega.
Para não dizer que é uma merda, que é feio e deseducado.
Pensem nisto.
Namastê.
Homero de Vaz Pessoa
13/09/2018
Caminhava agora, com os pés na areia molhada,
pontualmente salpicados pelas ondas.
O mundo iria mudar sob sua égide. Sabia que tinha de o
fazer. Indubitável e inevitavelmente acabaria por o fazer.
O que o preocupava na verdade era as concessões que teria
de fazer ao Sistema. Teria de sair daquela bolha e abraçar a comunicação de
massas, falar para o povo, que estaria certamente sedento de informação e
sabedoria, de alguém que pudessem admirar e que pudessem seguir – Ah! Como
abominava os inglesismos abjectos, a epilepsia da comunicação e da imagem, a
economia do tempo e da palavra! Era intolerável para si toda aquela conspurcação
da sua amada língua materna, que sorrateiramente e através das gerações mais
novas e despreparadas, que estava certo que incauta e inadvertidamente,
contaminavam de anglos e francos vocábulos a fonia de Camões, agora já
automaticamente como se de nativos termos se tratassem. Não havia volta, teria
de vender a alma e prostituir o seu rosto, oferecer as suas palavras ao vento
no caminho que escolhera de apelar às consciências que hoje eram órfãs da
verdade.
Olhou para trás. Mais da metade do caminho que fizera fora
já apagado pelas ondas. Pensou ironicamente se seria aquela um bom exemplo do
que a história lhe reservaria – Seria, à semelhança de tantos outros um nome de
rodapé ou uma versão romanceada de si mesmo para quem o viesse a estudar? Quem
o iria recordar? Historiadores certamente, mas e o povo, as pessoas, que tão
importantes são para a construção de uma personagem no consciente colectivo…?
Pensou nas pessoas comuns.
Era já humilhante ter de se rebaixar a falar directamente
para o povo iletrado, onde o analfabetismo funcional era pré-requisito para
poder ingressar em qualquer mercado de trabalho. Teria de rebater ponto a ponto
o discurso e propaganda dessa elite cultural e intelectual de esquerda, que
monopolizavam toda a imprensa.
Deixou que o mar refrescasse os tornozelos e as barrigas
das pernas. Baixou-se e apanhou um caço de água com as mãos, com que molhou a
cara. Respirava fundo enquanto pensava em opiniões públicas e publicadas.
Sabia que com as suas posições deveria ser catalogado de
conservador reaccionário de direita, algo que rejeitava desde a juventude – não
fora precisamente essa a génese da sua identidade, quando se rebelara com os
trejeitos mui finíssimos e nobres da sua família patética, da qual muitos
elementos guardavam ainda um orgulho bacoco por um passado de títulos
nobiliárquicos e pertenças vastíssimas de terra e bens? Estava certo que ainda
hoje tinha razão a demarcar-se ainda novo daquelas infindáveis reminiscências
familiares sobre a cor azul do sangue e antepassados muito distantes (séculos!)
e nobres! Não impusera um afastamento de valores e princípios quase que
blasfemo em relação ao seu clã de origem? Via-se desde jovem como uma voz
independente e livre, que denuncia o monopólio do sistema por grupos
minoritários e permanentemente beneficiados, que desprezam a meritocracia e a
capacidade individual de um ser humano de reinventar e superar.
Pousava agora a mochila e começava a despir a blusa de
linho – a água estava demasiado boa para não mergulhar. Sempre sentira um
enorme prazer e libertação em contacto com a areia e a água do mar. Nada era
mais simples e verdadeiro que aquilo. Sorriu desdenhosamente – Era óbvio que
qualquer geólogo, meteorologista ou especialista em oceanos e vida marinha
discordaria desta afirmação, - como era chato e impossível tentar libertar a
mente, a constatação permanente do quão pouco sabia sobre cada coisa tinha o
dom de o irritar. Tão pouco saber apesar de tanto ler, tanto estudar, fazia com
que se sentisse limitado, falível e mortal – um humano. Ironizou consigo mais
uma vez – Se há tanto imbecil que percebe claramente muito menos do que eu dos
assuntos de que fala e com os quais tem a presunção de produzir conteúdos que
desinformam mais do que informam, certamente que o seu trabalho seria menos
condenável, mais útil e preciso do que os restantes.
Aproximou-se do mar, onde rebentavam já as ondas mais
pequenas daquela zona da costa.
Retomou a linha de pensamento anterior - Sim, o sucesso
de cada indivíduo dependia exclusivamente de si, não lhe fazia por isso sentido
que os seus familiares se comportassem como se fossem membros da família real,
quando o maior feito de todos eles teria sido o desbaratar do património da
família ao longo de gerações, sem feitos, sem mérito, sem contribuição alguma
para o país, para as pessoas ou para o crescimento intelectual e humano. Havia
apenas uma infinidade de páginas em branco na história da família, uma ausência
escandalosa da sua participação na história como qualquer livro poderia
assertar; “Aristocracia falida e néscia, condenada ao olvido” - As imperdoáveis
palavras que com tanto rancor atirara aos progenitores no início da sua idade
homem, mas que até hoje lhe ecoavam na memória, tão reais como quando foram
proferidas, mas dolorosas muito mais agora e a cada dia, definitivamente votado
ao congraçamento possível com florestas nuas, de ciprestes.
Mergulhou uma, duas, cinco vezes. Aproximou-se das ondas mais altas, pronto a deixar-se levar, fazer golfinhos como em criança - sempre o divertira e acalmara.
Clopin da Maia
07/08/2020
As Pradarias da Existência nem sempre procuram a Presença.
Quando a competência caminha, largos passos contamina.
Ah, essa é a Permanência da Essência!
Pensem Nisto.
Namastê.
H.V.P.
19/09/2018
Ao menos o gajo (ou gaja!!) que criou o Tempo, podia ter criado o Tempo, 10 minutos mais cedo, evitava assim os constantes atrasos no trabalho e nas aulas… não é mal pensado e não custava assim tanto... mas acho que ele nunca foi muito de cumprir horários... e atrasou-se!
”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do
Apocalipse
06/04/2007
Dr. Diniz,
Bem sei que o seu escrito é já bastante antigo. Mas pelo tempo que acompanho suas irascibilidades quando de males de amor, sei que o que lhe direi agora poderia certamente ter dito à data da autoria de sua última escritura:
Também fiquei muito dorido com o acto falhado que foi o meu casamento e não tento fazer disso notícia, nem construo com isso pretensões a ser artista. Aliás, sou espoliado da minha alma e das minhas economias. E se fiquei realmente dorido. No coração. Rameiras ordinárias.
Agora a sério puto, tem juízo, já ninguém aguenta tanto melodrama!
PS: Mas é bem feito! Assim aprenderás por certo, que nem todo o buraco escuro é cofre seguro!
H.V.P
07/09/2020
Avanço na noite
Sem dormir
Vem aí mais um dia
E eu vou sentir
Chegou a hora de fazer
Chegou o momento de provar
Dia após dia a força que me agredia
No meu ser faz-me acreditar
Contrastando no meu estar
O meu bem
O meu sentir
É a hora de Lutar
A hora de seguir
E levanto a cabeça
Olhos nos olhos vou-me erguer
De ti já nada receio
Não tenho nada a perder
D.O.C
03/03/2012
Homilias profanas desenterram o pão do solo alheio.
Desgraçado do que não ferra dente em calhau ordinário. Morre de Fome.
Ventoinhas.
Pensem nisto.
Namastê.
H.V.P
25/09/2018
- Olha, esse coração aí, no chão,
Sentado e esquecido, sujo, puído;
- Espero que não nos tenha ouvido!
- Feliz foi um dia: jaz agora, no alcatrão.
- Sim, esse mesmo aí:
Invisível sentado, perdido;
- Sim sim, previsível Derrotado,
Amargurado, esquecido.
- Já uma vez existiu, vigoroso, sorrindo
E forte, pulsante, marcante, charmoso:
Apaixonado apaixonante e lindo!
- Ainda hoje apaixonaria, belo,
Caprichoso, sonhador e bondoso
Amante dedicado e orgulhoso
“-Sim, este coração aqui, enegrecido,
Amarrotado, pesado, e à vista – agastado!
Chaga viva amolgada, inflamada, cativa
Certamente, mas desconfio, esfomeada”
Almas mecânicas compadecidas,
Abrandam pouco, intrigando,
Uma menos absorvida, arrisca, embevecida:
“- Que vos estais apoquentando?”
O por hoje esmagado, sente e diz:
“-Nada mais ao mundo, Excelência,
Tenho por dar “
“-Tudo há para me faltar
Seja maldita a minha existência,
Tão pior por hoje acordar sem par!”
- Sim, mesmo aquele ali:
O coração amarrotado, perdido
Pobre pálido, vencido
Amargurado, pouco acarido
- Se confunde ele agora
Com os sulcos do chão
Pesada pedra escura dura, a quem,
Lhe é negada, Condição
- “Descurado agora está
Pois de muito se carece
Mesmo de leis e preces.”
Brotam lágrimas e rubras fendas,
E pragas, várias, total abjuração
“-Triste ver, estropiada obstinação.”
“-Regressemos, no entanto, e já,
Ao destino, que deixámos folgar,
Por pouco, é certo, que o ócio
Por drama alheio, nunca mais há
Do que convém: pouca saúde dá,
E é de outros, negócio; mais: nossos
Não são, os antanhos saudosos fervores,
Carências, maus amores, pesarosos”
- Artistas pindéricos, pirosos!
Felizmente, com a vida que levam
Não chegam à reforma para ser idosos!
- Estas gentes procuram atenção
Toda a que tinha, dei-lha toda
Inadvertidamente, de supetão.
(guarda a chave do carro no bolso e come o seu pastel
de nata)
Diniz Oliveira de Campos
01/09/2020
Como acredito na mudança, no progresso e na evolução do pensamento, decidi tornar público o seguinte: Tornei-me um acérrimo defensor e entusiasta da Prostituição, em especial das suas (e seus, não me vão acusar de misoginia) profissionais.
São provavelmente os únicos profissionais que se deitam com vontade de trabalhar.
Um modelo a seguir pela nossa nossa elite empresarial e empreendedora.
H.V.P.
07/02/2020
Cavalos atmosféricos
Lambujinhas da montanha
Tigres de aviário
Rebanho de lobos pardos:
A mentira nada mais é que uma excelente história que alguém resolveu estragar com a verdade.
Decassílabos sibilantes.
Salvé, salvé!
”Júan” João Bernardo, o
Cavaleiro de Pau do Apocalipse
14/04/2019
Esse pedaço de barro só, cozido
Quebrado, acabado esquecido
Foi já, porção de tudo
Hoje perdida esperança, do nada
Tijolo, só sumido
Bastaria então sonhar...
Aquela promessa um dia certa
Por diversas letargias se perdeu
Às perguntas díspares o tempo, temo
Espaço má fortuna lhe rendeu
Resta então sonhar.
Como às névoas do nada se forçou
Obrigado à não existência, não ser
Amarra hedionda, o estancou
Foi muito mais prova, que poder
Poderia então sonhar;
Nada foi na verdade, de facto,
Esquecido bloco de barro, perdido,
Estilhaçado, no acaso e fortunas não gentis,
Sem pedreiro, Fado forte, mau
Sem cuidado, falso pedido sentido,
Que a toscos apelos, não acudis
Deve então sonhar.
Lhe bastaria a Ele porém,
Papel discreto neste Monstro Sacro-Sinistro,
Cruel, sem sentido, mas ajudar poderia a erguer
Não fosse que Pedreiros e ministros
Cedo o destinaram, a não Ser
Satisfaz então sonhar...
Pode então agora sonhar,
Mármore, talvez tornar...
Ganharia relevos, frescos,
Talvez sair, viajar...
Vultos maiores edificar
Obriga-se agora sonhar...
Esse pedaço de barro só, cozido
Aquela promessa um dia certa,
Obrigada à não existência, não ser;
Lhe bastaria a Ele porém,
Então sonhar:
Vultos maiores edificar.
Vamos então, sonhar.
Diniz Oliveira de Campos
12/08/2012