terça-feira, 18 de agosto de 2020

Entranhas

Ah... Entranhas... 
Entranhas minhas... 
Fogo ácido da minha carne. 
Esgoto se sente, no desgosto. 
Estruma-me a alma,
Esperança nas novas ilusões,
Por germinar. 
Tristes e enfadonhos relatos. 
Aborrecem-me, de tanto me aborrecer. 
Relatos estes me ensinaram:
Vida vã, sentir. 
Relatos das entranhas. 
Estranhos. Entranham-se.
Se contorcem elas sobre eles
(entranhas sobre os relatos, salvo seja!)
Se contorcem sobre repugnantes crostas, nojentas
Teimam estas em não cicatrizar,
Ora crosta, ora carne,
Alma aberta, esvaída na fome sedenta,
Susto e Medo. 
Ah... Entranhas...
Vísceras minhas.
Manifestadas já as existências, 
Desse asqueroso paquiderme na sala. 
Espasmos de alma, peito e carne.
Assim nos compra. Ele. 
Promessas eternas, ilusão,
Onirismo, Ilusionismo, Surrealismo, 
Tosco e Patético, Feliz Lirismo. 
Entranhas essas... Pesado pagam todos.
A todos. 
Preço visceral que se entranha nas Entranhas. 
Palpitações.
Revoltam-se as entranhas, revoltas.
Resulta sempre afinal, 
Naquilo que produzem sempre. 
As entranhas. 


Cano(n)s.


D.O.C. 
12/11/2018

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