quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Natalidades

 Os abanicos da perversão

Não esperam a assertividade da ocasião,

Nem as calorias da digestão, 

Preferem faisão ao omegado salmão,

Recheiam um perú em vez do coração, 

Enfiam recheios manhosos na consolação, 

Estragam vísceras puras porcas,

Sem quê nem senão. 

Vou mudar o disco,

já cansei de rimar em ão. 

Ão. 

Estas festas, ridículas, 

São decências perversas

Obscenas de perdição,

Perdem-se nos significados

Dos versículos, fascículos,

Podres de ocasião, 

Não mais que manuais de instrução,

Recibos de devolução,

Hipocrisia sedenta de atenção seca, vazia

Espermicida, prostática, crocodilagens,

Pro-estáticas, inertes, imberbes,

Contaminando intenções e emoções jovens,

Imaturas, inocentes, ainda decentes, 

Significados vazios que passam a ter,

Significância por si. 

Os torrões de Alicante, 

Se confundem com Broas castelar, 

O pior ainda, 

É a selva de loiça para lavar, 

Indivíduos estranhos, 

A ressonar, 

Pelos púbicos públicos no teu ralo, 

Cheiros suspeitos nos teus lençóis, 

Bibelots chineses despedaçados, 

Suores cansados, 

Mares de cachecóis, 

Alambazamento desse comum sangue,

Sarnento. 

Ahh.. Já só faltam 363 dias. 

Tragam-me um café. 

Alfinetes.


Júan João Bernardo -  O Cavaleiro de Pau do Apocalipse 

24/12/2018

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Estafermos Cantantes

 Nunca eu cantaria se um dia não ouvisse o chilrear dos cucos. 

Cantaria um dia sim, ao palpitar dos roufenhos melros -  pululantes, estafermos angustiantes, belos, errantes. 

As amálgamas da existência podem observar-se na sombra das aves. 

E nas aves está a verdade da existência. 

Essas são as verdades escondidas. 

Pensem nisto. 

Namastê.


Homero de Vaz Pessoa

11/09/2018

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Estou Cansado

Nasce o dia nesta arena 

No cenário habitual 

Sozinho enfrenta as feras

Num combate desigual 


Neste assalto à queima-roupa

Armado com um pau 

Procura ficar erguido 

Procura ser o tal 


E joga tudo o que tem para jogar

Que neste jogo perder é ganhar

Resignado, chama no olhar 

Respira fundo


ESTOU CANSADO!


E dos lábios gargalhada cruel

Sádica espera, faz-te acreditar 

Nessa estranha força que te faz respirar 

Fechas os olhos, clamas pro céu

E tomas o teu lugar! 


Ao cair da noite ja roto e esfolado

Por um objectivo nunca alcançado

Verdade cruel de que tentas fugir 

Esperneias e lutas e não consegues sair 


E amanhã tudo se repete 

Te arrastas à arena já sem saber  se sais 

Ciclo vicioso que nunca promete 

Vida sufocante de todos os demais 


E dos lábios gargalhada cruel

Sádica espera, faz-te acreditar 

Nessa estranha força que te faz respirar 

Fechas os olhos,  clamas pro céu

E tomas o teu lugar! 


E joga tudo o que tem para jogar

Que neste jogo perder é ganhar

Resignado , chama no olhar 

Respira fundo


ESTOU CANSADO!


E dos lábios gargalhada cruel

Sádica espera, faz-te acreditar 

Nessa estranha força que te faz respirar 

Fechas os olhos,  clamas pro céu

E tomas o teu lugar!                                                        


ESTOU CANSADO!


D.O.C.

02/03/2009



quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Deus Responde a Nietzsche

 As máscaras de Nietzsche têm por vezes elásticos poderosos. 

As marés são isso mesmo. De longe a natureza da Lua se revela, mesmo a do seu lado oculto. 

Não vemos, mas sentimos. O tempo é amigo. Soberano. 

"E se...?" é sempre um pensamento interessante e por vezes até divertido. 

Subversão, perversão de algibeira são pequenos tudo-nada que regozijam almas.

Pervertamos outro pensamento do cavalheiro supracitado:

"Nietzsche está morto." 

Chupa Friedrich! 

Bom dia camaradas! 

Cuidado com a coluna vertebral e as picadas nas costas. 

Gravilhas miúdas no calçado.


”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse

14/07/2019


terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Dia-a-Dia

 No comboio estremunhado

Tu acordas mais uma vez

Esperas ver tudo  mudado

Bocejar de quando em vez


De manha os vagões compostos

Gente esperta ainda a sonhar

A sonhar um dia diferente

Que vão poder guiar

 

Prisioneiro do dia-a-dia

Que te alicia, faz-te arrastar

Por ócios cómodos e fúteis

Que te fazem amarrar

 

Não

Não deixes, Não

Te arrastar, Não

De resistir, Não

De respirar, Não

De sair, de acordar, de fazer,  de avançar, e de ser, de sentir..

 

E à tarde já derrotado

Cansado deixas-te cair

Cabisbaixo, apático, frustrado

Disfarças tentando sorrir

 

Como é que isto não tem fim??

Eu conto-te, isto é assim

Tu vives fechado num cerco

Do qual tu queres sair

 

Não

Não deixes, Não

Te arrastar, Não

De resistir, Não

De respirar, Não

De sair, de acordar, de fazer, de avançar, e de ser, de sentir..

 

D.O.C.

04/04/2009

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Gente de Desconfiar

 Desconfiem de toda a gente que não assume que também tira macacos do nariz. 

Glória e Chá. 

Pensem nisto. 

Namastê.



Homero de Vaz Pessoa 

06/03/2019

domingo, 20 de dezembro de 2020

Gordo Gato

Gordo gato, gato gordo

Que pateia o passeio, passeando

Um miado, rugido

Que mais não é, cantando,

Protesto de quem procura,

Bem alto dizer, falando

Mas segue, miando.

 

Mia o pêlo,

Tratado com zelo,

Mia bigodes,

Charmoso és,

Bem sabes que podes,

Mia Pantufas,

Almofadas fofas, robustas,

Quando te chateiam

Com eles assustas,

Miados gostosos,

Bigodaça frondosa,

Figura dengosa

 

Furioso sindicalista do afecto,

Passivo-agressivo compincha

Passas por qualquer frincha

Vira-lata com porte imponente, selecto!

 

Preguiçoso ocioso

Selvagem vadio,

Mas nobre no porte

De rabo em pavio

Não te bastam as vidas

És um desgraçado com sorte

 

Gordo gato, gato gordo

Que pateia o passeio, passeando

Um miado, rugido

Que mais não é, cantando,

Protesto de quem procura,

Bem alto dizer, falando

Mas segue, miando.

 

 

”Júan” João Bernardo, o Cavaleiro de Pau do Apocalipse

20/01/2020

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Ódios

 Não me culpem por odiar as pessoas.

Responsabilizem as pessoas por tornarem possível serem odiadas.

Pensem Nisto.

Namaste



H.V.P.

05/03/2019

domingo, 6 de dezembro de 2020

Chatice

 Dr. Homero, 

Vossa Exa. passou anos a queixar-se da sua, agora ex-mulher, que era uma criatura muito aborrecida, julgo, chata para caraças. 

Terá isto alguma relação com o que me chegou ontem ao conhecimento (não tive oportunidade ainda de aferir) sobre a Exma. senhora padecer neste momento de uma verdadeira praga de chatos? 



06/12/2020

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Onde Estás?


Sozinho no Estio 

Num quarto Vazio

Espero naufragar

Em hora por marcar

 

Com frio e  sem fado

Um bote reparado

Não consigo passar aquele cabo

Quero ir além mais um bocado

 

E há tanto por fazer

E há tanto por fazer

E há tanto por fazer

E há tanto por fazer

Não quero partir sem te encontrar

Não quero partir sem te encontrar

Quero-te sentir

Diz-me por favor

quem és tu

e Onde estás?

 

Com o Horizonte cinzento

E perdido o Norte

Nem marés nem vento

Disputando a morte  

 

Não permitir que a vida me dê capote

E subindo esta muralha

Eu vou tentar a minha sorte

 

Caminhos incertos

Encontros secretos

 

E há tanto por fazer

E há tanto pra recordar

EHá tanto por olvidar

Quero-te sentir

Por favor onde estás

Onde estás?

 

Com olhos cerrados

Camisas fechadas

Não há alma, nem fraldas

Sem toque nem beijo

São sonhos usados

E mal lembro o desejo

 

Não olho a copa

Mas quero jogar

Alguém que por gosto

Se deixe ficar

 

E há tanto por fazer

E há tanto por fazer

 

Onde estás, não te vejo

Oh, em promessas eu já nem creio

As Tuas formas na sombra do passeio

De outra forma nem me sinto inteiro

Só te quero tanto ter

Saciar essa fome em viver

Onde estás

 

E assim cá ando armado aos cucos

Perdido e só no quarto sem saber

Quero-te conhecer

Dá-te a ver por favor

Quem és tu?

E Onde estás


E assim cá ando armado aos cucos

Perdido e só no quarto sem saber

Não sei mais onde procurar

vem-me cá buscar

Dá-te a ver por favor

Quem és tu?

E Onde estás


E há tanto por fazer

E há tanto por fazer

 

Onde estás, não te vejo

Oh, em promessas eu já nem creio

Sonho contigo acordado

Loucos desejos cheios de pecado

Quero-te conhecer

E saltar e viver

Onde estás


E há tanto por fazer viver

Deixa-te ver

Quem és tu

Onde Estás?


E há tanto por fazer

Diz-me quem és tu

E onde estás

 

Diz-me quem és tu

E onde estás 

Saciar essa fome em viver

Onde estás?


D.O.C

03/12/2013

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Outono

 As noites prolongam-se nas manhãs que esfriam. 

Os dias estreitam-se no sol que esconde. 

Caem folhas. O sol se abeira a sul.

Promessas de gelos molhados, ventos rasgados. 

Outono chegado, promete morte, fogo purgante, 

em gelo cortante. 

Enfim... a fita-cola da vida. 

Transferidor

Pensem nisto. 

Namastê.



Homero de Vaz Pessoa

13/10/2018

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Um Rasgo na Rua

Um rasgo na rua 

Bem alto ao luar 

Não sei mais que fazer

Mas aqui não consigo ficar 


Avanço lentamente 

Passo a passo 

Pareço recuar 

Cada partida uma incerteza 

Em cada avanço uma derrota na certeza 


Sozinho canto e grito 

Bato em força na parede

Na parede que não mexe, só implacável e fria

Que em mim basta para me bastar


Sozinho canto e berro 


Quando em minha frente um anjo 

Sem ter asas por abrir 

Mas para que voar tão alto 

Se daqui não se faz sentir 



No final já ao crepúsculo

Lembro o que sou e não fui 

De quem é a culpa, e quem ma roubou 

Para o inferno sozinho eu vou


Em mim revolta pura 

Paralisante incompetência 

Ai de mim se paro agora 

De mim não deixo vivência 


Um rasgo no meio da rua 

Aqui bem alto ao luar 

Não sei mais que fazer

Mas aqui não consigo ficar 



D.O.C.

12/08/2012