quarta-feira, 28 de abril de 2021

O Pecado tem Pestanas

 Se o pecado tem pestanas

Não exclui isso, a vontade

Correr e sentir, correndo

O sangue fervendo, fazendo

Expiando saudade,

Nas brasas da carne,

De quem pela culpa se deixa cair

Pelo desejo abraçar

E nas volúpias partir

 

Aromas esquecidos

Suaves curvas,

Gulosos sabores,

Melosos lábios,

Mil licores,

Olhos nervosos,

Sempre sábios,

Toques sedosos

Espasmo trigoso

Afago brioso

 

Ah… sim…

O Pecado tem pestanas!!

Quem diria! Tu?!

Os sorrisos melodramáticos

Vívidos, mas distantes,

Cândidos, simpáticos!

Coração infante,

Presença no porte,

Ausência no tom,

Amesquinhas o meu ego, tratante,

Doce na voz,

Amarga no trato,

Vive adiante

Desprezando a sorte

 

Degustei eu, agora

Toque escaldante,

Arrepio quente,

Fizeste-me amante

Diabo caído, partido

Não mais gente.

 

Chegaste chegando,

Perto, perto e mais perto,

Sonhos travessos,

Sentidos avessos

Ainda mais perto,

Entrelaçadas as matérias

Pirobólogo êxtase

Eléctricos choques,

Fluídos contágios,

Disforme aparato

Tudo tão perto

Bulício errante

Júbilo completo

 

Prova essa, cruel,

Castigo, Fel,

Partiste, fugiste,

Intangível ficaste,

Tágide vil,

Secaste-me a boca,

Inundaste-me o peito

Meu âmago dócil

E meu ego grácil

Estoiraste-os a todos

Sua puta senil!

 

 

D.O.C.

17/12/2019

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