Se o pecado tem pestanas
Não exclui isso, a vontade
Correr e sentir, correndo
O sangue fervendo, fazendo
Expiando saudade,
Nas brasas da carne,
De quem pela culpa se deixa cair
Pelo desejo abraçar
E nas volúpias partir
Aromas esquecidos
Suaves curvas,
Gulosos sabores,
Melosos lábios,
Mil licores,
Olhos nervosos,
Sempre sábios,
Toques sedosos
Espasmo trigoso
Afago brioso
Ah… sim…
O Pecado tem pestanas!!
Quem diria! Tu?!
Os sorrisos melodramáticos
Vívidos, mas distantes,
Cândidos, simpáticos!
Coração infante,
Presença no porte,
Ausência no tom,
Amesquinhas o meu ego, tratante,
Doce na voz,
Amarga no trato,
Vive adiante
Desprezando a sorte
Degustei eu, agora
Toque escaldante,
Arrepio quente,
Fizeste-me amante
Diabo caído, partido
Não mais gente.
Chegaste chegando,
Perto, perto e mais perto,
Sonhos travessos,
Sentidos avessos
Ainda mais perto,
Entrelaçadas as matérias
Pirobólogo êxtase
Eléctricos choques,
Fluídos contágios,
Disforme aparato
Tudo tão perto
Bulício errante
Júbilo completo
Prova essa, cruel,
Castigo, Fel,
Partiste, fugiste,
Intangível ficaste,
Tágide vil,
Secaste-me a boca,
Inundaste-me o peito
Meu âmago dócil
E meu ego grácil
Estoiraste-os a todos
Sua puta senil!
D.O.C.
17/12/2019
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