domingo, 18 de maio de 2025

A Bandeira Comunista

Filhos da puta! Não passarão, nem que tenha que me aliar a brigadas anti-fascistas!!! 


Só posso lembrar o texto do nosso querido e demasiado tempo partido, Ary dos Santos: 


A bandeira comunista

Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.

À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.

Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.

E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Cansado



Vão vestígio adiado de pó, cinza, terra e nada.


Após existência nada fica.

Durante, nada. Imutável, imovível, inútil. Vão. Pedaço de desespero sufocante, amargo de boca asfixiante, na tentativa inútil de algo conseguir. Sempre em vão.


Algo por ser, sem vir a ser.

Algo por tomar forma sem passar de mero esboço de lama. Nada a não ser mais um peixe no mar por ser pescado de arrastão para acabar no prato de um desconhecido qualquer que me esventrará a seu bel prazer ao lado de uma salada murcha e umas batatas desfeitas. 


Nada.


Pó, cinza, terra e nada.

DOC

terça-feira, 13 de maio de 2025

Inexistência miserável

Pedaços de lixo entre-cortados de coisa nenhuma, inexistência miserável,  inefável e desprezível. Pedaço de nada com outro pedaço de coisa nenhuma, antecipam o que um dia não será mais que pó, cinza, terra e nada, sem vestígios de uma inexistência passiva que em nada contribuiu para que a terra gire ou deixe de girar. Minha herança na existência mais não é que um buraco vazio que mais não é que incómodo ou não tarda a ser tapado, ignorado e esquecido para ser pisado pelo seguinte.
É esta a minha sina?
Nada me indica o contrário! Desaparecesse definitivamente agora ninguém sentiria falta e pouco tempo passaria até ser totalmente esquecido. Minha existência sempre foi assim: não deixar de lembrar para que nunca seja esquecido.

É triste. Lamentável. 
Solitário. Desprezível.
Pó de estrela morta com forma vagamente viva que não tardará a voltar ao caos atómico e entropia universal. 

E isso entristece-me. Não há marca positiva que possa deixar. Não há trabalho bem feito que consiga fazer. Tudo é superficial e sem sentido. Quando dizem que tudo tem seu valor é porque ns verdade nada tem valor. E isso deprime. Além da vida. Além da existência.