Quero aquela montanha
Aquela que não se desdenha nem apanha.
Uma mão cheia de terra, cinza e nada.
Um pedaço de chão, um monte de erva.
Aquela carência que consome mais que uma Era.
Que a inocência, desprovida, acaba atada.
Quero tudo, e nada quero.
Quero entrar e quero sair, sem que, nada em mim,
possa destruir a pureza de um tão fátuo momento,
Que sempre presente, nunca se lhe oculta e mente.
Procuro a liberdade.
Liberdade de entrar e sair.
Voltar a sair e entrar, sem cair no vácuo
Da existência...
Já não posso assumir.
Dúvidas que não cessam,
recados que não morrem,
mas também não são entregues.
Uma mão cheia de terra, chama para mim:
-Anjos e demónios, sem fim, aguadilha benta de um arlequim.
Pergunto aos seres que pululam de fé translúcida e insubstancial:
Será sempre assim?
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