segunda-feira, 8 de março de 2021

Mulher

 Mulher

Perfeita.

Tão perfeita como a imperfeição se quer,

Ser único, autêntico... Única...


Personalidade ternamente implacável,

Libertou em mim,

Em toda a sua fúria graciosa,

Tempestade serena, que És,


Furtiva, presente,

Uma paixão que não se agarra

Mas se sente.


És o Vento.

Sinto-te mas não te posso agarrar.

Acalmas-me e abalas-me,

Combalido, não te consigo antecipar.


Oiço-te, mas não te vejo,

Fecho a mão, mas nada,

Vazio.

Não te posso agarrar.


És o Vento que tudo fustiga.

Que que era, mas já não o é,

Depois de ti...

Sem ti...


E Mar... Vejo-o agora claramente também...

És Mar uno com o Vento...

Transparente mas poderoso.

Poderosa.

Esmagarias gigantes... Com a força desse mar,

Se esse capricho assim te assaltasse a vontade,

Mas não... Vais, e vens, e vais...

E vais...


A maré mudou.


Essa força demolidora que vive em ti é Soberana.

Falou.

Tu és Força, Energia, Vida e Ser.

Jamais conseguiria eu fazer justiça

Tentando conter ou descrever

Em apenas palavras,

Nunca!


Por mais anos que eu o fizesse

Independentemente dos anos

Que pudesse vir a Viver...


E foi essa existência Tua,

Que me esmagou desde o primeiro momento.

Fascínio e espanto,

Esta obsessão doentia,

Apaixonada que não quer largar,

De uma forma estúpida, infantil,

Incoerente, inocente mas despropositada...

Mas Fútil... Inconsequente...

Não encontra mais palavras para se exprimir,

E sobretudo, para se fazer Crer...


Crer no Querer...


E lembro.

Lábios doces de provar...

Amor que desconcentra e desnorteia os sentidos...

Estremece-me e envolve as vísceras em espasmos palpitantes...

Cabelos... Deleitosas cortinas de aromas, sensações e emoções...

Iludem os sentidos...

Perco os sentidos...

Perco o pé...


Mas hoje choro.

Hoje já foi.

Não fui merecedor desta criatura que,

Por mais que tente,

Não acho forma, palavras,

Para descrever e lhe fazer Justiça...


Toda a fúria do que não fui, mas tu foste,

Toda a Culpa daquilo que sinto,

Mas que Sinto que deixei de o provar,

Das provas que tu me deste e do que tu sentes...

E eu não dei...


Esmaga-me o peito...

Estrangula-me a alma

Agoniza-me a existência,


Por cada vez mais, menos merecedor me sentir de ti...

Do teu amor...


Sei que não deixarei eu de te amar...

Com isto vou ter de viver...

Amo-te... E mais não é possível dizer,

Pois por mais que a mulher que eu amo,


Para sempre, para mim

Nunca deixarás de ser...

A Mulher.


D.O.C.

08/03/2017


sexta-feira, 5 de março de 2021

Viagens

 O céu já clareia

Sacola e guitarra

Nova jornada

Nova viagem

 

E o sol pinta já o céu

Tons dourados, magentas

Vejo pessoas cinzentas

Desfocadas, sem nexo

Sem classe, sem sexo

Devolvem-me o olhar vítreo

Que vê muito além

Embalados na trepidação estão,

Na carreira sem estação

 

Quero o sol, quero a lua

Correr essa rua

Pisar essa terra crua  

E tanto por fazer

Quero viver

 

Salpica o sol na face

De manchas ígneas, quentes e belas

Que nem assim aquecem

O fundo, profundo,

Uma alma que não consegue,

Não pode, ou não merece

Receber o seu calor

 

Fria imagem, fria margem,

Entre duas pelas quais corro

Procuro respostas para perguntas que nem existem

Ou talvez nem devessem existir...

 

O calor desta viagem procura,

Disfarçar a ausência daquele que não existe

Acalmar o frio surdo,

Angustiante, cortante, constante

Sonho errante, expectante:

A próxima paragem...


essas paragens...

Apeadeiros desertos, vazios, inúteis

Escondem razões fúteis

Mas que são esmagadas

Por um propósito incerto, absurdo, condenado,


Daquela que é afinal

A grande viagem:


A última paragem


Procuro o sol, procuro a lua

Quero só sair à rua

Caminhar nessa terra crua  

Sem saber, pensar, temer, sentir

Correr num dia quente assim


Sentir O Caminho A Correr Para Mim


D.O.C.

03/09/2013

quinta-feira, 4 de março de 2021

Existências Medíocres

 O desprezo pelas existências medíocres, é bálsamo sagrado, éter providencial.

Imaginai gentes feias, odiosas, maquiavélicas, porcas, ignorantes, buçais, néscios de plateia, inertes almas amorfas que só pensam em ócios imediatos, palavras ocas, significados e significandos frívolos e profanos.

Hipocondria espiritual. 

Agora olhai o espelho. Não são assim tão diferentes, pois não? 

Pensem nisto. 

Namastê.


Homero de Vaz Pessoa 

05/07/2019